A comunicação não busca só uma curtida, mas sim ser relevante

Quanto vale uma curtida? Num mundo em que as pessoas buscam curtidas (ou “likes”) porque isso ativa centros de recompensa no cérebro, proporcionando uma sensação de prazer e validação social que reforça a autoestima, parece que vale muito! Mas é isso mesmo?
As redes sociais bagunçaram as coisas na nossa cabeça (para o bem e para o mal!), mexeram com a noção de realidade e, às vezes, parecemos um pouco perdidos. Por exemplo, é incrível como passamos a acreditar que 15 curtidas em uma publicação nossa nas redes sociais não são o bastante… Imagine 15 pessoas elogiando você na vida real!
E aí lutamos por mais curtidas (ou por outras curtidas, em outros posts ou publicações), que são muito desejadas, aguardadas, medidas e determinam no nosso íntimo mais ou menos felicidade. Vivemos expostos, num ritmo de vida frenético, às vezes com ansiedade…eu estava nessa reflexão íntima e, de repente, como para anunciar uma epifania, sai do alto-falante, enchendo a sala:
“As coisas não precisam de você
Quem disse que eu
Tinha que precisar”
(Trecho da canção “Virgem”, de 1987, gravada por Marina Lima, letra do genial poeta, compositor e crítico literário, além de seu irmão, Antonio Cicero Correia Lima.)
Pois é! Temos aplicado demasiada energia para obter retorno de ações de comunicação pessoal, e também profissional, provavelmente alimentados por uma angústia excitada por algoritmos, uma super autovalorização, com muitos autoenganos, enfim…aspectos que merecem uma profunda reflexão e exame de onde se está, aonde se quer chegar e o que fazer para trilhar o melhor caminho.
Será que debruçar-se diariamente nas redes, exibindo ecletismos e opiniões mil sobre tudo e todos, em busca de um luminoso para parar embaixo, pode nos fazer melhores? Ou pode ter o efeito contrário, nos fazer perder relevância, nos tornar banais e rasos ou, se preferir, chatos? Lembro-me de Cazuza, em “O tempo não para”, de 1988: “Sem pódio de chegada ou beijo de namorada.”
A comunicação precisa ser trabalhada com repertório, consciência e equilíbrio, de maneira a construir racionalmente o espaço de fala, o local e o tempo corretos nos quais se tenha a possibilidade de apresentar os diferenciais, a relevância, a razão de ser daquilo que se quer comunicar, neste mundo cacofônico, perdido em ruídos, vozes, escritas e imagens. Comunicar adequada e eficientemente é cada dia um desafio maior, porque a profusão de gente e marcas falando tudo ao mesmo tempo todo o tempo, sem intervalo, tem banalizado a importância de quem diz e o que é dito.
Avançamos para dentro do século 21 experimentando transformações importantes nas nossas vidas, no nosso modo de consumir, de nos comunicar, de trabalhar. Temos grandes desafios pela frente no mundo moderno, em relação ao clima, à Inteligência Artificial, às novas formas de trabalho, às relações entre as pessoas, entre outras questões. Esses desafios nos obrigarão a deixar de lado a falação supérflua, o tal influencer tolo, para dedicar mais tempo e atenção ao que realmente interessa e faz a diferença.
Voltando em Marina Lima. Em 1991, ela lançou, do músico e compositor Arnaldo José Lima Santos (o “Alvin L”), a canção “Não sei dançar”, que guarda uma derradeira verdade:
“E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar”.
Nem tudo é engajamento nas redes sociais! Nem tudo são curtidas… Comunicar coerentemente o que precisa ser comunicado é necessário. Medir ações comunicacionais somente por métricas como curtidas, compartilhamentos e comentários tem o seu valor, mas não é só isso. A mensagem tem de se fazer compreendida e ter relevância para quem a recebe. A finalidade da comunicação é transmitir sentido e promover entendimento, não apenas conquistar visibilidade. Em outras palavras, o “brilho” do engajamento não substitui a clareza e a integridade da mensagem. Uma mensagem pode ter alto alcance e grande impulsionamento, mas se for incoerente, enganosa, fútil ou irrelevante, quem perde credibilidade é você. Pense nisso!
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