Denise Damiani aborda relação entre autonomia financeira e carreira em curso da Escola Aberje

A falta de reserva financeira pode limitar a disposição de mulheres para negociar salários, concorrer a promoções e assumir novos desafios profissionais. A relação entre dinheiro, liberdade de escolha e liderança foi um dos temas do curso “Inteligência Financeira, Liderança e Empreendedorismo Feminino”, realizado pela Escola Aberje de Comunicação em 15 de outubro, na sede da associação, em São Paulo. A atividade foi oferecida em parceria com a LATAM Airlines, mantenedora da Aberje, e conduzida por Denise Damiani.
Engenheira de formação, Denise desenvolveu um software de home banking adquirido por 40 bancos nos anos 1980 e construiu sua trajetória em tecnologia, gestão e consultoria, com passagens pela Accenture e pelo Itaú. Ao investigar as dificuldades de ascensão das mulheres no ambiente corporativo, realizou mais de 700 entrevistas ao longo de dez anos.
Os relatos revelaram receios de perder o emprego ao assumir responsabilidades maiores, dificuldades para reconhecer o próprio valor profissional e resistência a negociar remuneração. Também apareceram preocupações com os efeitos do sucesso financeiro sobre as relações afetivas e a ausência de referências femininas em posições de poder.
Denise observou que a falta de recursos guardados contribuía para evitar riscos na carreira. A partir dessa percepção, desenvolveu na Accenture um programa de incentivo à formação de reservas financeiras por mulheres.
Crenças e hábitos nas decisões financeiras
As questões apresentadas pelas participantes aproximaram o conteúdo de situações cotidianas. Entre elas estavam a dificuldade de precificar o trabalho, a desorganização financeira mesmo com rendimentos mais altos e as tentativas de controlar despesas com planilhas e aplicativos. A influência das emoções e dos padrões familiares também apareceu nas dúvidas do grupo.
A abordagem do curso articulou três dimensões da gestão do dinheiro: ganhar, gastar e investir. Denise tratou da necessidade de gastar menos do que se ganha e investir a diferença, relacionando o planejamento à possibilidade de financiar projetos pessoais, preparar a velhice e ampliar a autonomia nas decisões.
O conteúdo também abordou caminhos para ampliar a geração de renda e organizar o orçamento, considerando escolhas profissionais, padrões de consumo e prioridades individuais. O acompanhamento das despesas e a revisão do planejamento foram apresentados como práticas para equilibrar compromissos e recursos disponíveis. A destinação da diferença entre receitas e gastos incluiu a formação de reservas e os investimentos, conforme os objetivos de cada participante.
Outro eixo tratou da influência das emoções, do histórico familiar e dos contextos culturais sobre as decisões financeiras, com referência aos fundamentos da Biologia Cultural. A reflexão propôs reconhecer crenças e comportamentos aprendidos, avaliar seus efeitos nas escolhas atuais e identificar situações que comprometem a organização financeira. Nas relações com parceiros e filhos, o curso abordou o diálogo e a construção de acordos para alinhar expectativas, responsabilidades e decisões sobre o dinheiro.
A discussão também contemplou os comportamentos que sustentam os hábitos financeiros. A instrutora propôs refletir sobre o que cada pessoa preserva ao repetir determinados padrões e sobre como suas escolhas se relacionam com o momento de vida. Em exercícios, as participantes foram convidadas a identificar o que estava bom, o que trazia dificuldades e o que desejavam mudar em sua relação com o dinheiro.
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