Relações institucionais e sustentabilidade marcam as discussões da Arena de Comunicação em São Paulo

Por João Pedro Malar Massa e Mariana Cotrim | Jornalismo Júnior

Não basta mais a uma empresa apenas a busca pelo lucro. Para sua sobrevivência, é essencial que ela tenha um propósito ligado à marca, buscando se relacionar com a comunidade de forma sustentável e socialmente responsável. No dia 31 de julho, aconteceu o segundo encontro da série Arenas Aberje de Comunicação, que teve como tema “Relações Institucionais e Sustentabilidade nos Negócios”, a fim de levantar essa discussão, a partir de exemplos práticos relatados pelos cinco palestrantes presentes.
Sediado no Itaú Cultural, o evento teve a mediação de Sonia Favaretto, diretora de Imprensa, Sustentabilidade, Comunicação e Investimento Social da B3 e contou com a presença de Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis; Marcos Mesquita, diretor de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da AES Eletropaulo; Marina Mattar, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim); Renata Polatti, chefe de Relações Institucionais na Coca-Cola e Yuri Feres, presidente da Fundação Cargill.
Eunice começou questionando a razão de a sustentabilidade estar “tão na moda”. Em seu entendimento, o motivo passa pelo “ganho compartilhado” – da empresa e da sociedade. Para isso, a sustentabilidade deve estar ligada às estratégias de negócios. Na Novelis, segundo a executiva, o carro-chefe é a questão da reciclagem. Além disso, uma pauta constante da empresa é a busca pela diversidade em sua equipe. Nesse ponto, a Comunicação tem um olhar cuidadoso para que todos os grupos sejam representados.
No caso da Eletropaulo, como a energia elétrica está virtualmente em todos os lugares, é importante que se mantenha uma presença constante e uma boa relação com a sociedade. E, segundo Marcos, essa presença é necessária para que a companhia tenha uma visão de futuro. Um exemplo é como a empresa se aproxima e se envolve nas comunidades, com projetos desenvolvidos junto às escolas, que visam conscientizar as crianças sobre temas como economia de energia. Assim, o trabalho da comunicação torna-se importante para a construção da imagem da Eletropaulo, para que a marca seja lembrada não apenas quando há falhas na operação. Por isso é importante consolidar as melhorias da empresa com as demandas da sociedade.
Marina, da Abiquim, abordou a questão da má reputação que as pessoas muitas vezes têm em relação a produtos químicos. Nesse cenário, é importante que empresas desse setor atuem com responsabilidade e que tenham interesse genuíno em se relacionar com a sociedade, além do constante desenvolvimento de produtos mais eficientes e sustentáveis – evolução esta diretamente ligada à competitividade das empresas no mercado. A executiva afirma que a Abiquim está atenta com as causas ambientais e sociais, no que diz respeito a como apoiar o desenvolvimento dos países em que empresas se instalam, e à participação de projetos que discutem questões ambientais.
Renata, da Coca-Cola, também coloca a importância do diálogo junto às comunidades. Se antes as empresas podiam olhar apenas para si mesmas, enclausuradas em suas questões de produção e resultados financeiros, hoje elas precisam abrir o diálogo com a sociedade e garantir uma boa relação com as comunidades no entorno. É isso que garante sua perenidade. Assim, o trabalho de Relações Institucionais necessita de uma estratégia composta por comunicação transparente, diálogo com a população e ações de responsabilidade social.
Yuri Feres, da Cargill, ressaltou que a sustentabilidade deixou de ser “algo decorativo”, e passou a ser parte da estratégia das companhias. A área de comunicação institucional trabalha então com a proteção da marca e a geração de valor – para a empresa e para a comunidade. “No fundo, eles [membros da comunidade local] nos ajudam a operar melhor”, afirma.
Durante o evento também se discutiu a necessidade na área de Relações Institucionais de garantir o apoio e diálogo das lideranças das empresas. No caso de políticas de sustentabilidade, por exemplo, é importante mostrar os riscos e as consequências da falta delas. Ao mesmo tempo, em um mundo que exige uma reinvenção das companhias e da comunicação, é necessário que as lideranças também mudem e se adequem. Por fim, em relação à imprensa, a credibilidade de uma organização depende que seus profissionais sejam acessíveis, tendo sensibilidade na hora de se comunicar.
As Arenas Aberje de Comunicação fazem parte do projeto de Aberje 50 Anos, que tem patrocínio master da Petrobras, patrocínios da Bayer, Itaú e McDonald’s, parceria estratégica da Votorantim Cimentos, e apoio da GM, LATAM Airlines e Rhodia.
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