Como uma “indústria tradicional” pode inovar no SXSW

Publicado originalmente no Meio e Mensagem, em 20/03
O SXSW é conhecido como um dos maiores eventos de inovação e tendências do mundo, onde profissionais e empresas de tecnologia, mídia e de bens de consumo se encontram anualmente para debater o futuro do comportamento humano e as tecnologias que devem moldá-lo.
O que talvez poucos participantes esperam é encontrar no SXSW uma indústria de base, produtora de aço, patrocinando e levando conteúdo. Essa foi a minha primeira participação no SXSW e saio de lá com algumas reflexões baseadas na minha experiência e na experiência da Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, com forte presença nos Estado Unidos, que também debutou no festival.
Um ponto que me chamou a atenção é que se fala muito de futuro, de tendências, de tecnologias, mas aborda-se ainda pouco do presente e dos desafios que ele apresenta para chegarmos ao futuro. Foi com essa intenção que decidimos levar um painel sobre os desafios da habitação para populações em vulnerabilidade social para o SXSW. Confesso que não sabíamos o quão atrativo o nosso painel seria, pois quem vai ao evento quer mais embarcar no mundo tech do que no mundo “real”. Levamos o nosso líder de responsabilidade social, Paulo Boneff, o brilhante Edu Lyra, da Gerando Falcões, o Jorge Melguizo, de Medellín (Colômbia), para debaterem num painel com a mediação da jornalista Christiane Pelajo para o que chamo de inovar num festival de inovação. Se aventurar a falar de presente e não de futuro. Mas como disse muito bem o Edu Lyra, ninguém sonha com o futuro, sem ter dignidade no presente. E ele ainda complementou de forma brilhante: “Enquanto Elon Musk está na corrida espacial, eu estou na corrida social”.
O painel foi um sucesso de público, com pessoas em pé do lado de fora, e de repercussão, na imprensa e nas mídias sociais, mostrando que há sim espaço em Austin para discutir soluções aos problemas e dilemas da sociedade, além da onda “tech”.
E trago aqui, uma segunda reflexão, que compartilho que com as empresas e profissionais brasileiros que anualmente invadem Austin, é que precisamos mudar de patamar a participação do Brasil por lá. Precisamos passar de grandes visitantes para grandes protagonistas. Deu orgulho de ver o Itaú, um banco brasileiro, como patrocinador master, de ver o CEO do Hospital Albert Einstein em um painel e de ver soluções para as favelas brasileiras lotarem um auditório. Mas vejo que ainda temos muito espaço e oportunidades para fazer do Brasil também um dos protagonistas não só na plateia, mas nos palcos de Austin.
E mais uma dica para quem quiser levar conteúdo: levem aquilo que está ligado ao propósito de suas organizações e não o que julguem com mais cool e tecnológico. No fim, inovar, é mudar o status quo, algo que humildemente acreditamos que fizemos, ao levar um tema diferente do usual na capital do Texas.
Por fim, andando pelas ruas de Austin, no restaurante de um dos principais hotéis que receberam o evento, nos deparamos com um pilar de aço escrito Gerdau. Sim, deu orgulho ver também o aço como fundação para uma cidade que está se tornando a capital das reflexões humanas, mostrando que o aço também é POP.
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