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13 de março de 2026

Confiança se torna mais localizada e reforça o papel da reputação corporativa, aponta Edelman Trust Barometer 2026

Diagnóstico dialoga com tema escolhido pela Aberje para orientar debates e atividades ao longo do ano, “O Valor da Reputação”
Redação Portal Aberje
 
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A retração da confiança em instituições amplas e o fortalecimento de relações mais próximas e localizadas estão entre as principais conclusões do Edelman Trust Barometer 2026, estudo produzido pela agência associada Edelman. O diagnóstico dialoga com o tema escolhido pela Aberje para orientar seus debates e atividades ao longo do ano, “O Valor da Reputação”. Em um cenário marcado pela fragmentação social e pela multiplicação de fontes de informação, a reputação ganha peso como elemento estruturante da confiança. Para as organizações, ela se torna um recurso para sustentar credibilidade, reduzir incertezas e fortalecer vínculos consistentes com seus diferentes públicos ao longo do tempo.

Segundo o relatório, o traço distintivo do cenário atual não é apenas a polarização, mas um processo mais profundo de retração da confiança para círculos sociais mais próximos e homogêneos. O estudo identifica que 70% da população global demonstra hesitação ou indisposição para confiar em pessoas que consideram diferentes em valores, fontes de informação ou visões sobre problemas sociais. Esse movimento é descrito como um padrão de “confiança em meio à insularidade”, no qual vínculos pessoais e locais passam a pesar mais do que instituições amplas ou mediadores tradicionais. 

Outro ponto destacado pelo levantamento é a desigualdade crescente na distribuição da confiança. A diferença entre os quartis de renda mais altos e mais baixos no índice global de confiança chegou a 15 pontos em 2026, ampliando uma distância que cresceu ao longo da década anterior (começando em 6 pontos em 2012, subindo para 14 pontos em 2016, chegando a 16 pontos em 2022). O estudo interpreta esse resultado como sinal de que grupos sociais distintos passam a experimentar realidades institucionais muito diferentes. 

Os dados indicam ainda que, no conjunto das instituições analisadas, apenas duas permanecem na chamada zona de confiança global: o próprio empregador e o setor empresarial. Globalmente, 78% dizem confiar em seu empregador e 64% em empresas para “fazer o que é certo”, índices superiores aos registrados para ONGs, meios de comunicação e governo.

“Os dados reforçam algo que a confiança hoje se constrói cada vez mais na proximidade. Quando o estudo mostra níveis mais altos de confiança em figuras como o próprio empregador ou o ‘my CEO’, ele evidencia que liderança e reputação se entrelaçam”, afirma Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje. “A credibilidade da organização passa, em grande medida, pela capacidade de suas lideranças de estabelecer relações diretas, transparentes e consistentes com seus públicos. O líder deixa de ser apenas um gestor de processos e passa a atuar como um mediador de expectativas e diferenças. É nesse ponto que reputação, confiança e liderança convergem como elementos centrais para a sustentabilidade das organizações”, conclui Hamilton

Reputação e mediação

Para Leonardo Müller, economista-chefe da Aberje, o cenário descrito pelo estudo reforça a centralidade da reputação no ambiente contemporâneo de negócios. “O relatório mostra que a confiança mudou de lugar, concentrando-se em relações mais diretas e concretas. Nesse contexto, reputação se torna um ativo ainda mais relevante porque permite que organizações estabeleçam vínculos de credibilidade mesmo em ambientes de maior fragmentação social”, afirma.

Além disso, o relatório identifica impactos desse contexto nas próprias dinâmicas organizacionais. Entre empregados, 34% afirmam que se empenhariam menos para ajudar um líder de projeto com crenças políticas diferentes das suas, enquanto 42% prefeririam mudar de departamento a trabalhar sob a liderança de alguém com valores divergentes. Esses indicadores apontam riscos para cooperação, liderança e produtividade nas empresas.

Na avaliação de Leonardo, esse cenário amplia as expectativas sobre o papel das empresas na construção de ambientes de confiança. “As organizações passam a ser chamadas não apenas a comunicar suas posições, mas a atuar como mediadoras de diferenças, criando condições para cooperação e diálogo. É nesse ponto que reputação e comunicação estratégica se encontram”, diz.

O estudo também sugere caminhos para enfrentar esse quadro. Entre as ações mais valorizadas pelo público está a capacidade das empresas de incentivar a cooperação na busca por soluções para temas divisivos, sem necessariamente se alinhar a um dos lados do debate. A estratégia, chamada de “trust brokering”, enfatiza a construção de pontes entre grupos com visões distintas e a criação de espaços de colaboração. “Em um ambiente de maior fragmentação social, a liderança próxima ganha ainda mais relevância. A forma como líderes se comunicam, escutam e tomam decisões no cotidiano das organizações tem impacto direto na percepção de confiança”, reforça Hamilton.

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