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10 de fevereiro de 2026

Educação, comunicação, Bernardinho e como tudo transforma

Carlos Parente
Foto: Ivan Aleksic/Unsplash
 
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Duas coincidências, que na verdade são três ou quatro e no fim não são coincidências. 

Neste mês de fevereiro, começou o ano letivo nas escolas públicas do estado de São Paulo, sendo que 100 delas, distribuídas por 89 municípios, foram transformadas em escolas cívico-militares. Em um vídeo que se alastrou pelas redes sociais, um tenente reformado da Polícia Militar que atua como monitor em uma escola ensina os alunos a “prestarem continência”, enquanto outro instrutor anota três palavras no quadro, duas delas com gritantes erros de ortografia. 

Seria engraçado se não fosse trágico. Não trago aqui nenhuma conotação político-partidária, longe disso, ainda mais no nosso mundinho tão polarizado, mas tratar a educação básica, fundamental, com esse descaso pode nos custar muito, muito caro, em curto e médio prazos. Policiais não são professores de jovens. Ponto. A escola é espaço de pensamento crítico, de debates, não de obediência, continência, sentido! Enfim, tema complexo…

E dentro desse tema de educação, aprendizagem, formação, transformação e estudo, curiosamente sonhei com Bernardinho. Bernardo Rocha de Rezende (1959), ex-jogador de voleibol, treinador, economista pela PUC Rio, empresário e palestrante. Atualmente, atua como treinador do Sesc-Flamengo e da Seleção Brasileira de Voleibol Masculina. É um dos maiores campeões da história do vôlei, acumulando mais de 30 títulos importantes até aqui, em sua vitoriosa carreira como jogador e treinador das seleções brasileiras feminina e masculina. É autor de dois livros: “Bernardinho – Cartas a um Jovem Atleta – Determinação e Talento: O Caminho da Vitória” e o best-seller “Transformando Suor em Ouro”. No sonho, remontei a 1992, quando eu era trainee do Banco Nacional e assisti, na Avenida Presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, à primeira palestra do Bernardinho. Ele estava visivelmente muito nervoso, agarrado à mesa, certamente pensando “o que eu estou fazendo aqui!”. 

No dia seguinte a esse sonho, eu fui a um almoço com um cliente, no Shopping JK, em São Paulo. Enquanto esperava dei de cara com Bernardinho (uma verdadeira sincronicidade junguiana!). Não me contive e fui falar com ele. Conversamos sobre esse início dele como palestrante, há longínquos 34 anos, e ele sorriu, confirmando que foi sua primeira palestra mesmo. Me contou ainda o quanto estudou e se preparou depois, e ao longo dos anos, para se aperfeiçoar na arte de proferir palestras, o que se tornou mais uma atividade profissional dele, em média oito por mês. 

Inspirado em um famoso treinador de basquete universitário norte-americano, que criou um modelo de gestão, Bernardinho também desenvolveu o seu, que chamou de “Roda da Excelência”, um modelo de administração e motivação que é estudado por empresas e líderes, e cujo núcleo está na ideia de que “o talento é apenas o ponto de partida, mas é o esforço que garante a permanência no topo”. Aborda, também, valores como trabalho em equipe, liderança, motivação, perseverança e outros conceitos comuns a manuais de recursos humanos como o caminho do sucesso e da motivação. Uma abordagem em que vale a pena se aprofundar.

O fato primordial aqui é: ninguém nasce sabendo!

Você não passa diante de uma faculdade, entra numa sala, diz boa noite e começa a dar aula. O policial não desce da viatura e vai ensinar adolescentes na escola. Não importa o quanto você saiba, tenha conhecimento, didática e metodologia. Eu sou professor universitário há 28 anos, mas antes, e ainda hoje, trilho um caminho de preparação contínua. Definitivamente não nasci sabendo, muito pelo contrário, era até extremamente tímido, mas aprendi e aprendo por meio de cursos, especializações, teatro, leituras, interações e estudos de oratória, expressão verbal e didática (que vem do grego didaktiké, que significa “a arte ou a técnica de ensinar”). É mais ou menos um permanente jogo de sedução e encantamento da inteligência e da curiosidade. Uma dança do saber. E ainda assim, volta e meia tomo uma bola 7 numa avaliação. Ora por não ter aberto espaço suficiente para o debate, ora por não ter me aprofundado num determinado tema ou mesmo por ter “atropelado” um assunto pela pressa de cumprir a programação. É um eterno aprendizado!

Ou seja, se você quer, você pode! E por favor, não ache que essa frase foi extraída de um livro de autoajuda. Não é fácil, mas você vai encontrar um meio de fazer. Só não espere cair do céu. Faça a sua parte, com disciplina. Veja e se inspire no exemplo de Bernardinho, no que ele se transformou.

Há uma grande diferença no que se entrega em uma palestra e em uma aula. A matéria-prima da palestra é a informação, que tem seu modo de ser transmitida, a fim de cativar a audiência durante aquele curto período determinado. Já uma aula tem como matéria-prima a educação, cuja natureza é bastante sofisticada na maneira e na técnica de ser transmitida para a audiência, conforme suas características e especificidades. Tem o compromisso com uma verdadeira transformação do aluno. Acredito que Bernardinho integra com competência essas duas qualidades, ao educar e transformar seus times, plateias e leitores.

Somos profissionais da comunicação, vivemos disso e por isso, não paramos de evoluir, buscamos saber, aprender, transformar, fazer mais e melhor, para nossa própria satisfação e para o bem dos nossos objetivos profissionais. É uma missão e ao mesmo tempo um grande legado!

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Carlos Parente

Graduado em Administração de Empresas pela UFBA, com MBA em Marketing pela FEA USP, possui um sólido histórico de experiência em Relações Institucionais & Governamentais, Comunicação Corporativa e Advocacy, com participações e lideranças em processos de comunicação estratégica, inclusive internacionais. Carlos Parente é sócio-diretor da Midfield Consulting.

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