De “Brainrot” a Business Intelligence, o que o YouTube pode ensinar à Comunicação Interna

Se você trabalha com Comunicação Interna, provavelmente passou 2025 tentando equilibrar duas forças opostas: a pressão por mensuração de dados (o lado racional do negócio) e a necessidade urgente de engajamento humano (o lado emocional da cultura).
Ao cruzarmos dois documentos essenciais lançados neste final de ano (a pesquisa “Cultura de Dados, Mensuração e IA na Comunicação“ da Aberje e o “YouTube Culture & Trends Report 2025“) percebemos que a resposta para nossos desafios corporativos pode estar justamente na maneira como a Geração Z consome conteúdo.
Listamos aqui três pontos desse cruzamento para pensarmos para 2026:
Do “Boletim” para o “Universo Compartilhado”
A pesquisa da Aberje aponta que 80% das empresas têm como prioridade a gestão do engajamento e coesão do público interno. No entanto, muitas ainda comunicam de forma linear.
O relatório do YouTube mostra que, no Brasil, a tendência dominante são os “Universos Compartilhados”. Criadores que encabeçam a lista dos mais acessados no país não fazem apenas vídeos, mas criam narrativas cruzadas (sitcoms da vida real) em que o público precisa acompanhar múltiplos canais para entender a história completa.
Olhando para CI: Os colaboradores não querem apenas receber o comunicado. Eles querem fazer parte de um enredo. Em vez de campanhas isoladas, pensemos na comunicação interna como um “universo compartilhado” em que as histórias de diferentes áreas se cruzam e o colaborador é, nas palavras do YouTube, um “biógrafo digital” que ajuda a cocriar a narrativa da empresa.
Eficiência X Criatividade no uso da IA
Na comunicação corporativa, a Inteligência Artificial já é realidade para 83% das organizações, sendo usada principalmente para criar textos e análises. Mas será que estamos usando a IA apenas para “fazer mais rápido”?
O YouTube nos mostra um uso mais criativo, com a construção de personas. Na Coreia do Sul, criadores usam IA para criar personagens cativantes (como um hamster com voz humana que narra dilemas de trabalho) para gerar conexão emocional. Além disso, a tendência global de Brainrot e memes gerados por IA mostra uma linguagem visual acelerada e nativa da internet.
Olhando para a CI: Não use a IA apenas para resumir atas de reunião. Pense na ferramenta para desenhar formatos novos. Se 66% das equipes de comunicação sentem falta de habilidade para usar a IA estrategicamente, o caminho é experimentar formatos mais ousados, inspirados na creator economy.
Autenticidade “sem filtro” gera confiança
Um dado preocupante da Aberje é que a confiança na liderança/organização é uma métrica monitorada, mas muitas vezes difícil de alavancar.
A tendência da Coreia do Sul chamada “Autenticidade Não Filtrada” oferece uma pista. O criador que mais cresceu por lá foi um lutador de MMA que viralizou simplesmente mostrando seu quarto bagunçado, sem verniz. O público está cansado de perfeição. A busca é pela realidade, mesmo que imperfeita.
Olhando para a CI: Sua liderança precisa parecer um comunicado interno ou uma pessoa real? Em tempos de crise de confiança, conteúdos internos menos produzidos e mais humanos podem engajar mais do que vídeos corporativos de alta produção. O YouTube chama isso de “prêmio pelo esforço”: o público valoriza quem mostra a realidade dura do processo.
Insights
Temos um gap claro: enquanto o YouTube mede cada segundo de retenção e sentimento, 52% das empresas ainda não mensuram adequadamente seus processos de Comunicação Interna.
Para 2026, quem sabe vale olhar para a CI com a mentalidade de um YouTuber:
- Meça o que importa: Saia das métricas de vaidade (visualizações) para métricas de negócio (retenção de talentos e confiança).
- Engaje como um criador: Use narrativas compartilhadas e autenticidade.
- Use a IA com ousadia: Vá além do texto padrão.
Seus colaboradores já são audiência fiel de criadores lá fora. Agora, o caminho talvez seja trazer essa lógica para dentro.
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