A comunicação pessoal em tempo de pandemia
02 de outubro de 2020

Pessoalmente, quando nos comunicamos, usamos recursos derivados de várias fontes: da fala, das mãos, da postura corporal, do rosto.

Cada uma dessas fontes fornece recursos com significados próprios. A fala, por exemplo, se utiliza de diferentes entonações para dar significação ao conteúdo. Se alguém me oferece algo e eu, suavemente, digo ‘não quero, obrigado’, a recusa é entendida como normal. Mas se eu carrego no ‘não quero, obrigado’, posso levar o interlocutor a se perguntar por eu recusei a oferta.

Até o silêncio (o não-fala) tem significados, às vezes, conflitantes. Diante a uma pergunta, o silêncio pode significar tanto desprezo à pergunta, quanto não ter certeza ou ocultação de algo.

As mãos falam ora de confiança, ora de insegurança, ora de nervosismo, assim como a postura corporal nos diz sobre o interesse do interlocutor no assunto.

O rosto talvez seja a fonte que mais oferece significados. Os movimentos da boca, dos olhos, das sobrancelhas, da testa, das bochechas compõem a fisionomia que informa muitos estados, tais como, nível de ansiedade, de aceitação, de humor, etc, etc.

Assim a máscaras – que estamos usando por causa da pandemia – mutilaram a comunicação pessoal. Eu não posso usar a descontração da minha face para comunicar que estou de bem com a vida, ou saber se, atendeu, a resposta que dei à pergunta que me foi feita.

Antes da pandemia, com todos os recursos disponíveis, nós falávamos das dificuldades da comunicação entre os homens. Como será agora quando somente dispomos do piscar dos olhos e do franzimento da testa?

 

 
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