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05 de setembro de 2014

A comunicação nasce e morre no significado

Luiz Antônio Gaulia
 
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“O que nos move não é um desejo de prazer, ou a vontade de poder. O que nos move é uma intensa busca de um sentido para a vida”.

Viktor Emil Frankl (1905-1997)

 

A comunicação empresarial tornou-se disciplina obrigatória de grandes, pequenas e médias empresas. De marcas de produtos e serviços, tradicionais e ou estreantes no mercado, de organizações estatais e da iniciativa privada. Companhias abertas e listadas na bolsa de valores, de capital fechado, de alcance regional, nacional ou global. Não importa.

Off-line, on-line, all time… o fato é que cada vez mais “quem não se comunica, se trumbica” como falava o Chacrinha, apresentador mítico de programas de auditório da televisão brasileira que fez escola. As empresas, na verdade, são sempre empresas de comunicação e seus negócios são feitos através de muita comunicação. Seja ela organizada, orientada para uma abordagem comercial ou orientada para uma proposta de construção de marca e de valor compartilhado.

No cenário atual, contudo a ideia de só vender para clientes ou consumidores deu lugar a uma nova exigência: a do relacionamento e criação de vínculos. E vínculo se faz com diálogo, conversa, contato, proximidade, conhecimento. O desafio cada vez mais é estruturar canais e processos que facilitem essas conversas e gerem mais negócios através do fortalecimento dos vínculos. Fácil de escrever, difícil de colocar em prática no mundo real.

Diante disso, a comunicação empresarial ou organizacional – não importa muito o nome ou o rótulo da vez – precisa ser cada vez mais inteligente, estratégica, humanizada, respeitosa, eficaz e eficiente (vamos lembrar que são coisas diferentes). A admiração e o valor percebido da marca dependem muito dessa abordagem.

Se os custos estão cada vez maiores (com ou sem inflação oficial) e, apesar de tanta tecnologia gratuita disponível, a comunicação empresarial, começando pela chamada comunicação interna, deveria ser percebida como vital para a marca, pois trata-se de um movimento que influencia por completo a proposta de valor de uma marca por todos aqueles que dia após dia, interagem com a empresa e o negócio.

É um fato que a boa gestão (e bons líderes comunicadores) necessariamente se utiliza da comunicação de forma estratégica, seguindo as características de cada segmento de atuação, o que não inviabiliza a busca por inovação no jeito de se comunicar, ok? Mas ainda vejo muita empresa fazendo besteira. Repetindo fórmulas aparentemente seguras que deram certo há anos, mas que agora, num tempo ágil de relações via web, não funciona mais.

O pior dos mundos é aquela comunicação burocrática, feita por mera obrigação, para cumprir tabela ou obedecer à legislação (como aquelas canais de SAC ou e–mails que ninguém nunca vai responder, anúncios pouco criativos ou mensagens tolas penduradas nos murais e corredores). E mais! Sem calor humano, sem sentido e sem uma lógica relacional, como a que corre atualmente pelas redes sociais da web. Que dinamismo! Quanta criatividade!

A mensagem, portanto, desse meu texto, é que a comunicação empresarial nasce a partir de seu significado, de sua relevância e sua importância para todos que vivenciam a rede de relações na qual a empresa está mergulhada. É isso que faz a diferença e move os negócios na direção do sucesso ou do colapso.

Pensar no significado e no sentido das relações e da importância das coisas e do trabalho é um passo vital para que a comunicação empresarial – em todos os seus movimentos – faça a diferença para as pessoas. Afinal, as empresas são feitas pelas pessoas e, assim como já escreveu o médico e psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl, o que impulsiona o ser humano é buscar um sentido para a sua vida e realizar esse sentido no mundo real, das trocas e do trabalho.

As empresas também devem perceber sua razão social, seu significado e sentido para a sociedade e, assim, através da sua comunicação, traduzir sua missão e valores de forma relevante para as pessoas que nela trabalham ou com ela se relacionam. Sim, a psicologia tem muito a ajudar na comunicação, mas isso é pauta para outro texto.

Os artigos aqui apresentados não necessariamente refletem a opinião da Aberje e seu conteúdo é de exclusiva responsabilidade do autor.

Luiz Antônio Gaulia

Diretor da Race Comunicação. Jornalista. Palestrante. Professor da FGV Rio, ESPM SP, IBP e ABERJE.

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