
Os últimos anos foram delicados para as empresas brasileiras, com sucessivos escândalos envolvendo grandes símbolos nacionais. 2018 é um ano de eleições para presidente da República, o que, em geral, representa incerteza para a economia. Em busca de um pouco de esperança e querendo saber se as empresas não envolvidas em denúncias haviam sentido algum impacto (efeito halo) da descrença que acometeu as empresas envolvidas em denúncias, eu conversei com Alfried Plöger, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira das Companhias Abertas – ABRASCA, sobre o cenário das companhias abertas brasileiras.
A boa notícia? A confiança dos investidores nas empresas brasileiras não envolvidas em investigações parece não ter sido afetada. Em 2017, batemos o recorde de emissão de debêntures (títulos emitidos pelas empresas em busca de financiamento de investidores com custos, condições ou garantias melhores para as empresas do que o financiamento bancário tradicional.)
Alfried diz que não sabe precisar em que medida a Lava Jato moralizou as concorrências públicas, embora acredite que o efeito tenha sido positivo. E que a confiança dos investidores em relação às empresas brasileiras que não tem envolvimento como fornecedores de governos Federal ou Estaduais não sofreu alterações no último ano. Segundo ele, para essas companhias, o mercado é de recuperação de preços e busca de oportunidades.
Alfried afirma também que o grau de amadurecimento das companhias abertas brasileiras em relação aos outros países com características similares ao Brasil é muito superior. “As companhias brasileiras estão em patamares bem superiores que seus pares no mundo. Temos vários exemplos evidentes como a Localiza, que acabou de adquirir a maior locadora de veículos do mundo (Hertz), o Itau Unibanco que é um dos bancos mais rentáveis do mundo e já é o maior banco nos países do Mercosul, a Gerdau que vem mostrando um dinamismo quase de “start up”… Enfim, as companhias brasileiras são exemplos positivos para as cias dos BRICS e também para jurisdições desenvolvidas.”
Dados como o recorde de debêntures em 2017 me fazem pensar na força da companhias brasileiras. Certamente, estes resultados só são obtidos porque temos práticas de comunicação de excelência que conseguem passar confiança para os investidores mesmo nos cenários mais difíceis. Outro exemplo da força das companhias brasileiras veio do fato de que, em 2018, pela primeira vez, três empresas brasileiras fizeram parte do ranking elaborado pelo Reputation Institute com as 100 empresas de melhor reputação no mundo: Natura (70ª posição, com 69,8 pontos de reputação, uma avaliação quase alcançando o limiar de reputação forte e à frente de gigantes mundiais como a P&G, 75ª colocada e 69,5 pontos e Unilever, 87ª colocada com 68 pontos), Havaianas (78ª posição, com 69,1 pontos) e Embraer (79ª posição, com 69,0 pontos).
Parabéns a todos que trabalham para que estes resultados sejam possíveis.
A entrevista completa com Alfried Plöger foi publicada pela Revista da Reputação. Para quem quiser saber mais sobre o ranking Global Rep Trak, o relatório está aqui.
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