Relacionamento com a imprensa: confiança que se constrói no dia a dia

Confesso que passei algum tempo pensando em qual seria meu primeiro artigo para a coluna. Muitas possibilidades vieram à cabeça: reputação, influência, gerenciamento de crise… Mas, ao olhar para a minha trajetória, percebi que nunca havia escrito sobre a resposta à pergunta que mais ouvi ao longo desses 20 anos atuando em comunicação: “Juliana, como se constrói um bom relacionamento com a imprensa?”.
A primeira coisa que costumo dizer é que, assim como em qualquer relacionamento, essa troca precisa ser positiva para os dois lados. Por isso, não podemos procurar o jornalista apenas quando temos uma pauta para divulgar. É fundamental conhecer os assuntos que cobrem e acompanhar o trabalho que desenvolvem.
Também aprendi que ter uma extensa lista de contatos não significa, necessariamente, conquistar bons resultados. Enviar o mesmo material para todos , como em uma lista de transmissão, dificilmente será a melhor estratégia. Uma boa pauta precisa ser relevante para o jornalista e para o público daquele veículo. Informações inéditas, dados relevantes, tendências e histórias que ajudem a contextualizar um assunto têm muito mais potencial do que conteúdos voltados exclusivamente à divulgação de uma marca.
Além disso, é importante entender que existem diferentes formas de estabelecer esse contato. O e-mail continua sendo um canal importante, mas as redes sociais, os encontros de relacionamento e os eventos também podem aproximar empresas e jornalistas. O essencial é conhecer as preferências de cada profissional e respeitar sua maneira de trabalhar
A disponibilidade também faz diferença. Quando um jornalista procura uma empresa, precisa encontrar fontes acessíveis, informações confiáveis e profissionais preparados para atender às solicitações. Respeitar os prazos, responder com agilidade e preparar os porta-vozes para entrevistas são atitudes que contribuem para a construção de uma relação de confiança .
E, como acontece em qualquer relacionamento, é nos momentos mais difíceis que essa relação pode ser colocada à prova. Em situações de crise, a transparência e a disposição para esclarecer os fatos são fundamentais. Da mesma forma, é preciso respeitar o tempo do jornalista e sua autonomia editorial. Nem toda sugestão de pauta vai virar notícia, e pressionar por uma publicação pode prejudicar justamente a confiança que buscamos construir.
Por isso, acredito que o relacionamento com a imprensa não deve se limitar aos momentos em que uma empresa tem algo para divulgar. Manter contato, compartilhar informações relevantes sobre o mercado e se colocar à disposição como fonte são formas de manter uma relação consistente, mesmo quando não há uma pauta imediata.
No fim, é uma troca em que os dois lados precisam encontrar valor. As empresas têm a oportunidade de ampliar sua visibilidade e fortalecer sua credibilidade, enquanto os jornalistas encontram fontes confiáveis e informações que contribuem para suas apurações.
Depois de mais de duas décadas trabalhando com comunicação, sigo convencida de que um bom relacionamento com a imprensa se constrói com conhecimento, disponibilidade, respeito e confiança.
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