Aula magna de Paulo Nassar discute alteridade e comunicação intercultural nas organizações

A relação com o outro e os desafios da comunicação em ambientes marcados por diferentes identidades e referências culturais estiveram no centro da aula magna ministrada por Paulo Nassar, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), diretor-presidente da Aberje e coordenador do Grupo de Estudos de Novas Narrativas (GENN/ECA-USP), no “Curso em Comunicação Intercultural nas Organizações, parceria entre a Escola Aberje e a Universidade Presbiteriana Mackenzie”.
Em sua exposição, Paulo propôs uma reflexão sobre os limites das categorias utilizadas para compreender pessoas e públicos. Se elas ajudam a organizar informações, também deixam de abarcar parte da complexidade de cada indivíduo. A questão ganha novas implicações diante dos algoritmos, capazes de reunir grandes quantidades de dados sobre uma pessoa sem, contudo, conhecer sua trajetória.
“Precisamos transformar a categoria em biografia. Isso significa retirar as pessoas das caixas categorizantes, algorítmicas e informacionais e buscar compreender suas histórias em sua complexidade. Mais do que conhecer, precisamos reconhecer o outro”, afirmou o professor.
A perspectiva tem consequências para a Comunicação Corporativa. Em lugar de públicos compreendidos como categorias fixas, a proposta é considerar a multiplicidade de identidades que coexistem em cada pessoa. Um integrante da equipe, por exemplo, pode ser simultaneamente consumidor, acionista e formador de opinião. Paulo também defendeu a passagem de uma “antropologia do outro” para uma “antropologia do encontro”, baseada em escuta, relacionamento e reconhecimento. “Culturas não conversam, pessoas sim”, sintetizou.
Comunicação intercultural nas organizações
A discussão dialoga diretamente com a proposta do “Curso em Comunicação Intercultural nas Organizações”, que trata das relações culturais presentes na rotina profissional e dos processos de mediação entre diferentes grupos.
Para João Batista Cardoso, coordenador do Mestrado em Comunicação Intercultural da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a negociação ocupa posição central nesse processo. “Negociar não significa ceder sobre quem somos ou sobre aquilo em que acreditamos. Significa também estar aberto para compreender o outro, suas visões e suas necessidades”, afirmou.
A abordagem da comunicação intercultural busca criar condições para o diálogo entre diferentes vozes, enfrentando estereótipos e estabelecendo espaços de negociação, cooperação e intercâmbio. Sob essa perspectiva, compreender diferenças culturais não significa eliminá-las, mas construir relações capazes de incorporá-las.
“A aula magna já deu uma dimensão do nível da programação e da qualidade das discussões que teremos ao longo do curso. Reunimos professores e profissionais com experiências e repertórios diversos, o que cria um ambiente especialmente fértil para a troca de perspectivas e para o aprofundamento dos debates sobre comunicação intercultural nas organizações”, afirma Emiliana Pomarico, gerente da Escola Aberje e coordenadora do curso.
Carlos Netto, coordenador do curso, destacou ainda a aproximação entre a universidade e a Aberje. “A parceria entre a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Aberje representa uma oferta de conteúdos e repertórios de qualidade. Não há dúvida sobre a necessidade de melhores projetos nas organizações baseados na mediação cultural como caminho possível de construção colaborativa, favorecendo o engajamento dos colaboradores e soluções inovadoras.”
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