Você quer ser relevante nestes tempos “acelerados”? Pense na sua comunicação. Faça-a florescer!

Em determinado momento, pediu licença e foi ao banheiro. Abriu a torneira, ficou parado diante do espelho olhando-se enquanto a água escorria. “Quem sou eu na fila do pão?”, perguntou-se. Tinha os olhos levemente marejados. Suspirou, fechou a torneira, recompôs-se e saiu. Voltou para a mesa. Notei que alguma coisa tinha acontecido. Parecia diferente. O garçom completou nossas taças de vinho e continuamos nossa conversa, enquanto esperávamos os pratos.
Falamos sobre a sanha generalizada, imposta pelo estado de coisas atual, no qual cada um sente-se na obrigação de ser e mostrar-se uma pessoa relevante, uma usina de ideias uma metralhadora de inspiração para a humanidade; as redes sociais favorecem muito essa condição. Daí, é aquela velha frase popular — “se você tem um martelo na mão, tudo parece um prego” — derivada de uma teoria do psicólogo norte-americano Abraham Maslow, na qual diz que temos a tendência de usar sempre as mesmas ferramentas, estratégias ou formas de pensar para tudo, não buscando novas abordagens.
Para mim, temos deixado de lado a prática da autocrítica, e logo, a perspectiva do que pode ser compartilhado legitimamente como algo relevante, que faça sentido, e não uma expressão tola do ego em busca de umas curtidas, que infelizmente virou uma febre dos tempos modernos. O que não se faz por um joinha ou coraçãozinho?
É preciso tomar muito cuidado. Afinal, os gostos são diferentes e diversos, muitas coisas são efêmeras, os assuntos são passageiros, voláteis, há uma intensa disputa por discursos querendo atenção, público, curtidas, engajamento. A repetição via de regra banaliza, afugenta, perde-se no turbilhão. Já o humor, a desgraça e as “tretas” atraem, impulsionados pelos algoritmos das redes sociais. Mundo cada vez mais bizarro. Esse cenário, na verdade, é um campo relativamente novo, sobre o qual estamos ainda aprendendo a lidar. Acredite: o principal guia é o bom senso.
Comentei uma experiência que tive aos 19 anos, em Salvador, no comércio. Trabalhei um curto período, durante as férias da faculdade, em um estágio. Ia para uma loja de roupas masculinas no Shopping Piedade, de uma rede do pai de um colega meu. Foi uma experiência de grande aprendizado para um jovem e um bom faturamento perto do Natal. Aprendi a lidar com a multiplicidade de gostos das pessoas. O que eu oferecia nem sempre o cliente gostava e o que eu achava brega, o cliente adorava. Os que iam com a mãe, a esposa ou a namorada, a decisão era delas e não se meta no assunto. Tem gente que compra pela marca, porque acha chique, mas nem sabe direito o que isso significa. Enfim, tem gosto e espaço para todo mundo e está tudo certo. E a vida segue.
Também contei uma passagem mais recente, em uma sala de crise montada em uma empresa que eu atuei. Estávamos reunidos, trabalhando duro, à noite, revisando posicionamentos, ensaiando possíveis perguntas porque havia uma expectativa de que a empresa seria a capa da revista Veja daquele domingo. Em determinado momento, um jovem assistente foi até a portaria buscar as pizzas que chegaram. Quando ele voltou carregado, ainda da porta da sala, disse alto: “tenho uma notícia muito ruim e uma outra muito boa”. O diretor se antecipou e logo foi dizendo: “então nos dê a ruim!” Ao que o estagiário respondeu: “está desaparecido um avião que ia do Rio de Janeiro à França”. Suspiro geral, seguido de longo silêncio. E a boa? “Certamente nós não vamos estar na capa da Veja no domingo!”. Dito e feito. Fomos para uma página e meia no final da revista. Precisamos lembrar de que sempre existe o imponderável.
Foi uma conversa agradável. Fazia algum tempo que não nos encontrávamos, outra característica dos tempos atuais. Às vezes, queremos suprir a ausência física, o contato visual, publicando textão, normalmente irrelevante, com pegada de big brother ou de diário de adolescente, tão frequente que fica chato e vira “faz favor de curtir sem ler”, o velho faz de conta para o amigo ou a amiga. Mas que no fundo alimenta maldosamente um ego malcuidado. Repito: a autocrítica é fundamental! Cuidar da qualidade, da quantidade e do conteúdo do que se publica é imprescindível e deve nortear, sem excessiva interferência do ego, a expectativa que se pretende da real relevância da sua comunicação.
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