Cristiane Santos é diretora de Comunicação e Assuntos Corporativos da Pfizer.

05 de outubro de 2021

CLAREZA É
FUNDAMENTAL

Os comunicadores de saúde enfrentaram desafios específicos e precisaram agir com rapidez para corresponder às demandas criadas pela pandemia

Cristiane Santos

Cristiane Santos é diretora de Comunicação e Assuntos Corporativos da Pfizer.

Desde março de 2020 a Pfizer trabalha, em conjunto com a BioNTech, para buscar maneiras de combater a pandemia causada pela Covid-19. Nesse período, utilizou processos inovadores, como conduzir em paralelo as etapas do desenvolvimento de uma vacina, sempre focada na ética e na segurança, para obter resultados de forma mais rápida. Desde que a empresa anunciou o acordo com a BioNTech para iniciar o desenvolvimento de um imunizante até a submissão do pedido de uso emergencial nos Estados Unidos se passaram apenas 248 dias. É um tempo histórico de desenvolvimento de uma vacina.

Nesse período, os comunicadores também tiveram de lidar com seus próprios desafios: como agir diante de uma pandemia dessa magnitude, com tamanho impacto social, e como reagir à enxurrada de informações amplificadas pelos novos canais de comunicação. Diante disso, a comunicação abraçou os objetivos de se reinventar e de trabalhar com mais rapidez.

Em nosso setor, o foco foi falar com mais clareza e de maneira ainda mais didática sobre o papel da ciência para a população. A ideia de que saúde é importante e tem impacto em todos os outros aspectos da vida ficou muito mais evidente. Se eu não tenho saúde, há quedas relevantes nas performances de todos os setores, social, educacional, econômico… Esse fato reforçou a importância da ciência para a manutenção da saúde.

A grande inovação para a comunicação foi descobrir como falar de coisas complexas de maneira mais simples. Do dia para a noite, assuntos que antes não tinham nenhum interesse, como fases de desenvolvimento de uma vacina ou sua eficácia, tornaram-se corriqueiros e, para comunicar as informações com clareza, a equipe precisou traduzir a inovação, muitas vezes por meio de vídeos, uso de dados e gráficos, para uma linguagem que todos – público leigo, imprensa, integrantes do governo, sociedades médicas, associações de pacientes – pudessem entender.

A pandemia também exigiu um uso mais amplo do ambiente virtual. A equipe de comunicação já havia tentado, por exemplo, fazer eventos e coletivas online no passado, mas a ideia nunca havia sido bem recebida porque a preferência pelos eventos ao vivo sempre foi maior. A pandemia mostrou que não vale a pena brigar com a realidade. O jeito é abraçar as ferramentas e usar o que essa inovação tem de melhor para continuarmos nos comunicando. Claro que, no futuro, não será preciso viver exclusivamente no ambiente virtual. É possível que o mundo se torne mais híbrido, mas essa experiência pode facilitar a vida de jornalistas e outros profissionais que antes não conseguiam participar por questões variadas. Da mesma maneira, percebemos que a cobertura da imprensa hoje é muito mais diversificada. As pessoas não precisam mais, por exemplo, estar frente a frente com o repórter ou ir até um estúdio para falar na televisão ou no rádio. A tecnologia ajudou a democratizar também o acesso às fontes, trazendo visões de todo o país.

Quanto mais complexa a ciência, mais vamos precisar de ferramentas de comunicação que nos ajudem a traduzir o que são as novas tecnologias e suas aplicações na saúde. A pandemia abriu as portas para algumas oportunidades. Empresas como a Pfizer se tornaram mais conhecidas do público e puderam falar de ciência e da contribuição que seus medicamentos e vacinas podem dar à sociedade. Na comunicação, os aprendizados sobre melhores maneiras de apresentar dados complexos poderão ser replicados também para outras áreas como a oncologia e a terapia gênica, por exemplo, nas quais medicamentos personalizados podem atuar na mutação específica de um gene.

“Inovações só funcionam se todas as pessoas
conseguem usufruir plenamente delas”

É verdade que a crise trouxe aprendizados e inovações que devem permanecer, como o resgate da importância da ciência e da saúde pública para a sociedade. Por outro lado, enquanto todos falam de Covid-19, outras doenças são negligenciadas. Elas não pararam de acometer os pacientes, mas estão sendo menos diagnosticadas. Além disso, houve também uma grande queda na cobertura vacinal de enfermidades como sarampo, pneumonia e meningite. Claro que as pessoas estão com medo e sem saber muito bem como agir. Por isso, parte dos esforços dos comunicadores da área é pensar em ações junto aos profissionais de saúde para alertar sobre essas questões.

Outro fator importante na comunicação de saúde foi a luta contra as fake news e a disseminação de informações claras sobre a eficácia das vacinas. Abordamos o assunto no site, respondemos a todas as questões nas redes sociais da empresa e no canal direto com o consumidor e realizamos ações com associações de pacientes. O trabalho precisa ser uniforme, e a equipe está sempre atenta às informações incorretas que surgem para corrigi-las rapidamente.

Há três anos a Pfizer havia feito, por exemplo, a campanha “Mais do que um palpite”, focada em mitos da saúde infantil. Hoje esse trabalho de combate às fake news está ainda mais intenso, utilizando campanhas, como a “Tomar para retomar”, sobre a importância da vacinação contra a Covid-19, e parcerias com veículos de comunicação. A Pfizer também é signatária da frente contra fake news da Aberje e trabalha contra elas internamente, explicando aos funcionários a necessidade de checar a veracidade das informações que recebem.

Logo que a pandemia começou, a empresa lançou uma iniciativa chamada “A ciência vencerá”, com exemplos que mostram que a ciência sempre encontra uma saída para as crises de saúde. A partir do momento em que a comunicação é constante e clara, conseguimos conscientizar as pessoas e mostrar que não só a Pfizer, mas várias outras empresas estão trabalhando por essa causa. As corporações precisam assumir seu papel social e se posicionar sobre todos os temas importantes para a sociedade, como o racismo, a diversidade e a democracia. Afinal, as inovações só funcionam se todas as pessoas conseguem usufruir plenamente delas.

 

*Os artigos assinados na revista não necessariamente refletem a opinião da entidade e são de exclusiva responsabilidade dos autores
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