Sobre comunicação, governança e os bons encontros

No dia 7 de maio visitei a sede da Câmara Brasil-Alemanha representando a Aberje, em uma reunião de aproximação entre as associações. Foi um encontro muito profícuo para o desenvolvimento desta grande rede de organizações que compõem as duas entidades, acredito que, assim, será possível aperfeiçoar ainda mais o ambiente dos negócios e da comunicação. Parte desse aperfeiçoamento passa pela governança.
Lembrei da apresentação que fiz no mês passado, em abril, justamente ao Grupo de Trabalho de Comunicação da Câmara Brasil-Alemanha, onde falei sobre a pesquisa “A Comunicação da Governança Corporativa no Brasil”, realizada pela Aberje em 2022. Na ocasião participaram também Thiago Massari, líder de Comunicação Integrada da Bayer, e Carolina Gutierrez Prado, head de Comunicação para América Latina da Intel Corporation.
Um dos resultados interessantes que apareceu na pesquisa foi o da importância da participação da Comunicação nos comitês relacionados à governança. Se antes o desafio de nós, comunicadores era participar das decisões estratégicas da empresa, agora a pesquisa nos trouxe que quando a governança se relaciona com a comunicação, o ESG aparece com mais frequência.
Mas, embora seja necessário, não é suficiente ter Comunicação e ESG trabalhando juntos. Precisamos aprimorar nossa forma de nos comunicar. Uma fala muito pertinente sobre o tema foi do Thiago Massari. Ele comentou que nós, comunicadores, não podemos mais apenas contar boas histórias, ser bons em storytelling, é preciso sobretudo saber conduzir diálogos francos e transparentes com a direção e a governança da empresa. Isso diz respeito à eficácia das nossas ações e do nosso planejamento em comunicação.
Enviar uma newsletter, ou publicar um relatório de sustentabilidade, e acreditar que está comunicado já não funciona mais. Afinal, o que foi comunicado, pode não ter sido entendido. E é papel do comunicador garantir esta compreensão por todos os stakeholders. Caso contrário podemos acabar caindo na armadilha de falar sem comunicar. Todos irão ouvir/ver/ler o que foi feito, mas ninguém irá realmente absorver a informação. A mera transparência não quer dizer nada, nosso exercício constante é o da contextualização, explicar, traduzir, desenhar. Efetividade da comunicação.
A forma de entendermos isso é medindo os resultados, utilizando cada vez mais dados e ferramentas que nos permitem enxergar o engajamento e a aderência dos stakeholders aos temas que abordamos. Não basta ter um programa de sustentabilidade que olhe para o meio ambiente. É preciso comunicar, deixar transparente para as pessoas o que ele é, como funciona, quais seus objetivos e resultados e, ao final, verificar o quanto foi entendido e absorvido por esses públicos. E se não funcionou de forma adequada, ter um diálogo transparente com a direção e os comitês de governança para encontrar abordagens mais eficazes e tomar as ações necessárias para realizá-las.
Há muito trabalho pela frente, comunicadores!
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