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“A comunicação é o problema mais grave da mobilidade.”

Aberje

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Leão Serva, curador do Lab de Comunicação para Mobilidade (Imagem: Divulgação)

O jornalista e escritor Leão Serva é um homem em busca de propostas, soluções, mas, sobretudo, fatos que possam embasar boas discussões para o assunto no qual é um especialista: a mobilidade urbana. É em busca desses fatos que possam gerar novas ideias e soluções que ele abre, a partir desta quinta-feira (29/9), na sede da Aberje, o primeiro Lab de Comunicação para Mobilidade, uma realização da Aberje com a General Motors do Brasil, sob sua curadoria e com a participação de especialistas e inovadores no assunto.

O primeiro dos três encontros da série, Espaço, discutirá as políticas públicas e tendências do urbanismo e da arquitetura na elaboração das cidades do futuro com o professor da USP e ex-secretário de Transportes, Miguel Bucalem; o engenheiro e assessor da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Eduardo Vasconcellos; a jornalista e criadora do projeto Cidade para Pessoas, Natália Garcia; o urbanista Cândido Malta e o arquiteto e especialista em Planejamento do Metrô de SP, Luiz Antônio Cortez Ferreira.

Falando com o usuário cidadão

Ciente de que nenhuma iniciativa e política pública voltada à mobilidade é eficaz sem uma boa comunicação, Leão afirma que o Lab será uma excelente oportunidade de trocar experiências e soluções de comunicação que ajudem a construir uma nova realidade no setor. “A comunicação é o problema mais grave da mobilidade, é o problema não visível”, afirma o curador, que pretende contribuir para desmontar uma série de mitos e inverdades propagados pelos meios de comunicação. “A imagem que as pessoas têm do transporte público, por exemplo, é a de que ele está sempre lotado. Essa é a imagem que a mídia passa. Na verdade, os ônibus de São Paulo sofrem de outro problema: a maioria deles roda vazio.”

Desse mesmo problema sofre o metrô. “Criou-se um consenso que metrô é trem subterrâneo e São Paulo tem apenas 70 KM de metrô. Não é verdade. O metrô é um trem de alta-velocidade. São Paulo tem, na verdade, 300 KM de metrô. A CPTM, em São Paulo, fornece os mesmos serviços que o metrô.”

Mas a imprensa não é a único meio que tem falhado nessa área.

Leão critica também a maneira como os candidatos a prefeito de São Paulo têm comunicado o tema ao eleitor. “Num ambiente polarizado como está o nosso, essa questão tornou-se tema de disputa entre direita e esquerda, quando essa não é uma questão político-partidária”, afirma. “A redução da velocidade foi implantada tanto por prefeitos progressistas quanto conservadores nas principais cidades do mundo.”

Outra proposta que sempre norteou as políticas de mobilidade, a abertura de vias para diminuir o trânsito é, segundo o curador, na verdade, uma fonte geradora de intensificação do tráfego. “Ao contrário do que se costuma comunicar, você tem, na verdade, que fechar ruas para diminuir o trânsito”, afirma. “Na Inglaterra, levou-se quase meio século discutindo essa questão até se adotarem as políticas nesse sentido.”

O jornalista, que mantém uma coluna quinzenal no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo, vê, contudo, boas oportunidades para a comunicação da mobilidade – e a busca por novas ideias e soluções. “Tivemos bons exemplos recentes com o advento dos aplicativos, da rádio-trânsito, as pesquisas feitas pelo Metrô de São Paulo”, conta o curador que pretende, ao longo dos três encontros, integrar as experiências dos palestrantes convidados. “Nosso enfoque será a comunicação, buscando uma maneira de encontrar soluções nesse sentido.”

Lab de Comunicação para Mobilidade

O Lab começa nesta quinta-feira (29/9) e contará com mais dois encontros, em outubro e novembro. Para saber mais, acesse aqui.