Comunicação e Governança em debate: o desafio de unir discurso e prática

Narrativa, reputação e responsabilidade corporativa: como alinhar esses elementos em uma era em que a transparência deixou de ser uma escolha e se tornou uma exigência? Foi a partir dessa provocação que a Aberje promoveu, na última semana (03), em sua sede em São Paulo, o evento “Comunicação e Governança: O desafio da transparência nas organizações”. A iniciativa marcou o lançamento do livro “Comunicação e Governança: Parecer e Ser na Era da Transparência”, de Vânia Bueno, consultora de Comunicação e professora da Escola Aberje, publicado pela Editora Aberje.

Ao abrir o encontro, o diretor-executivo da Aberje, Hamilton dos Santos, destacou a relevância da obra no atual contexto corporativo, classificando-a como um guia para fomentar debates e reflexões em torno de uma questão cada vez mais estratégica para as empresas. “É difícil comunicar sistemas de governança e fazer com que a comunicação esteja no cerne desses sistemas”, pontuou.
Comunicação como ativo estratégico da governança
Com participação de lideranças da comunicação e da governança corporativa, a roda de conversa reuniu, além da autora, Valéria Café, diretora geral do IBGC; Moacir Salzstein, diretor de Governança Corporativa da Natura &Co Holding; Malu Weber, vice-presidente de Comunicação do Grupo Bayer e presidente do Conselho Deliberativo da Aberje; e Pâmela Vaiano, diretora de Comunicação Corporativa do Itaú Unibanco.

Logo na abertura, Vânia Bueno sintetizou o espírito do encontro com uma frase que resume a interdependência entre os dois campos: “Comunicação sem governança é inconsequente. Governança sem comunicação é inócua”. Vânia reforçou que o livro não trata de receitas prontas, mas propõe uma discussão sobre os motivos e o valor de integrar comunicação e governança. “Vivemos um tempo de excesso de informação e carência de significado”, afirmou. Para ela, a comunicação deve ser vista como um eixo estruturante da governança. “Governança é sobre fazer e cumprir acordos. E sem comunicação, não há como garantir isso.”
Na mesma linha, Valéria Café ressaltou que “governança não existe sem ética e integridade”, pilares sustentados por relações de confiança, o que evidencia o papel essencial da comunicação nesse processo. Malu Weber acrescentou que a governança precisa ser um farol para as organizações, enquanto a comunicação sustenta o modo como elas são percebidas: “Governança orienta o ‘somos’; comunicação sustenta o ‘parecer’. As pessoas sempre estão vendo, estamos sempre sendo avaliados”.
Os participantes compartilharam suas experiências sobre a complexidade de comunicar em setores altamente regulados, como o financeiro e o farmacêutico. “Nosso papel é muito mais sobre aproximar as pessoas e criar ciclos virtuosos”, afirmou Pâmela Vaiano, destacando que a regulação deve ser vista como aliada da cidadania corporativa – que traduz que há direitos e deveres.

Moacir Salzstein alertou que a comunicação inadequada pode prejudicar os sistemas de governança, especialmente quando o público interno não é devidamente valorizado ou informado. Nesse sentido, os participantes concordaram que o conhecimento das estruturas internas – como códigos de ética e propósitos organizacionais – ainda é limitado em muitos setores e que é preciso envolver a comunicação desde o começo da formulação da estratégia corporativa.
O evento também trouxe provocações sobre o papel dos comunicadores e dos agentes de governança. Para Valéria Café, o comunicador precisa ser estratégico, dominar os dados e compreender o negócio. “A liderança precisa entender de comunicação, e o comunicador precisa entender da organização”. Malu Weber defendeu que as lideranças locais devem atuar como comunicadores e que a comunicação é um diferencial competitivo. “Nosso papel vai muito além de fazer newsletter”.
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