Capítulo Aberje Sul debate futuro da comunicação corporativa com IA

Na última terça-feira, 30 de junho, o Capítulo Aberje Sul promoveu um debate na Unisinos sobre os impactos da inteligência artificial (IA) na comunicação corporativa. O evento evidenciou que a tecnologia não é apenas uma ferramenta de produtividade, mas um novo “porteiro” da internet, que altera a jornada de decisão do consumidor do “clique” para a recomendação pronta. A resposta da comunicação passa pela construção de um lastro de credibilidade verificável – já que a reputação agora é também o que os algoritmos inferem a partir dos registros públicos das organizações. O encontro contou com o apoio da Unisinos e do Jesuítas Brasil.
A programação se dividiu em eixos temáticos que abordaram desde conceitos e formação profissional até habilidades humanas e o uso prático da tecnologia nas organizações. A abertura institucional da Aberje foi conduzida por Victor Pereira, gerente de Relações Institucionais da associação. Ana Paula da Rocha, gerente de Marca e Reputação da Randoncorp e diretora do Capítulo Aberje Sul, falou a seguir. Em seguida, a abertura institucional dos Jesuítas e do Colégio Anchieta reuniu Ana Cláudia Klein, assessora de Comunicação da Província dos Jesuítas do Brasil; Marcela Brandt Costabebe, coordenadora de Midiaeducação do Colégio Anchieta; e Fabrício Fernandes, analista de Comunicação do Colégio Anchieta. O painel “Inteligência Artificial e Comunicação Corporativa: tendências, reflexões e perspectivas” contou com Taís Flores da Motta, coordenadora dos cursos de Relações Públicas e Comunicação Digital da Unisinos, e Vinícius Guise, sócio e CEO da Global AD, com mediação de Victor Pereira. Já o painel “Os desafios da implementação da inteligência artificial nas áreas de comunicação” reuniu Leandro Andreatta, diretor administrativo do Instituto Hercílio Randon, apoiado pela Randoncorp; Ana Paula da Rocha e Bianca Franchini, gerente de Reputação Corporativa do Sicredi.
A nova dinâmica da reputação e recomendação
Durante as discussões, Ana Paula Rocha destacou que a disputa atual não é mais apenas por tráfego, mas por citação e recomendação. “A decisão de compra não começa mais no clique. Ela começa na recomendação”, afirmou. Bianca Franchini pontuou que a IA deve ser vista como um novo stakeholder que influencia a percepção pública.

Para Franchini, a IA tem o poder de amplificar quem já possui repertório estratégico, mas não transforma iniciantes em especialistas. A preocupação central reside na “memória da IA”: ao contrário das crises de imagem do passado, que desapareciam com o ciclo de notícias, os sistemas de inteligência artificial mantêm os fatos acessíveis permanentemente, exigindo uma gestão de crise que dispute a memória do fato.
Educação, governança e o fator humano
Taís Flores da Motta enfatizou a importância do papel da academia e da formação dos novos profissionais. Ela alertou para o risco de substituir estagiários por IA, o que pode comprometer a formação de futuros profissionais competentes. Taís defendeu que o olhar crítico sobre a origem dos dados deve ser a base da utilização dessas ferramentas.
Pelo lado da aplicação prática, Leandro apresentou como a governança e a eficiência são pilares para a incorporação da tecnologia nos negócios. Dados da Pesquisa Aberje 2026 reforçam essa urgência: a adaptabilidade às novas tecnologias é a habilidade mais valorizada para o futuro (74%), e a IA/automação já é um desafio para 59% das áreas de comunicação.
Apesar da escala e velocidade proporcionadas pela tecnologia, o consenso entre os painelistas é que a reputação continua sendo humana. No Sicredi, por exemplo, a IA é utilizada para “cuidar do processo”, permitindo que as pessoas tenham mais disponibilidade para “”cuidar de pessoas” e fortalecer relacionamentos locais.
Victor Pereira encerrou reforçando que o papel da associação é justamente promover esse diálogo entre o mercado e a universidade para navegar em um tema ainda em construção. A mensagem final do encontro foi clara: a IA entrega a velocidade, mas a direção estratégica e a consistência da marca permanecem como responsabilidades exclusivas do comunicador.
ARTIGOS E COLUNAS
Ciça Vallerio Onde as empresas ainda estão tropeçando em riscos e saúde mentalPaulo Nassar Aberje Trends – Afirmação da ComunidadeLuis Alcubierre A IA influencia stakeholders, mas não é um deles
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