Izolda Cremonine († Maio de 2025)

“A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E assim nunca perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” — John Donne, Meditação XVII
Quando morre uma pessoa como Izolda Cremonine, morre também um pedaço de nossa própria história coletiva. Para nós, da comunidade da Aberje e para tantos outros que com ela conviveram, essa partida é um chamado à reflexão sobre o sentido mais profundo de nossas trajetórias — para além das metas e funções profissionais, para além dos prazos e produtos da comunicação.
Izolda foi uma das pioneiras da comunicação organizacional no Brasil, professora dedicada nos tempos inaugurais da Escola Aberje, ainda nos anos 1980, quando se construíam os alicerces do que hoje reconhecemos como um campo consolidado — a Indústria da Comunicação e das Relações Públicas. Num tempo em que falar de “assessoria de imprensa” era desbravar uma linguagem e uma prática ainda por nascer, Izolda soube ensinar com rigor e sensibilidade. Sua atuação marcou também a ESPM, onde formou gerações de comunicadores com entusiasmo e generosidade.
Empreendedora, fundadora de uma pequena agência de comunicação, Izolda dedicou a vida ao ofício de traduzir o mundo para os públicos e de formar consciências para além da técnica. A seu modo, construiu pontes entre corpo e espírito, entre a objetividade do trabalho e a subjetividade dos encontros, entre a presença na sala de aula e a transcendência de seu legado.
Neste fim de semana, ela partiu – mas permanece entre nós naquilo que ensinou, nas pessoas que inspirou, nas sementes que plantou. Em tempos de tantas despedidas, de tantas perdas simbólicas e reais, Izolda nos convida, mais uma vez, a pensarmos a morte como parte da vida, e a vida como uma obra em constante elaboração.
À querida Izolda, nosso profundo agradecimento. Que os sinos que hoje dobram nos ajudem a lembrar que somos todos parte uns dos outros – e que seu nome permanece entre os que ajudaram a escrever a história da comunicação no Brasil.
Paulo Nassar, Diretor-Presidente da Aberje e Professor Titular da ECA-USP.
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