PATROCINADORES

Ícone do topo
olá, faça seu login ou cadastre-se
  • Sobre
    • Quem Somos
    • Equipe
    • Nossas Associadas
    • Nossa história
    • International Aberje Award
    • Documentos
    • Relatório 2025
  • Conteúdos
    • Notícias
    • Artigos e colunas
    • Blogs
    • Editora Aberje
    • Revista CE
    • Revista Valor Setorial
    • Podcast FalAção
    • Vídeos
    • Newsletter BRpr
  • Eventos
    • Conecta CI
    • Trends
  • Escola Aberje
  • Reconhecimento
    • Prêmio Aberje
    • 20 Comunicadores para Seguir
  • Benefícios
    • Comitês Aberje
    • Centro de Memória e Referência
    • Guia de fornecedores
    • Pesquisas
    • CEAEC Centro de Estudos
  • Fale Conosco
  • Associe-se
Ícone do topo
olá, faça seu login ou cadastre-se
  • Sobre
    • Quem Somos
    • Nossa história
    • Documentos
    • Relatórios
    • Equipe
    • Nossas Associadas
  • Associe-se
  • Notícias
  • Opinião
    • Artigos e colunas
    • Blogs
  • Vagas e Carreira
  • Associadas
    • Nossas Associadas
    • Comitês Aberje
    • Benchmarking
    • Centro de Memória e Referência
  • Eventos
    • Aberje Trends
  • Escola Aberje
  • Prêmios
    • Prêmio Aberje
    • Prêmio Universitário Aberje
    • International Aberje Award
  • Labs de Comunicação
  • Conteúdos
    • Editora
    • Revista CE
    • Revista Valor Setorial
    • Pesquisas
    • Materiais de consulta
    • Podcasts
    • Vídeos
  • Aliança Aberje de Combate às Fake News
  • Newsletter BRpr
  • Fale Conosco
  • Relatórios
19 de outubro de 2026

A grandeza dos pequenos rituais do trabalho

Paulo Nassar
Alunos ECA-USP 2023 (foto: Paulo Nassar)
 
  • COMPARTILHAR:

Em um mundo organizacional obcecado por produtividade, velocidade, indicadores e resultados, talvez estejamos negligenciando acontecimentos aparentemente banais: receber um novo colega, compartilhar um café, celebrar uma conquista, reconhecer um gesto de solidariedade ou despedir-nos de alguém que se aposenta. Por que esses pequenos acontecimentos são tão importantes? Porque, em meio à rotina produtiva, eles criam momentos extraordinários de humanidade.

Em minha disciplina Memórias, Rituais e Narrativas da Experiência, ministrada há cerca de 20 anos na Universidade de São Paulo, no âmbito da formação de mestres e doutores em Comunicação, e em outras experiências acadêmicas e profissionais, tenho procurado responder a essas perguntas. Uma convicção atravessa essas reflexões: os rituais não são acessórios da vida organizacional. São tecnologias culturais milenares de produção de sentido, memória e pertencimento.

Recorro aqui a uma das formulações mais conhecidas do psicólogo social Kurt Lewin: “Não há nada mais prático do que uma boa teoria”. Inspirado por essa ideia, convido o leitor a uma breve incursão por algumas contribuições teóricas que considero especialmente fecundas para compreender a importância dos pequenos rituais no cotidiano das organizações. Afinal, uma boa teoria não nos afasta da realidade: ajuda-nos a enxergar aquilo que, muitas vezes, a familiaridade com o cotidiano tornou invisível.

O antropólogo Arnold van Gennep demonstrou que as sociedades organizam suas grandes transições por meio de ritos de passagem. Chegar, pertencer e partir não são apenas movimentos administrativos. São transformações simbólicas. A integração de um trabalhador não deveria se limitar à entrega de equipamentos, senhas e manuais. É o momento em que uma organização acolhe uma biografia, uma memória, uma pessoa que chega trazendo seu próprio mundo.

Erving Goffman, ao estudar os rituais da interação cotidiana, revelou a importância dos cumprimentos, agradecimentos e pequenos gestos de consideração. São cerimônias discretas que reconhecem a dignidade do outro. Um elogio sincero ou uma homenagem inesperada podem produzir mais pertencimento do que sofisticadas campanhas de comunicação interna. Recordo-me de um encontro com comunicadores associados à Aberje, no qual Jerome Cadier, CEO da LATAM Airlines Brasil, destacou a importância de duas palavras aparentemente simples: “parabéns” e “obrigado”. Para ele, essas expressões ocupam um lugar estelar nas interações entre os milhares de profissionais que constituem a companhia. Sua observação nos convida a reconhecer que a cultura de uma organização também se constrói nesses pequenos rituais de gratidão e reconhecimento. Afinal, agradecer é reconhecer a contribuição do outro; parabenizar é conferir significado às suas realizações. Gestos que, embora breves, podem deixar marcas duradouras na memória e na experiência de quem os recebe.

Há também uma extraordinária antropologia ao redor da mesa. Compartilhar um pão, um café ou uma refeição é uma prática ancestral que atravessa as fronteiras do profano e do sagrado. O alimento não nutre apenas o corpo: alimenta vínculos, memórias e confiança. Na pausa para o café, a organização deixa momentaneamente de ser organograma. Surgem histórias, afetos e conversas que dificilmente caberiam na pauta de uma reunião.

Victor Turner chamou de communitas a experiência de comunhão que pode emergir quando as hierarquias habituais são temporariamente suspensas. Esses encontros podem abrir espaços semelhantes de reconhecimento mútuo.

E há as despedidas. A aposentadoria, a transferência, a morte de um colega. Quando uma organização não ritualiza essas passagens, corre o risco de tratar vidas como registros que simplesmente desaparecem de seus sistemas. Despedir-se é reconhecer uma trajetória e inscrevê-la na memória coletiva.

Rituais não são encenações artificiais

Hartmut Rosa nos ajuda a compreender outra dimensão desses acontecimentos. Em uma sociedade acelerada, precisamos de ressonância: experiências nas quais somos afetados pelo mundo e respondemos a ele. Os rituais podem criar essas condições. Mas é preciso cuidado. Rituais não podem ser encenações artificiais de pertencimento nem instrumentos de exclusão. Sua força está na autenticidade, na participação e no reconhecimento das diferenças.

Tenho defendido que o ritual é uma tecnologia de sentido. Ele interrompe a sucessão indiferenciada dos acontecimentos e declara: isto importa.

Talvez seja hora de compreender que os pequenos rituais não são interrupções improdutivas do trabalho. São experiências que devolvem humanidade ao trabalho e significado à produtividade. Porque uma organização não vive apenas daquilo que produz. Vive também daquilo que seus integrantes experimentam, compartilham, celebram e jamais esquecem.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Paulo Nassar

Diretor-presidente da Aberje - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial; professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP); doutor e mestre pela ECA-USP. É coordenador do Grupo de Estudos de Novas Narrativas (GENN), da ECA-USP e pesquisador no campo da interface entre Comunicação e Antropologia. Docente de mestrado e doutorado (PPGCOM ECA-USP) desde 2006, onde ministra, juntamento com o Prof. Dr. Luiz Alberto de Farias, a disciplina stricto sensu “Memórias Rituais, Narrativas da Experiência”. Pesquisador da British Academy (University of Liverpool) – 2016-2017. Entre outras premiações, recebeu o Atlas Award, concedido pela Public Relations Society of America (PRSA, Estados Unidos), por contribuições às práticas de relações públicas, e o prêmio Comunicador do Ano (Trajetória de Vida), concedido pela FundaCom (Espanha). É coautor dos livros: Communicating Causes: Strategic Public Relations for the Non-profit Sector (Routledge, Reino Unido, 2018); The Handbook of Financial Communication and Investor Relation (Wiley-Blackwell, Nova Jersey, 2018); O que É Comunicação Empresarial (Brasiliense, 1995); e Narrativas Mediáticas e Comunicação – Construção da Memória como Processo de Identidade Organizacional (Coimbra University Press, Portugal, 2018).

  • COMPARTILHAR:

ARTIGOS E COLUNAS

  • Paulo NassarA grandeza dos pequenos rituais do trabalho
  • Juliana MirandaRelacionamento com a imprensa: confiança que se constrói no dia a dia
  • Carina AlmeidaDa opinião à evidência: o papel estratégico dos dados na comunicação

Destaques

  • LiderCom Aberje reúne líderes de comunicação em jantar com Michael Preuss, head de Comunicação da Bayer
  • Denise Damiani aborda relação entre autonomia financeira e carreira em curso da Escola Aberje
  • Diretor-executivo da Aberje apresenta oportunidades de carreira da comunicação corporativa a jornalistas em curso do Valor

Notícias do Mercado

  • Marco Ruediger lança livro sobre parlamentares influenciadores e política nas redes
  • Grupo In Press anuncia diretores de Estratégia Criativa
  • Votorantim Cimentos lança documentário sobre seus 90 anos

BLOGS

A Aberje é uma organização profissional e científica sem fins lucrativos e apartidária. Tem como principal objetivo fortalecer o papel da comunicação nas empresas e instituições, oferecer formação e desenvolvimento de carreira aos profissionais da área, além de produzir e disseminar conhecimentos em comunicação.

ENDEREÇO
Rua Amália De Noronha, 151, 6º Andar – Pinheiros, São Paulo/SP
CEP 05410-010

CONTATO
(11) 5627-9090
(11) 95166-0658
fale@aberje.com.br