Tendências da Comunicação Interna 2026 destaca o papel da IA, influenciadores e liderança

A Aberje e a Ação Integrada apresentaram os resultados da 10ª edição da pesquisa “Tendências da Comunicação Interna 2026” em uma live na última segunda-feira (09). O estudo deste ano revela um mercado marcado pela adoção da Inteligência Artificial (IA) para a segmentação de mensagens, a consolidação de programas de influenciadores internos e a busca por uma proximidade real da alta liderança com as bases operacionais. O debate, que reuniu especialistas e gestoras de grandes organizações, enfatizou que, embora a tecnologia impulsione a produtividade, o futuro da área está diretamente ligado à capacidade do comunicador de atuar como um “arquiteto de conversas” e guardião da cultura organizacional.
Na abertura da live, realizada no canal da Aberje no Youtube, Adevani Rotter, fundadora e presidente da agência Ação Integrada, analisou o relatório da pesquisa e algumas das principais tendências apontadas pelo levantamento. Um dos pontos centrais do debate foi o impacto da IA, já utilizada por 73% das empresas respondentes. No entanto, o levantamento revelou uma divisão de percepções: enquanto 44% dos profissionais acreditam que a tecnologia terá papel central, outros 44% crêem que ela pode perder relevância estratégica se ficar restrita à execução.
Para Pamela Muramatsu, supervisora de Comunicação na AMAGGI, a IA é fundamental para superar o desafio de falar com públicos diversos em operações complexas. “Queremos aprofundar mais no uso da IA principalmente para fazer a segmentação de mensagens, que é um desafio muito grande que a gente tem aqui porque é um público diverso”, afirmou. Ela ressaltou que a ferramenta não substitui o olhar crítico: “A inteligência do dado, a leitura do dado é do profissional. Ela é só mais uma ferramenta útil no nosso dia a dia do trabalho”.
Carla Sanches, gerente de Comunicação Integrada na Ajinomoto do Brasil, compartilhou que a companhia já testa uma IA própria para garantir a segurança dos dados. “A gente usa a inteligência artificial para geração de insights, para a produção de vídeos, para aumentar a produtividade e pensando também em acessibilidade”, explicou.
Influenciadores internos: a rede como canal de credibilidade
A pesquisa apontou um crescimento no tempo investido pelos comunicadores em programas de influenciadores e agentes de comunicação, que saltou de 1% para 3% em um ano. O debate mostrou que essa é uma estratégia eficaz para humanizar o discurso institucional e alcançar capilaridade.
Na Ajinomoto, o programa Ajinfluencers, organizado com o apoio do time jurídico e do RH, conta com 13 embaixadores de diversas unidades, que se inscreveram junto com outros interessados e passaram por uma seleção. Carla Sanches destacou que a iniciativa nasceu para reduzir o gap entre a percepção interna e externa da marca. “Nossos colaboradores são uma potência e por isso a gente decidiu investir nessa frente”, explicou. Ela lembrou que a produção e divulgação de conteúdo são feitas dentro das horas de trabalho normais.
Já a AMAGGI aposta nos Vagalumes, colaboradores operacionais que atuam como multiplicadores. “A ideia é que esses colaboradores estejam espalhados nas nossas unidades operacionais. Eles não são profissionais de comunicação, eles são profissionais que estão no dia a dia das operações”, pontuou Pamela Muramatsu. Segundo ela, o programa aproveita o alto índice de orgulho e pertencimento para engajar as equipes de forma autêntica.
Liderança e reputação
Apesar dos avanços tecnológicos, o engajamento da liderança permanece como o principal desafio para 59% dos profissionais de CI. O debate reforçou que a comunicação direta entre líderes e liderados é insubstituível para a consolidação da cultura.
Carla detalhou o programa “InterAji com Naoko-san”, que promove encontros da CEO da Ajinomoto com pequenos grupos de colaboradores de todos os níveis. “A proximidade com a alta liderança é uma ferramenta poderosíssima para a disseminação da cultura. A reputação começa em casa”, defendeu a gerente.
Adevani Rotter reforçou que a comunicação deve ser vista como uma competência essencial da liderança. “Comunicação diferencia um gestor de um líder”, afirmou, provocando os profissionais a dedicarem mais tempo ao suporte dos gestores em vez de apenas focar na gestão de canais.
O encontro ressaltou a necessidade de um profissional de Comunicação Interna mais analítico e menos focado em tarefas operacionais, as quais já podem ser absorvidas pela IA. “O profissional de comunicação tem que ser menos tarefeiro”, defendeu Pamela.
Para Adevani, o setor vive uma transição definitiva para a Comunicação 4.0, focada em dados e na arquitetura de vínculos humanos. “O futuro da área não é sobre falar mais. É falar com quem importa de forma autêntica via líderes e influenciadores”, concluiu.
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