Ano eleitoral amplia a relevância da Comunicação e das Relações Governamentais
As Relações Governamentais figuram entre os eixos temáticos que orientam a atuação da Aberje em 2026, ano marcado por eleições no Brasil e por um ambiente institucional de maior complexidade para as organizações. A escolha reflete o reconhecimento de que os ciclos eleitorais impactam diretamente a dinâmica da comunicação corporativa e a forma como empresas se posicionam diante de seus públicos estratégicos. A Aberje é uma organização profissional e científica sem fins lucrativos e apartidária.
“A decisão por incluir Relações Governamentais e Institucionais em nossos eixos temáticos principais para 2026 parte da maior atenção que o tema ganha em anos eleitorais e da maturidade da área, com cada vez mais dados, pesquisas e legitimidade”, explica Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje. “Somos uma entidade apartidária, e focada no aspecto profissional e científico da comunicação. Neste sentido, trabalhamos com o advocacy do campo profissional, em seu reconhecimento como área essencial às empresas”, acrescenta.
No evento “Agenda Aberje 2026”, que reuniu lideranças empresariais e especialistas no início de março para discutir tendências que devem influenciar a atuação dos comunicadores, o tema foi um dos destaques. Entre os pontos abordados, esteve a crescente interface entre comunicação corporativa e relações governamentais, considerada hoje um componente estruturante da gestão reputacional e da atuação institucional das organizações.
“As Relações Governamentais passam a ocupar um lugar ainda mais relevante na comunicação das organizações porque dizem respeito à forma como elas se posicionam e dialogam com a sociedade por meio das instituições. Essa interlocução exige preparo, responsabilidade e compreensão de que comunicar também é participar do espaço público de maneira qualificada”, explica Paulo Nassar, diretor-presidente da Aberje e professor titular da ECA-USP.
Durante o evento, Andrew Greenlees, sócio-fundador da associada FLAG Public Affairs, destacou a evolução da área e sua integração com a comunicação. “As pessoas tinham medo de se envolver com o governo. Havia um certo preconceito com a atividade”, afirmou. Segundo ele, esse cenário vem sendo superado à medida que a interlocução institucional passa a ser compreendida como parte legítima do funcionamento da democracia. “O direito de peticionar é legítimo e democrático”, disse, ao ressaltar o papel das empresas em contribuir com informações técnicas para a formulação de políticas públicas.
Greenlees também observou que a relevância das relações governamentais tende a se intensificar em contextos eleitorais, quando aumenta a necessidade de leitura de cenário e de compreensão dos possíveis desdobramentos institucionais. Nesses momentos, a articulação entre comunicação e relações governamentais ganha centralidade na gestão de riscos, na construção de narrativas e no relacionamento com diferentes stakeholders.
O reforço do tema na agenda institucional da Aberje dialoga com uma trajetória já consolidada da entidade na abordagem do campo de Relações Institucionais e Governamentais (RIG), presente em publicações, debates, eventos e iniciativas de formação. A Escola Aberje de Comunicação, por exemplo, mantém cursos dedicados ao tema e prepara para 2026 a Expedição Brasília, voltada à imersão prática no funcionamento do sistema político-institucional brasileiro. A proposta inclui visitas técnicas, encontros com especialistas , discussões sobre o papel da comunicação em ambientes de alta complexidade decisória, e tem a curadoria de Fabio Rua, Vice-Presidente da GM e Conselheiro Deliberativo da Aberje.
“Quando pensamos a reputação como um ativo que reduz incertezas e sustenta relações de confiança, a interface entre comunicação e Relações Governamentais se torna incontornável. É nesse campo que muitas vezes se materializa a coerência entre discurso e prática, especialmente em contextos institucionais mais sensíveis, o que reforça o papel estratégico da comunicação na construção de valor para as organizações”, afirma Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje.
Relações governamentais em números
A crescente relevância do tema também é evidenciada por análises do mercado. Como aponta o “Anuário Origem Latam 2025”, “nenhum conselho de administração ou CEO deve prescindir de um trabalho cuja missão é estabelecer relações estratégicas, justas e transparentes com diferentes stakeholders, em especial no setor público”. A publicação reforça ainda que o ambiente de negócios é fortemente moldado pelo setor público, o que amplia a importância de uma atuação qualificada nessa interface.
Outro aspecto destacado no anuário é o caráter relacional e estratégico da atividade. Segundo o documento, o trabalho em RIG envolve “a construção de relacionamentos de confiança que podem ser construídos em diferentes tempos em função dos interesses de todas as partes e do ambiente externo”, sustentada por análise de cenários, uso de dados e articulação com diferentes interlocutores. Essa dimensão aproxima ainda mais a área da comunicação corporativa, que também opera na construção de confiança e reputação ao longo do tempo.
Dados da pesquisa do Anuário, correalizada por Consult-Master, LEC e Vittore, ajudam a dimensionar as transformações recentes da área. O levantamento indica que 84,4% dos profissionais de Relações Governamentais atuam em empresas com receita anual acima de R$1 bilhão, sendo que 63,8% estão em organizações com faturamento superior a R$5 bilhões. Ao mesmo tempo, observa-se uma reconfiguração estrutural das equipes, com redução dos departamentos maiores e aumento de estruturas mais enxutas, muitas vezes compostas por um único profissional, o que sugere mudanças no modelo operacional da área.
Essa mudança está em sintonia com as transformações observadas pelo Centro de Estudos e Análises Econômicas Aplicadas à Comunicação (CEAEC) da Aberje em sua publicação “Análise Econômica”, que avaliou um paradoxo estrutural que afeta as áreas de comunicação das empresas no Brasil. A partir da análise das cinco edições da pesquisa “Tendências da Comunicação”, realizadas entre 2020 e 2024, o estudo evidencia uma equação complexa: enquanto a comunicação corporativa conquista status estratégico e amplia seu escopo de atuação, permanece operando com equipes reduzidas.
Esse mesmo movimento de redução de equipes, observado na área de Relações Governamentais, é acompanhado pelo avanço de consultorias especializadas e pelo uso crescente de inteligência artificial, que têm ampliado a capacidade de análise e execução das áreas de RIG. Segundo o anuário, há uma demanda crescente por serviços externos diante da maior complexidade das agendas institucionais, ao mesmo tempo em que ferramentas tecnológicas vêm sendo utilizadas para aumentar produtividade e eficiência. Nesse contexto, a atuação em Relações Governamentais tende a se tornar ainda mais estratégica, exigindo integração com a comunicação corporativa e maior sofisticação na leitura de cenários e na construção de narrativas.
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