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25 de março de 2019

O que o Relatório Global de Riscos do World Economic Forum nos traz para 2019?

Rodrigo Cogo
 
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A capacidade do mundo de promover ações coletivas em face de grandes crises atingiu níveis críticos pelo agravamento das relações internacionais que impedem ações para enfrentar sérios desafios. Enquanto isso, uma perspectiva econômica sombria, em parte causada por tensões geopolíticas, parece destinada a reduzir ainda mais o potencial de cooperação internacional em 2019. Estas são as conclusões do Relatório Global de Riscos 2019 do World Economic Forum.

O material, que incorpora os resultados da Pesquisa Global de Percepção de Riscos feita com aproximadamente 1000 especialistas e tomadores de decisões, aponta para uma deterioração das condições econômicas e geopolíticas. As disputas comerciais se agravaram rapidamente em 2018 e o relatório alerta que o crescimento em 2019 será contido por contínuas tensões geoeconômicas, com 88% dos entrevistados esperando mais deterioração das regras e acordos comerciais multilaterais.

Se os ventos econômicos contrários representarem uma ameaça à cooperação internacional, os esforços serão ainda mais prejudicados em 2019 pelo aumento das tensões geopolíticas entre as grandes potências, segundo o relatório. Oitenta e cinco por cento dos entrevistados da pesquisa desse ano disseram que esperam que 2019 envolva riscos maiores de “confrontos políticos entre grandes potências”. O relatório discute os riscos associados com o que descrevemos como uma ordem mundial “multiconceitual”: em que as instabilidades geopolíticas refletem não apenas mudanças nos equilíbrios de poder, mas também nas diferenças dos valores fundamentais.

 

Na perspectiva de 10 anos da pesquisa, os riscos cibernéticos sustentaram um salto proeminente ao registrado em 2018, mas os riscos ambientais continuam a dominar as preocupações dos entrevistados no curto prazo. Todos os cinco riscos ambientais que o relatório apresenta estão novamente na categoria de alto impacto e alta probabilidade: perda da biodiversidade; eventos climáticos extremos; falha na mitigação e adaptação às mudanças climáticas; desastres provocados pelo homem; e desastres naturais.

Os riscos ambientais também apresentam problemas para a infraestrutura urbana e seu desenvolvimento. Com o aumento do nível do mar, muitas cidades enfrentam soluções extremamente caras para problemas que vão desde a extração de água subterrânea limpa até barreiras contra tempestades. A escassez de investimentos em infraestruturas críticas, como o transporte, pode levar a avarias em todo o sistema, bem como exacerbar os riscos associados – sociais, ambientais e relacionados à saúde.

Individualmente, o declínio do bem-estar psicológico e emocional é tanto uma causa quanto uma consequência dentro do panorama global de riscos, afetando, por exemplo, a coesão social e a cooperação política. O Relatório Global de Riscos 2019 se concentra explicitamente neste lado humano dos riscos globais, olhando em particular para o papel desempenhado pelas complexas transformações globais em curso: sociais, tecnológicas e relacionadas com o trabalho. Um tema comum é que o estresse psicológico relacionado a um sentimento de falta de controle diante da incerteza.

O relatório deste ano revive a série Choques Futuros, que reconhece que a crescente complexidade e interconectividade dos sistemas globais pode levar a ciclos de feedback, efeitos limiares e interrupções em cascata. Esses cenários do tipo “e se” servem de base para a reflexão, à medida que os líderes mundiais avaliam potenciais choques que podem perturbar rápida e radicalmente o mundo. Os colapsos súbitos e dramáticos deste ano incluem o uso da manipulação do clima para alimentar tensões geopolíticas, computação quântica e afetiva, e detritos espaciais.

O trabalho foi desenvolvido com o apoio da Marsh & McLennan Companies e da Zurich Insurance Group e consultores acadêmicos na Oxford Martin School, na Universidade Nacional de Singapura e no Centro de Processos de Decisão e Gerenciamento de Risco Wharton.

 

5 principais riscos por probabilidade

  1. Eventos climáticos extremos (por ex., inundações, tempestades, etc.)
  2. Falha na mitigação e adaptação às mudanças climáticas
  3. Grandes desastres naturais (por ex., terremoto, tsunami, erupção vulcânica, tempestades geomagnéticas)
  4. Incidente maciço de fraude/roubo de dados
  5. Ataques cibernéticos em grande escala

 

5 principais riscos por impacto

  1. Armas de destruição em massa
  2. Falha na mitigação e adaptação às mudanças climáticas
  3. Eventos climáticos extremos (por ex., inundações, tempestades, etc.)
  4. Crises hídricas
  5. Grandes desastres naturais (por ex., terremoto, tsunami, erupção vulcânica, tempestades geomagnéticas)

 

5 principais interconexões de risco

  1. Eventos climáticos extremos + falha na mitigação e adaptação às mudanças climáticas
  2. Ataques cibernéticos em larga escala + quebra de infraestrutura e redes de informação críticas
  3. Desemprego ou subemprego estrutural elevado + consequências adversas dos avanços tecnológicos
  4. Desemprego ou subemprego estrutural elevado + instabilidade social profunda
  5. Incidente maciço de fraude/roubo de dados + ataques cibernéticos em larga escala
  6. Falha de governança regional ou global + conflito interestadual com consequências regionais

 

5 principais tendências

  1. Mudança climática
  2. Crescente dependência cibernética
  3. Aumento da polarização das sociedades
  4. Aumento da desigualdade de renda e riqueza
  5. Aumento do sentimento nacional

 

Para mais informações, leia o relatório completo.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Rodrigo Cogo

Rodrigo Cogo é o curador do Sinapse Conteúdos de Comunicação em Rede e responsável pela distribuição digital dos canais integrantes da plataforma. Formado em Relações Públicas pela Universidade Federal de Santa Maria, é especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Mestre em Ciências da Comunicação, com estudos voltados para a Memória Empresarial e Storytelling, ambos pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (SP). Atuou na Aberje por 14 anos, passando pelas áreas de Conteúdo, Marketing e Desenvolvimento Associativo e tendo sido professor em cursos livres e in company e no MBA da entidade por 10 anos. É autor do livro "Storytelling: as narrativas da memória na estratégia da comunicação".

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