Lab de Comunicação para Diversidade discute políticas efetivas de DEI no mercado brasileiro

O segundo encontro do Lab de Comunicação e Diversidade da Aberje, patrocinado pela Novo Nordisk Brasil, trouxe à sede da Aberje um debate sobre os desafios e perspectivas do mercado na construção de políticas efetivas de diversidade e inclusão (DEI). A mesa, realizada na quinta-feira (21), foi mediada por Alexandre Zaghi Lemos, editor-chefe do Meio&Mensagem, e contou com a participação de Ana Franzoti, diretora de Recursos Humanos na Unilever; Camila Cardoso, coordenadora de comunicação com a mídia e membro do grupo de afinidades étnico-racial na Novo Nordisk Brasil; e Crislaine Costa, gerente de Comunicação Corporativa da Uber Brasil.
Abrindo o debate, Alexandre Zaghi Lemos destacou que a pressão da sociedade impulsionou mudanças que refletem diretamente na forma como a diversidade é tratada, tanto internamente quanto na cobertura jornalística. No entanto, a implementação de programas de DEI ainda enfrenta obstáculos, como a falta de políticas voltadas para jovens da periferia.
“Um dos primeiros desafios foi a dificuldade em encontrar porta-vozes diversos, dada a hierarquia nas organizações. Hoje, eventos e rankings promovidos pelo Meio&Mensagem têm dado mais visibilidade ao tema”, afirmou. Ele também observou um movimento de consolidação de ESG, agora com foco ampliado para DEI.
Educação e interseccionalidade
Camila Cardoso, da Novo Nordisk Brasil, compartilhou os esforços da empresa para promover igualdade de oportunidades. Com 64% de mulheres na alta liderança, as ações incluem processos seletivos com entrevistas anônimas, vagas afirmativas e grupos de afinidade que integram DEI às estratégias de comunicação.
“DEI precisa ser um pilar estratégico. Aqui no Brasil, buscamos regionalizar as abordagens, já que nem tudo que vem da matriz, na Dinamarca, se aplica à nossa realidade. Além disso, trabalhamos para dar protagonismo a pessoas pretas em pautas gerais, não apenas em conteúdos sobre diversidade”, explicou Cardoso.
Ana Franzoti destacou a jornada da Unilever em criar uma narrativa interseccional conectada ao “Brasil real”, como explicou. Desde 2018, a empresa tem mais de 50% de mulheres na liderança e, em 2024, lançou a Escola de Marketing Antirracista, além de iniciativas para preparar pequenos influenciadores negros.
“A diversidade é uma conversa constante. É importante mostrar que essa não é apenas uma pauta corporativa, mas também política, refletindo nossa sociedade”, afirmou Franzoti.
O papel da comunicação
Crislaine Costa destacou o desafio de traduzir a diversidade para ações práticas na Uber. Com 30 milhões de viagens diárias no mundo, a empresa utiliza pesquisas e dados para criar materiais acessíveis aos motoristas parceiros.
“Precisamos de diversidade em casa para pensar em soluções reais para o Brasil. Nossas campanhas devem abordar a diversidade de forma interseccional, sempre com base em dados”, ressaltou Crislaine.
Alexandre Lemos observou que, em algumas organizações, o tema ainda depende de sorte para avançar, enquanto Camila Cardoso destacou a necessidade de estabelecer metas claras, inclusive de longo prazo. “É fundamental alinhar expectativas, pois algumas mudanças demandam tempo para serem concretizadas”, concluiu.
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