Agenda 2030: Comunicação e Engajamento

A Plataforma Ação para Comunicar e Engajar é formada por comunicadores e profissionais de sustentabilidade que atuam nas organizações signatárias do Pacto Global. Os principais objetivos são o engajamento e sensibilização dos setores de comunicação das organizações, a disseminação dos Dez Princípios e dos ODS para os integrantes do Pacto Global e para os seus stakeholders e a criação de conteúdos compartilhados, bem como a definição coletiva de estratégias de comunicação para apoio das diretrizes de atuação da Rede Brasil. Natália de Campos Tamura é representante da Aberje na secretaria executiva da plataforma e editora do blog Agenda 2030: Comunicação e Engajamento.

Um setor e suas causas: como comunicar?
15 de dezembro de 2020
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Imagem que correu o mundo: poluição do ar em Nova Deli reduziu drasticamente entre 23 de março e 13 de abril (Foto: Awar Nazir/ Getty Images, Sajjad Hussain/ AFP via Getty Images)

As restrições de circulação impostas pela pandemia proporcionaram uma inédita melhoria na qualidade do ar em cidades conhecidamente críticas nesse aspecto, como Nova Déli na Índia. A sociedade se deparou, então, com a possibilidade de retorno às atividades, mas dentro do contexto de uma retomada verde. Diante do desafio global de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o uso de energia limpa gerada a partir de fontes renováveis se fortalece como opção. No entanto, mesmo diante de um ambiente tão propício, há um penhasco a ser galgado: como influenciar as pessoas a escolher uma mobilidade mais sustentável?

Externalizar os benefícios e valores de seus produtos e de sua cadeia produtiva está entre as principais dificuldades do setor de bioenergia. Certamente, essa adversidade é compartilhada por outros segmentos. E a recomendação para todos é a mesma. Para aqueles que almejam, não apenas comunicar, mas conquistar credibilidade, é fundamental ser autêntico, com consistência e transparência.

Essas foram análises apresentadas no painel de comunicação do Congresso Nacional de Bioenergia, da UDOP, ocorrido no final de novembro e que contou com a participação de profissionais da Aberje e do Pacto Global da ONU.

Se a pandemia escancarou as vulnerabilidades de todos, nunca se viu tamanha conscientização da sociedade sobre a necessidade de mudanças, mas essa receptividade está longe de ser um trajeto tranquilo. Os espaços estão mais críticos. Por isso, as instituições devem ser cuidadosas e buscar associações a causas que estejam preferencialmente ligadas às suas áreas de atuação ou ao seu propósito. Não há lugar para adesão a agendas por simples modismo. O greenwashing, leia-se quando o discurso ambiental difere da prática, pode levar à anulação de uma organização.

Isso significa que transparência precisa ser sustentação das comunicações. Setores maduros encaram suas vulnerabilidades de forma responsável. Admitir publicamente os problemas existentes e apontar as ações que estão sendo feitas geram confiança. Se existem fatos, a narrativa pode e deve ser contada com tranquilidade.

Essa conduta cria ainda um ambiente favorável e legitima o trabalho de advocacy e a elaboração de políticas públicas. Fomentar uma mobilização exige esforço e um planejamento conjunto das empresas que integram esse setor, seja em coalizações ou entidades setoriais.

Por isso, sim, é possível sensibilizar o consumidor a utilizar uma opção menos poluente de energia e combustível. Porém, é fundamental subsidiar as pessoas com informações – boas e ruins – para que as decisões individuais sejam tomadas de forma consciente.

 
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