Em entrevista para portal Carta da Indústria, Paulo Nassar destaca importância da memória corporativa

A memória corporativa exerce papel crescente na gestão contemporânea, afirmou Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP, em entrevista ao portal Carta da Indústria. Ao analisar o tema, ele descreve museus e centros de memória como infraestrutura de conhecimento capaz de apoiar decisões estratégicas, qualificar processos e reduzir riscos reputacionais. O Carta da Indústria é publicado pela Firjan, que é associada à Aberje.
Segundo Paulo, políticas estruturadas de memória contribuem para conectar passado, presente e futuro, oferecendo às organizações repertórios que orientam escolhas e fortalecem coerência institucional. Ele observa que iniciativas dessa natureza evitam a perda de perspectiva histórica e ampliam a capacidade de resposta a contextos de crise, além de acelerar a integração de novos colaboradores e apoiar programas de ESG, comunicação interna e inovação.
Tradição e inovação não são opostas
A memória, quando tratada como ativo, funciona como plataforma de experimentação que inspira novas soluções e garante que transformações estejam alinhadas ao propósito e à identidade organizacional. Ao revisitar arquivos, histórias e práticas, empresas identificam elementos que podem orientar o desenvolvimento de produtos, serviços e narrativas.
Paulo também ressalta que centros de memória fortalecem laços de pertencimento ao permitir que colaboradores, comunidades e demais públicos compreendam seu papel em trajetórias coletivas. Esses espaços, afirma, ampliam transparência, reforçam confiança e colaboram para a construção de reputação de longo prazo.
Entre os desafios para a preservação institucional, ele menciona a necessidade de curadoria consistente, governança que proteja a memória de usos circunstanciais e investimentos permanentes em tecnologia e continuidade. Destaca ainda o risco do “presentismo”, que reduz a profundidade histórica e esvazia o potencial pedagógico desses acervos.
Ao comentar o projeto Memória da Indústria, da Firjan, Paulo o classifica como iniciativa relevante para a documentação da história industrial brasileira. Ele observa que o portal consolida informações acessíveis a diferentes públicos e contribui para políticas públicas, educação e produção de conhecimento, reforçando a importância da memória como legado estratégico.
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