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17 de novembro de 2025

A COP até aqui – um teste de reputação

Victor Pereira
O presidente da COP 30, André Correa do Lago, conversa com indígenas da etnia Munduruku. Foto de Felipe Werneck
 
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Publicado originalmente no LinkedIn, em 16 de novembro de 2025

Do ponto de vista da comunicação corporativa, essa COP pode ser compreendida como um teste reputacional de alta pressão. A Conferência que acontece fora dos espaços do oficialato diplomático, e a que venho acompanhando até o momento, não se resume apenas a um palco de anúncios: ela funciona como um teste imediato dos compromissos e promessas das empresas, governos e instituições. São nesses espaços que o realismo dos dados, os elefantes na sala e as evidências desconfortáveis são expostas. Ganha o mundo corporativo, e também a COP, quando há espaço para se discutir o contraditório.

O que é medido em cada Casa X, Y ou Z é o poder de transcendência dos discursos de legitimação. O “salvar o mundo”, no entanto, não é mais como promessa e sim como ação. Enquanto diplomatas tentam desenhar um mapa da ação, as empresas debatem o caminho concreto, pois já caminham orientadas por seus próprios mapas.

O que é possível perceber, é que COP tem a propensão a amplificar incoerências e expor desalinhamentos. A reputação aqui caminha na linha tênue, e o ganho reputacional está no detalhe do copinho de água que está sendo servido no evento até na fala da executiva ou executivo de alta patente que está ou esteve presente.

Ainda não ficou claro se o Brasil, enquanto país sede, sairá retratado como liderança climática ou marcado por “falhas” e bronca da ONU. A pressão da sociedade civil, personificada em manifestação de indígenas Munduruku na entrada do Zona Azul, gerou imagens icônicas, como a do diplomata segurando uma criança da etnia nos braços. O imaginário está sendo construído.

A projeção externa do país cria ou limita espaço para narrativas corporativas confiáveis. Em paralelo, a COP30 em Belém torna incontornável a análise sobre a presença de vozes amazônidas e de povos originários. Não basta mencioná-los: a qualidade do protagonismo, dos espaços concedidos, conquistados e criados por esses atores, e a relação estabelecida entre todos, será observada como indicador de legitimidade. Invisibilidade, neste contexto, é percebida como greenwashing.

Outro ponto de atenção é o desempenho da comunicação pública. Quanto mais transparente, isonômica e orientada ao serviço estiver a comunicação oficial, mais previsível e estável fica o terreno para as empresas. Quando a comunicação de Estado é confundida com comunicação de governo, instala-se ruído político que contamina toda a ambiência informacional da COP.

Do lado empresarial, é essencial medir a efetividade real das ações e conteúdos produzidos. Participações formais ou eventos esvaziados perdem sentido. Importa saber se houve engajamento relevante, troca qualificada, impacto concreto e se a comunicação ajudou a traduzir compromissos para diferentes públicos.

Finalmente, nenhuma estratégia comunicacional resiste à ausência de resultados diplomáticos. O resultado será positivo se a COP avançar na agenda climática, especialmente em temas como financiamento e implementação. Em síntese, avaliar comunicação na COP é medir coerência, protagonismo, impacto e aderência ao que o mundo espera de líderes responsáveis num momento decisivo da agenda climática.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Victor Pereira

Victor Henrique Pereira é responsável pela área de Relações Institucionais na Aberje - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. Formado em Relações Públicas, é mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP), e MBA em Gestão da Comunicação (Aberje-ESEG). É membro do Grupo de Estudos de Novas Narrativas (GENN-ECA-USP).

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