Quando os algoritmos decidem quem merece ser lembrado

Com a ascensão das IAs generativas, a visibilidade das marcas deixa de depender apenas de cliques e passa a exigir credibilidade, autoridade e estratégias integradas entre SEO e PR.
A ascensão das IAs (inteligências artificiais) generativas não é apenas uma mudança de paradigma; ela redefine radicalmente a visibilidade das marcas. De fato, ir além da métrica de cliques, focando em credibilidade, autoridade e na sinergia entre SEO (otimização para mecanismos de busca) e PR (relações públicas), não é apenas uma boa prática, mas uma necessidade imperativa para o sucesso online. O que antes era um pilar, agora é o único alicerce verdadeiramente sólido no contexto atual das buscas.
Mas não foi sempre assim? Você até pode argumentar que ser citado em um grande veículo é um fator de autoridade de marca desde que o Google é o Google. Mas perceba que há um rearranjo profundo da relação entre reputação e visibilidade!
Para se ter uma ideia dessa mudança: todas as dez primeiras posições nos resultados de buscas tiveram uma queda na taxa de cliques em 2025 (comparadas com 2024), segundo um estudo da seoClarity. Para entender melhor, supondo que você aparecesse na terceira posição nos resultados de busca do Google em 2024, 5 de cada 100 pessoas clicariam no seu link. Em 2025 esse número caiu para 2,47% (menos de 3 pessoas em 100).
Nesse cenário, o SEO (tradicionalmente ligado a fatores técnicos, palavras-chave e arquitetura de sites) passa por uma transformação conceitual. As estratégias clássicas continuam importantes, mas já não são suficientes. Agora, o que está em jogo é a credibilidade da fonte. Uma menção em veículo respeitado, uma citação em relatório de referência ou uma presença consistente em portais de autoridade não valem apenas pelo prestígio editorial, mas porque alimentam os algoritmos que determinam quem será visto nas páginas de busca e nas respostas das IAs generativas.
PR sempre foi importante. Acontece que agora é ainda mais!
Quer ver só outro dado que comprova isso? Um estudo recente da NP Digital (2025), que analisou mais de 500 mil respostas do ChatGPT, mostrou que as fontes mais citadas pela IA são Wikipedia (20%), blogs (19%) e portais de notícias (17%). Se somarmos ainda os 10% de notícias mainstream (ou tier 1), podemos afirmar que 27% das fontes citadas pelo ChatGPT são de veículos jornalísticos.
Esse novo campo ganhou o nome de GEO (Generative Engine Optimization). A lógica é simples, embora seus desdobramentos sejam complexos: quanto mais avançadas as máquinas, mais dependentes elas se tornam da legitimidade humana para filtrar o que é confiável.
Não é por acaso que o Google, desde 2018, passou a incorporar o conceito de E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness, Trustworthiness) como critério de avaliação de conteúdo. E as IAs generativas seguem caminho semelhante, priorizando fontes estruturadas, claras e confiáveis na hora de formular suas respostas.
O resultado é um paradoxo curioso: nunca produzimos tanto conteúdo, mas nunca dependemos tanto de sinais de credibilidade para decidir o que importa.
Para empresas e organizações, ignorar esse movimento é arriscado. Uma estratégia limitada a SEO técnico pode até gerar tráfego, mas dificilmente garantirá presença nas respostas sintéticas de um ChatGPT ou na seleção editorial de um Google News. Por outro lado, investir apenas em PR sem integrar dados e otimização digital reduz o alcance e a mensurabilidade dos esforços.
Em última análise, trata-se de compreender que estar visível não é mais suficiente. É preciso ser confiável, relevante e reconhecível em múltiplos contextos digitais. As marcas que conseguirem unir técnica (SEO) e reputação (PR) terão mais chances de não apenas serem encontradas, mas de se tornarem parte do que será lembrado.
Porque, no fim, a busca sempre foi sobre memória: das pessoas, das máquinas, das marcas. E a disputa por esse espaço acaba de ficar muito mais complexa.
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