Lab de Comunicação para o Agronegócio debate sustentabilidade como diferencial competitivo no setor publicado em: 15/07/2020

Promovido pela Aberje e com patrocínio da Amaggi, Lab reuniu profissionais do setor e especialistas 

Por Aurora Ayres

Nas últimas semanas, empresários de diferentes setores e investidores têm demonstrado preocupação com o meio ambiente, pedindo abertamente o empenho do governo em uma agenda mais sustentável frente à atual conduta como estratégia de melhorar o cenário econômico pós-pandemia. Pensando justamente em como sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo do agronegócio brasileiro, que a Aberje realizou na última segunda-feira (13) mais um encontro do Lab de Comunicação para o Agronegócio, que conta com o patrocínio da Amaggi. 

“Por ser rico em biodiversidade, o Brasil precisa se unir para criar valor na ‘Floresta Viva’ e alinhar discurso para tomar a dianteira de uma nova agenda mundial”, comenta Nicholas Vital, mediador do encontro e curador do Lab de Agronegócio. 

Nicholas Vital, curador do Lab de Agronegócios

O webinar contou com a participação de André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Bruna Lima, coordenadora de Comunicação Corporativa na Votorantim Cimentos, Caio Penido, comunicador, articulador do setor e produtor rural, Juliana de Lavor Lopes, diretora de Sustentabilidade, Comunicação e Compliance na Amaggi

A maior potência ambiental do mundo

Uma das iniciativas citadas durante o webinar foi o Programa Floresta Mais da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), lançado recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente, destinado a ajudar produtores, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais a conservar áreas de preservação. Na visão do comunicador e articulador do setor, Caio Penido, o próprio povo brasileiro não tem percepção de que o Brasil é a maior potência ambiental do mundo nem que é referência mundial em legislação ambiental. “Nossa biodiversidade está prestando serviços ambientais gratuitamente para o mundo. E existe um custo para conservar esse biodiversidade, tanto para o governo, quanto para o produtor que está na fazenda”, afirma. 

Caio Penido, articulador do setor

“Temos que explicar para o investidor internacional que o nosso país possui um Código Florestal complexo e precisamos criar mecanismos de valorização da ‘Floresta Viva’. É uma covardia um país como o Brasil, em desenvolvimento, com milhões de hectares de áreas em conservação, arcar com um custo gigantesco para conservar essas áreas de biodiversidade que estão prestando serviços ambientais gratuitamente para todo o planeta. O mundo precisa colocar a mão no bolso e se dedicar a criar mercados que valorizem ativos ambientais”, arremata o produtor rural. 

Para André Guimarães, do IPAM, o ‘Floresta Mais’ é um programa meritório, tenta dar um passo concreto com um volume substancial de recursos no sentido remunerar a floresta em pé. “Este é o mérito. Agora nós precisamos ver como ele vai funcionar. É possível conciliar a agenda de conservar e produzir. Manter a floresta viva tem um custo, seja de fiscalizar, seja o custo de cuidar para não queimar, assim como também oferece benefícios ao mundo Essa equação financeira precisa ser redesenhada, ou melhor, criada. Para isso, o Brasil precisa voltar a liderar essa pauta global, por meio de uma nova narrativa e da comunicação”, argumenta.

André Guimarães, diretor do IPAM

O momento do Brasil atuar é agora. Essa é a opinião de Juliana Lopes, da Amaggi, uma das empresas líderes do agronegócio na América Latina. “Temos que posicionar tudo o que há de positivo para o mercado internacional entender o que temos de bom e não questionar alguns pontos. Somos campeões em termos de plantio direto, em reciclagem de embalagem e em preservação de áreas permanentes com todo um processo de qualidade dos rios que passam por propriedades agrícolas, por exemplo”, acentua. 

“Temos que dialogar aqui dentro para levar uma narrativa lá para fora que seja coerente com o que queremos. Não queremos desmatar o Brasil, queremos remuneração por serviços ambientais, produzir mais, intensificar nossa agricultura, fazer melhor manejo do gado, converter áreas degradadas para lavoura, mas tudo isso pressupõe investimento. Temos que ir ao mercado exterior de braços dados com a narrativa correta para atrair capital”, complementa Guimarães. 

Juliana Lopes, diretora na Amaggi

Quanto ao exercício de comunicação, Juliana entende que o Agro precisa trabalhar melhor a sua comunicação, de como abordar o colaborador que está no campo, por exemplo. “Precisamos ter em mente que somos exemplos em muitas coisas, mas também precisamos comunicar os desafios que temos: ainda não conseguimos um consenso bem estruturado de políticas públicas ou um consenso de atuação entre todos os setores que faça com que o Brasil se destaque. Informação a gente tem, a forma de fazer também, agora é como a gente se une para ganhar força”, argumenta a executiva.

Bruna Lima, coordenadora de Comunicação Corporativa na Votorantim Cimentos – empresa líder em materiais de construção no Brasil que tem se posicionado como uma empresa de materiais, minerais e soluções – conta que a empresa tem apostado cada vez mais na diversificação de negócio para atender o produtor rural. “Viu-se a necessidade de nos aproximarmos do agricultor, entender seus atributos para criar elo de identificação com o produtor rural. Por meio de pesquisas, chegamos à conclusão de que a constante renovação do solo é importante ao agricultor e criamos a Viter, a nova marca para a unidade de negócios de insumos agrícolas”, explicou. A nova identidade reforça a estratégia da companhia de ampliar a sua atuação no agronegócio, aproximando-se ainda mais do produtor rural brasileiro. 

Bruna Lima, coordenadora na Votorantim Cimentos

Apesar de possuir mais de 60% de seu território destinado à conservação da vegetação nativa, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e um código florestal conservacionista, revisado em 2012 –  que trouxe um marco regulatório para a questão ambiental -, o Brasil, maior prestador de serviços ambientais do mundo, não consegue obter vantagem competitiva. Com um ambiente altamente rico em biodiversidade, o país é o regulador do clima mundial e precisa criar valor para manter suas florestas “de pé’. O desafio, porém, não se limita apenas aos atores do agronegócio brasileiro mas a toda a sociedade global. 

O Lab de comunicação no Agronegócio pode ser visto na íntegra no canal do Youtube da Aberje.

Lab de Comunicação para o Agronegócio

O Lab de Comunicação para o Agronegócio tem como objetivo debater a comunicação deste setor que é fundamental para a economia brasileira, realizando pesquisas, divulgando melhores práticas, promovendo o debate sobre as narrativas do agronegócio e trocando experiências com a comunicação de outros setores. Em 2019, a Aberje lançou a pesquisa “A Comunicação do Agronegócio no Brasil”, que mapeou a estrutura de comunicação das principais empresas do setor no país. 

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