Encontro do Capítulo Centro-Oeste em Brasília debate integração entre Comunicação e Relações Governamentais

A integração entre Comunicação e Relações Governamentais e a leitura do ambiente político-institucional brasileiro foram os principais temas do Encontro do Capítulo Aberje Centro-Oeste, realizado na última quinta-feira (17), no Observatório da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Com o título “O Valor da Reputação em Brasília: comunicação e relações governamentais para um novo ciclo institucional”, o evento marcou a retomada dos encontros da Associação na capital federal e a posse de Aretha Amorim, gerente de Relações Governamentais da GM, como diretora do Capítulo Centro-Oeste.
Na abertura, Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje, relacionou a retomada à agenda que aproxima Comunicação Corporativa e Relações Governamentais e Institucionais. “Esse comunicador, seja mais corporativo ou mais de RelGov, ou pensando nesse comunicador mais híbrido, talvez tenha hoje uma responsabilidade e um papel como nunca antes teve”, afirmou. Para ele, essa atuação inclui contribuir, a partir das empresas e organizações, para a valorização da política e do diálogo institucional.
Comunicação e RelGov na construção de reputação
O primeiro painel reuniu André Curvelo, diretor de Comunicação da CNI; Lara Gurgel, presidente do IRelGov; Fabio Rua, vice-presidente de Políticas Públicas, Comunicação e ESG da GM América do Sul e membro do Conselho Deliberativo da Aberje; e Hamilton, com mediação de Aretha.
Ao abrir a conversa, a nova diretora do Capítulo Centro-Oeste destacou como sua própria trajetória profissional passou pela aproximação entre as duas disciplinas. “Não existe uma campanha ou comunicação voltada para advocacy sem uma comunicação eficaz. A gente não consegue fazer a construção de uma política pública eficiente sem um diálogo qualificado”, afirmou Aretha.
Lara defendeu uma atuação coordenada entre diferentes funções corporativas. “Fica cada vez mais claro que as áreas de Comunicação, ESG e RelGov precisam trabalhar de forma conjunta em qualquer frente de atuação. Tudo perpassa a estratégia de como a empresa quer ser percebida e posicionada institucionalmente”, disse. Segundo ela, a comunicação constitui um dos conhecimentos necessários ao exercício estratégico do advocacy.
Curvelo apresentou a experiência da CNI, que precisa articular informações técnicas, interesses setoriais e a comunicação de 27 federações estaduais. Entre os desafios, citou a velocidade do ambiente informacional e o acompanhamento de milhares de projetos em tramitação no Congresso. O executivo também chamou atenção para o papel dos empregados na construção da percepção pública das organizações. “Defendemos a comunicação interna como a base de toda a reputação corporativa”, afirmou.
Fabio Rua abordou a experiência da GM na integração das áreas e a mudança de uma cultura anteriormente mais restritiva quanto à exposição pública dos empregados. A empresa passou a adotar guias e treinamentos para orientar a participação dos profissionais nas redes sociais. “Se tivermos a sabedoria de usar a comunicação com método e intencionalidade, levamos uma mensagem assertiva ao nosso público e vamos muito mais longe”, disse.
Ambiente político amplia necessidade de mediação
A segunda parte do encontro se concentrou na análise do ciclo político-institucional, conduzida pelo cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy. A apresentação abordou o cenário eleitoral, as restrições econômicas e as tensões institucionais que, em sua avaliação, deverão influenciar o próximo ciclo político brasileiro.
Leonardo avaliou que o país atravessa um período de desacomodação política que deverá levar à discussão de reformas institucionais após as eleições. “Vivemos uma crise sistêmica de acomodação política que exigirá reformas institucionais no início do próximo ciclo, independentemente de quem vença a eleição”, afirmou.
Em sua leitura do quadro eleitoral, o cientista político apontou equilíbrio entre as principais forças políticas e dificuldades do governo para ampliar sua aprovação. Também analisou como crises institucionais recentes passaram a disputar a atenção do eleitorado e afetaram a dinâmica da corrida eleitoral.
A discussão avançou para as implicações desse ambiente para organizações e profissionais que atuam na interlocução entre empresas, sociedade e poder público. Barreto atribuiu papel relevante à iniciativa privada e à sociedade civil na construção de canais de diálogo diante das tensões institucionais. “A sociedade civil e o setor privado precisam estar preparados para atuar como mediadores e colaboradores no processo de reconstrução da confiança nas instituições e nas reformas necessárias”, afirmou.
Expedição Brasília aproxima comunicadores do ambiente institucional
O encontro também marcou o anúncio da Expedição Brasília, novo módulo imersivo ligado ao curso de Relações Institucionais e Governamentais da Escola Aberje de Comunicação. A iniciativa pretende trazer à capital comunicadores de diferentes regiões para conhecer na prática os códigos, rituais e dinâmicas que caracterizam o ambiente político-institucional.
Com curadoria de Fabio Rua, a Expedição deverá promover atividades de aproximação com instituições e profissionais que atuam em Brasília. Associados do Distrito Federal e da região Centro-Oeste também poderão interagir com os participantes em encontros, palestras e trocas de experiências.
Ao apresentar a iniciativa, Hamilton definiu a proposta como uma oportunidade para comunicadores “vivenciarem os rituais e códigos da capital”. O lançamento integra a retomada das atividades do Capítulo Centro-Oeste e amplia a agenda da Aberje dedicada à aproximação entre Comunicação e Relações Governamentais.
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