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02 de março de 2016

Mídias sociais, um desafio para CEOs

Aberje
 
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Responda rápido: você faz parte do time que não sai de casa sem o celular e nunca fica fisicamente longe do aparelho? Bem-vindo ao time. Eu, você e mais de 90 milhões de brasileiros mudamos radicalmente nossos hábitos ao longo dos últimos anos e aderimos de vez ao mundo digital. Antes, fazíamos apenas chamadas de forma comedida, contando os minutos e controlando os custos. Agora, acessamos sem restrições diversos aplicativos, mídias sociais e sites de interesse. Engordamos a estatística que aponta que o Brasil tem a quinta maior base de smartphones do mundo, ficando atrás apenas da China, EUA, Índia e Indonésia.

Já são mais de 2 bilhões de pessoas no planeta usando ativamente as mídias sociais (28% da população global), conectadas ao Facebook (1,3 milhão), Google+ (343 milhões), LinkedIn (300 milhões), Twitter (271 milhões) e Tumblr (230 milhões). Em apenas um minuto, o Google registra mais de 600 mil buscas, o Facebook recebe mais de 700 mil atualizações e cerca de 100 mil tweets são postados.

A expansão da comunicação digital afeta diretamente as empresas. No Brasil, só no LinkedIn, rede profissional, 18% dos usuários usam o aplicativo todos os dias. Pesquisas indicam que mais de 60% dos acessos de funcionários visam sites que nada têm a ver com trabalho. Trata-se de uma situação encontrada também nos Estados Unidos: lá os funcionários consomem até 25% do expediente nas mídias sociais e até usuários mais velhos estão plugados. Americanos de 45 a 54 anos, gastam em média 25 horas e 26 minutos por mês navegando na Internet e grande parte deste tempo é dedicada ao compartilhamento de opiniões, elogios e reclamações em relação às empresas.

Nesse cenário, desafios surgem para os Conselhos de Administração, para o alto comando das organizações e, inclusive, para os diretores e executivos de marketing e de comunicação que serão questionados sobre seus planos e entregas para o mundo digital. Com isso, estou certa de que novas oportunidades de trabalho de geração de conteúdo, narrativas e diálogos irão surgir para os comunicadores e para agências de comunicação empresarial.

A situação econômica do Brasil deve acelerar as mudanças para este ano. As empresas estão revendo custos e procurando alternativas para reduzir gastos e aumentar a produtividade. Com isso, parte da verba que antes era dedicada à publicidade tradicional tende a ir para canais digitais que permitem a comunicação direta com clientes.

O modelo ”cada área cuida de seu pedaço” já não existe mais e está cedendo espaço a um novo ecossistema, com profissionais de comunicação proativos e capazes de apoiar os diversos departamentos na geração de diálogos verdadeiros, transparentes e que desenvolvam confiança e boas experiências a seus stakeholders, sempre respeitando as especificidades e perfis de cada público. A comunicação das marcas com o mercado será cada vez mais direta, com ações centradas nos clientes e monitoradas 24 horas por dia. Com isso, tende a crescer o uso das mídias sociais para essa comunicação de mão dupla, com interação, diálogo e coragem para responder com agilidade e clareza a eventuais questionamentos e solicitações de esclarecimento. Consequentemente, para dar conta dessas demandas, a produção de conteúdos também crescerá em ritmo acelerado, com textos, infográficos, imagens, gráficos, e-books, white papers, campanhas publicitárias, pesquisas, posts interativos, vídeos, entre outros.

A reinvenção da forma de trabalho não ficará restrita aos profissionais de comunicação. Atingirá o alto comando das organizações, embora a maioria dos CEOs ainda não use ativamente as mídias sociais. Isso mudará. Pesquisas comprovam que presidentes conectados a meios digitais geram melhores conexões com clientes, funcionários e investidores. A presença em canais de relacionamento cria maior transparência, confiança para as marcas e diferenciação de liderança.

Em tempos de muita militância política, social e de cidadania, é fundamental que o corpo diretivo das organizações seja atuante no mundo digital para identificar importantes sinais que eventualmente coloquem suas marcas em risco. Essa postura não evita crises, mas permite que elas sejam geridas de forma mais efetiva e ágil. Manifestações precisam ser bem monitoradas e estudadas para que não interfiram na imagem das empresas. 85% dos americanos concordam que a prevenção de potenciais crises de reputação pode ser feita a partir de canais efetivos de monitoramento digital. Ao identificar algum problema ainda na fase de gestação, as empresas podem se posicionar e responder mais rapidamente, mitigando riscos corporativos. Com isso, a Social Media é hoje um ingrediente estratégico do sistema de comunicação tradicional (Modern PR), tornando-se essencial para deixar as empresas mais ágeis, competitivas e bem-sucedidas.

O mundo hoje está altamente conectado e, por isso, Conselheiros, CEOs e executivos precisam igualmente ter uma presença social ativa. Marca, confiança e sucesso sustentáveis dependem disso. Estudos mostram que 35% dos CEOs das maiores empresas do mundo listadas na Fortune 500 já participam das mídias sociais e a quantidade de adeptos tende a crescer de forma acelerada nos próximos anos.

Para quem ainda tem dúvida se esse é o caminho a ser seguido, basta ver o perfil no Twitter de Warren Buffett (@WarrenBuffett), Chairman e CEO da Berkshire Hathaway, com mais de 1,13 milhão de seguidores. Ele, melhor do que ninguém, já deve saber que 40% das empresas presentes no ranking da revista Fortune há 10 anos já não existem, comprovando a máxima de que o sucesso no passado não garante o futuro. Com 86 anos, Buffett segue o exemplo de jovens e marca presença no mundo digital, gerando elogios da Imprensa americana. Agora, responda rápido: o Conselho de Administração e o Presidente de sua empresa também seguem este caminho?

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