Hamilton dos Santos discute transparência em estudo da associada Santo Caos

A distância entre declarar transparência e incorporá-la às práticas organizacionais é o tema do artigo de Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje, publicado no estudo “DNA Cultural Brasileiro 2026”. Produzido pela Santo Caos, associada à Aberje, o levantamento analisa a cultura declarada das 500 maiores empresas do país e reúne uma reflexão do autor sobre os limites da transparência como expressão de integridade e fundamento da confiança.
Intitulado “A transparência no teatro dos valores corporativos”, o texto examina como o conceito se expandiu para além de sua função institucional de prestação de contas, acesso à informação e responsabilização. Na leitura de Hamilton, a transparência passou também a operar como um sinal de legitimidade, capaz de produzir uma impressão de honestidade antes que as práticas da organização sejam consideradas.
“A palavra não apenas descreve uma prática; ela produz uma impressão de virtude”, escreve. O argumento dialoga com questões desenvolvidas em seu livro Contra a Transparência (Iluminuras, 2026) e com um dos achados do estudo, que identifica 136 menções ao termo no dicionário corporativo ampliado.
Hamilton chama esse fenômeno de transparência performática e observa que ele não implica necessariamente falsidade ou manipulação deliberada. Organizações incorporam palavras que concentram expectativas sociais de responsabilidade. O problema aparece quando esse vocabulário ocupa o lugar das práticas que deveria expressar. “O problema não está na existência dos valores, nem na transparência em si. Surge quando a transparência se converte predominantemente em linguagem.”
O desafio inclui definir quais formas de reserva são legítimas e quais precisam ser submetidas ao escrutínio público. A reflexão desloca a atenção da frequência com que as empresas afirmam seus valores para a maneira como os concretizam.
“Talvez a pergunta mais relevante não seja quantas vezes a transparência aparece nos valores corporativos brasileiros, mas de que forma ela se materializa nas práticas concretas das organizações”, afirma.
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