3º Encontro Aberje Paraná debate a Gestão de Crises nas empresas
04 de junho de 2020
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Rosângela Florczak, diretora do Capítulo Aberje Rio Grande do Sul, alerta para a importância de atitudes organizacionais voltadas mais à prevenção e menos à contenção de crises

O que vamos fazer com as lições da crise no pós-pandemia? Que legado vamos deixar para as próximas gerações? Para debater essas e outras questões, o Capítulo Aberje Paraná recebeu uma convidada especial em seu terceiro encontro, realizado no formato online dia 3 de junho, a mestre em Comunicação Rosângela Florczak. Na ocasião, a professora de graduação e pós-graduação da ESPM e diretora do Capítulo Aberje RS dividiu suas experiências sobre “Gestão de Crises” com representantes da Comunicação Corporativa de várias empresas do país.

Rosângela Florczak. diretora do Capítulo RS

Ao abrir os trabalhos, a diretora do Capítulo Aberje Paraná, Carmem Murara, comentou que o tema escolhido é propício neste que seria um segundo momento da pandemia, ou seja, como fazer o gerenciamento de tudo isso e promover um amadurecimento forçado da área e do tema dentro das organizações.

Carmem Murara, diretora do Capítulo PR
Ao iniciar sua apresentação, Rosângela trouxe uma frase de Bauman, dita em 2016: “Nós temos que nos acostumar com a crise. Pois a crise está aqui para ficar”, repetiu, explicando que uma crise precisa ser mais do que um tempo de sofrimento para organização. “Ela deve gerar aprendizados. As novas gerações são muito mais exigentes com as marcas, com as empresas, tanto no lugar de trabalhadores dessas empresas como de consumidores ou de cidadãos que opinam sobre aquela marca”, ressaltou. “O diálogo, às vezes, tem um sentido de ser atendido nas suas demandas, nessas novas gerações, daí a necessidade de se revisitar conceitos”, complementou.
A professora explicou que uma crise segue uma certa dinâmica e que apresenta algumas características: ao chegar de surpresa, traz consigo uma ampla difusão de informações de todos os lados que se transformam em rumores; seu ritmo e evolução acelerada colocam a mídia no centro da arena e estremece o clima organizacional. “A crise requer uma tomada de decisão rápida, mas muitas organizações apenas apagam o incêndio. Definitivamente, temos que aprender a pensar nas crises antes que elas aconteçam. Não é possível atuar só na contenção. Não há gestão que dê conta se não comunicar bem, de forma consistente, de forma a ser compreendida para sustentar a decisão”, frisou.
Mas o Sistema de Gestão de Riscos vem tomando corpo nas organizações nos últimos tempos. Ao demonstrá-la em uma linha do tempo (veja a ilustração), Rosângela evidenciou que, há alguns anos, o foco na comunicação acontecia após o evento críticos; com a chegada das redes sociais, a forma de se comunicar nos momentos difíceis mudou. Há dez anos, veio a virada: manuais e notas de esclarecimento não são mais suficientes e o foco se volta na força da reputação. “Temos muitas coisas para fazer antes e depois da crise, pois ela não acaba quando zera o contágio, pois as empresas têm que gerenciar as consequências dessa crise. É preciso sistematizar o que aprendemos e recuperar nossa imagem e reputação após esses acontecimentos”, frisou.

De 2015 para cá, vem ganhando espaço a visão que integra novos processos e se conecta com diferentes áreas da empresa. “A comunicação assume um lugar relevante na promoção de uma cultura do cuidado e está presente antes, durante e depois dos eventos críticos que escapam do planejamento das organizações”, acentuou. “É preciso exercitar uma visão processual das crises integrando gestão e comunicação olhando para todos os momentos que envolvem o processo de gestão de crise, que não é gerenciamento a contenção”, defendeu, acrescentando que o maior desafio para os profissionais de comunicação é aprender a comunicação do risco, a preventiva. “Se ficarmos apenas apagando incêndios, vamos nos desgastar muito e gerar pouco aprendizado para a organização”, alertou. 

 
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