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	<title>Democracia e Comunicação &#8211; Portal Aberje</title>
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	<title>Democracia e Comunicação &#8211; Portal Aberje</title>
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	<item>
		<title>Chegada do 5G promete ser disruptiva e literacia digital da força de trabalho deve ser prioridade</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/chegada-do-5g-promete-ser-disruptiva-e-literacia-digital-da-forca-de-trabalho-deve-ser-prioridade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcela Canavarro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 May 2022 14:00:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[No mundo empresarial, há dois tipos de empresas: aquelas que estão capacitando seus funcionários para a transformação digital em curso e aquelas que terão que capacitá-los muito em breve. Não importa em qual grupo sua empresa esteja, é bem provável que a chegada do 5G &#8211; internet móvel de altíssima velocidade &#8211; mude (quase) tudo...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No mundo empresarial, há dois tipos de empresas: aquelas que estão capacitando seus funcionários para a transformação digital em curso e aquelas que terão que capacitá-los muito em breve. Não importa em qual grupo sua empresa esteja, é bem provável que a chegada do 5G &#8211; internet móvel de altíssima velocidade &#8211; mude (quase) tudo que você conhece no digital.</p>
<p>O avanço das tecnologias 2G, 3G e 4G incorporaram novos usos da internet e de dispositivos digitais, assim como novos protocolos culturais de uso, principalmente com a massificação de dispositivos móveis. O crescimento de conteúdo multimídia e de vídeo (inclusive com alta resolução) é um dos impactos da melhoria da velocidade da internet. A conexão 24/7, não importa onde estejamos, também é resultado do avanço da tecnologia nos dispositivos móveis e na conexão à internet.</p>
<p>Mas especialistas apontam que as mudanças que o 5G vai trazer são ainda mais disruptivas. Temas como cidades inteligentes, internet das coisas e casas inteligentes devem avançar com mais rapidez, gerando usos diferenciados e fomentando o surgimento de novos produtos e serviços. As organizações devem se atentar ao fato de que estes não são apenas processos tecnológicos. Dizem respeito, essencialmente, a pessoas, já que são elas que farão usos mais (ou menos) inovadores a depender do grau de familiaridade com os processos e tecnologias envolvidos.</p>
<p>O desafio corporativo não é apenas conseguir se adiantar às novas tendências, mas também ter equipes prontas para fazer o melhor uso delas, tanto internamente quanto no diálogo com seus públicos externos &#8211; clientes, fornecedores, formadores de opinião e outros stakeholders de fora da organização.</p>
<p>Uma pesquisa do Gartner indica que, entre os maiores desafios para 2022, apontados por líderes corporativos ao redor do mundo, está a literacia digital da força de trabalho. Segundo o relatório do estudo, “negócios digitais bem-sucedidos requerem uma literacia para os dados por parte da força de trabalho e uma cultura <em>data-driven</em> para direcionar a mensuração dos resultados dos negócios”.</p>
<p>O Gartner aponta também que a área de <em>data &amp; analytics</em> pode atuar como catalisadora de transformações mais profundas no modelo de negócios, na experiência do cliente, na tomada de decisão da organização, nas capacidades de atuação da empresa e em seus modelos de operação &#8211; este último, em especial, bastante dependente da cultura organizacional, que deve fomentar a literacia dos funcionários em relação a esses novos protocolos de produção e cultura.</p>
<p>Poucas tecnologias terão mais impacto na geração de dados do que o 5G. Com o aumento exponencial na velocidade de conexão, a internet será ainda mais presente &#8211; não apenas nos celulares e dispositivos móveis que nos acompanham por todos os lados, mas também em objetos dentro de casa, do trabalho e no dia a dia das cidades. Com a chegada do 5G, eles deixam de ser apenas objetos para virarem dispositivos conectados à internet ultra rápida, gerando dados em novos contextos e serviços que são hoje inexistentes.</p>
<p>É hora de gestores e tomadores de decisão empresarial escolherem se irão liderar essa nova onda ou ser engolidos pelo tsunami. E sua empresa, já decidiu de que lado vai estar?</p>
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		<title>Debate ambiental reserva uma oportunidade para marcas e empresas se posicionarem com desenvoltura</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/debate-ambiental-reserva-uma-oportunidade-para-marcas-e-empresas-se-posicionarem-com-desenvoltura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcela Canavarro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Dec 2021 14:00:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já se sabe que a pauta ambiental tem crescido no debate público e é especialmente apelativa entre as novas gerações, que nasceram em um mundo preocupado com aquecimento global, agrotóxicos e desenvolvimento sustentável. Agora, um amplo estudo realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) traz alguns detalhes sobre...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Já se sabe que a pauta ambiental tem crescido no debate público e é especialmente apelativa entre as novas gerações, que nasceram em um mundo preocupado com aquecimento global, agrotóxicos e desenvolvimento sustentável. Agora, um amplo estudo realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) traz alguns detalhes sobre como esse debate público acontece nas redes sociais. O estudo pode ajudar a guiar marcas e empresas para navegarem neste tema com mais desenvoltura.</p>
<p>Um dos destaques da análise da FGV DAPP foi a enorme variedade temática em torno da agenda verde. De energias renováveis a tecidos ecológicos para roupas, de educação ambiental à crítica política: quase tudo cabe. Tanta variedade, na verdade, reflete a proximidade da pauta ambiental com praticamente todos os fatores da vida em sociedade. Enquanto alguns grupos focam, por exemplo, suas publicações na preservação das florestas, outros acompanham a evolução tecnológica como a aposta para manter o ar, os mares, os rios e a terra mais limpos e preservados.</p>
<p>Além da variedade, a correlação temática também marca o debate público ambiental. Dificilmente um dos temas analisados aparece sozinho. Pelo contrário, a análise mostra que os temas ambientais costumam ser tratados fazendo referência a outras sub-temáticas da agenda verde. Isso demonstra a complexidade inerente ao tema e traz um alerta para marcas e empresas: se não for vista e tratada de forma holística, qualquer ação em torno da agenda verde estará, na melhor das hipóteses, incompleta e superficial.</p>
<p>Os temas analisados pelos pesquisadores da FGV DAPP foram tecnologias e meio ambiente; agricultura familiar; crise hídrica e questões energéticas; incêndios e danos ambientais; e governo, políticas públicas e sociedade civil. Foram coletadas aproximadamente 12 milhões de publicações, entre junho e setembro de 2021, no Twitter e no Facebook. A metodologia do estudo combinou processamento computacional e análise manual feita pelos pesquisadores.</p>
<p>A transversalidade temática é especialmente notada no tema tecnologias e meio ambiente, que engloba assuntos como fontes renováveis de energia, moda, consumo consciente, educação ambiental, bioeconomia, emissão de carbono, ESG (do inglês<em> Environmental, Social and Governance</em>) no mundo corporativo, economia circular e a agenda política nacional.</p>
<p>Nesta temática, entre as palavras muito frequentes, aparecem “produzir”, “pesquisa”, “tecnologia”, “sustentabilidade”, “desenvolvimento”, “projeto” e “futuro”, indicando que o debate público considera as tecnologias como fatores-chave para um futuro ambientalmente seguro. O debate sobre tecnologias e meio ambiente no Facebook acumulou 94.883 publicações, postadas em 24.837 grupos e páginas públicas, e que atraíram 6.835.399 interações.</p>
<p>A variedade de perfis envolvidos também foi notória, incluindo empresas e veículos de informação, políticos, organizações governamentais e não-governamentais, universidades e outras instituições educacionais, indústrias e marcas de diferentes setores. Os perfis noticiosos são, como esperado, um dos destaques. Mas também são numerosos os perfis ligados à moda e à educação ambiental. Nesses perfis, foram destaques as abordagens sobre consumo consciente, como moda sustentável, eletrodomésticos de baixo consumo e veículos que não usam combustíveis fósseis, além de emissão de carbono/aquecimento global, bioeconomia e ecoturismo.</p>
<p>Com tantas temáticas com que trabalhar, potencialmente, qualquer marca ou empresa pode participar do debate, mostrando a seus consumidores e clientes que compartilha da preocupação corrente com o futuro do planeta. Sua empresa está preparada?</p>
<p>Para acessar o estudo da FGV DAPP, <a href="https://democraciadigital.dapp.fgv.br/estudos/debate-publico-digital-e-agenda-verde/" rel="nofollow noopener" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
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		<title>O que é a fake science e por que ela pode gerar danos à comunicação empresarial?</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/o-que-e-a-fake-science-e-por-que-ela-pode-gerar-danos-a-comunicacao-empresarial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcela Canavarro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Aug 2021 14:30:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O protagonismo das plataformas de redes sociais no debate público tem trazido desafios às organizações, em especial aquelas com forte inclinação para as Relações Públicas e Relações Governamentais. Além de ocupar espaço nas redes e de fomentar o debate positivo sobre sua marca, as organizações também têm que gerir sua comunicação sob o rol de...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O protagonismo das plataformas de redes sociais no debate público tem trazido desafios às organizações, em especial aquelas com forte inclinação para as Relações Públicas e Relações Governamentais. Além de ocupar espaço nas redes e de fomentar o debate positivo sobre sua marca, as organizações também têm que gerir sua comunicação sob o rol de incertezas e ameaças que as<em> fake news</em> e as chamadas <em>deep fakes</em> &#8211; vídeos alterados digitalmente para falsear a voz e a fisionomia das pessoas &#8211; trazem em processos cotidianos de informação e comunicação organizacional.</p>
<p>Pesquisas recentes apontam a ascensão de um tipo peculiar de desinformação: aquela que se traveste de discurso científico &#8211; na forma como se apresentam os dados, mas não na metodologia de coleta e análise, que em muito difere do método científico definidor do que é Ciência &#8211; para defender e evidenciar seus pontos de vista. A chamada <em>fake science</em> já era presente nas redes em grupos como os “anti-vax” (do inglês <em>antivacina</em>), mas ganharam mais força e ampliaram seu espaço durante a pandemia de Covid-19. Mas o que isso tem a ver com sua organização?</p>
<p>Embora as pesquisas mencionadas foquem em processos de desinformação com falsa ciência relacionados à Covid-19, as organizações devem estar atentas ao desenrolar desses processos em áreas diversas de negócios. Isso ajudará a evitar, pelo menos, duas armadilhas: (1) utilizar falsa ciência para embasar suas decisões estratégicas; e (2) participar, como fonte, de publicações que não sigam o método científico, mas que se apresentem como pesquisa científica. Em ambos os casos, os danos à organização podem ser enormes.</p>
<p>Na primeira situação, toda estratégia de negócios pensada por áreas técnicas pode estar equivocada <em>a priori</em>, já que utilizar falsa pesquisa científica leva a uma alta probabilidade de basear seu planejamento em dados falsos, descontextualizados, exagerados ou inválidos. Isso põe por terra todo o esforço analítico de aplicar esses dados à realidade do negócio e aos desafios organizacionais em foco. E, pior ainda, pode levar a organização a executar estratégias erradas.</p>
<p>Na segunda situação, a crise reputacional para a empresa pode ser a longo prazo, ou até mesmo impossível de reverter por completo. Em tempos de linchamento virtual e cancelamento de pessoas e marcas que não agem conforme deseja a “grande juíza Internet”, ser fonte em uma falsa pesquisa pode repercutir muito mais rápido do que a capacidade da organização de esclarecer que foi mais uma vítima da <em>fake</em> <em>science</em>. E, mesmo que consiga colocar os pingos nos is e provar que não teve a intenção de ludibriar o público, na melhor das hipóteses, será vista como ingênua ou despreparada para reconhecer a falsidade do projeto em que se implicou.</p>
<p>Mas afinal o que dizem os estudos que apontam a ascensão da <em>fake science</em>? O estudo da FGV DAPP &#8211;  lançado no fim de julho de 2021 intitulado por <a href="https://bit.ly/3CjDhX7" rel="nofollow noopener" target="_blank">“</a><a href="https://bit.ly/3CjDhX7" rel="nofollow noopener" target="_blank"><em>(Pseudo)Ciência e Esfera Pública: reivindicações científicas sobre Covid-19 no Twitter”</em></a> &#8211; relembra que a cultura participativa que emergiu na Web 2.0  permite e incentiva a customização e a produção de conteúdo pelos próprios usuários, o que levou ao progressivo questionamento das tradicionais figuras de autoridade. Ao invés do especialista detentor de diplomas formais e qualificações acadêmicas, a cultura participativa das redes valoriza a experiência empírica e a inteligência coletiva, partindo do princípio de que o conhecimento é mais rico quando abarca porções de conhecimento de diversas pessoas, que trabalham em consonância com um objetivo comum. A perspectiva outrora otimista sobre a relativização do paradigma do<em> expert</em> deu lugar a uma grande preocupação com o declínio do estatuto da verdade e da cientificidade, gerando confusão nas pessoas e, ao mesmo tempo, favorecendo estratégias políticas duvidosas e até enganosas.</p>
<p>Nesse estudo, os pesquisadores da FGV DAPP mostram que os sites hiperpartidarizados &#8211; frequentemente apontados como responsáveis pela circulação de conteúdos enganosos &#8211; compartilham mais links que reivindicam o estatuto científico em comparação com outros canais, embora muitos deles sejam falsamente chamados de Ciência. Nos grupos negacionistas, evidencia o estudo, o tempo de circulação desses links também é maior do que nos outros agrupamentos. Isso sugere que, embora neguem, de forma ampla e genérica, a Ciência como uma das principais fontes de conhecimento, esse grupo reivindica o estatuto científico para defender suas posições específicas. No entanto, com frequência, os sites que hospedam tais links são desmentidos por serviços profissionais de jornalismo e <em>fact-checking</em>, já que “não passaram pelos filtros informativos da imprensa tradicional e pelo crivo da comunidade científica estabelecida”, afirma a pesquisa.</p>
<p>Os resultados da pesquisa da FGV DAPP dialogam com  outros dois estudos também lançados em julho. No artigo<em> “Those on the Right Take Chloroquine”: The Illiberal Instrumentalisation of Scientific Debates during the COVID-19 Pandemic in Brasil </em>(em tradução livre, “Aos que têm direito a tomar cloroquina”: a instrumentalização autoritária do debate científico durante a pandemia de Covid-19 no Brasil), pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) apontam que, durante a pandemia de Covid-19, o perfil do governo federal brasileiro no Twitter fez uso de teorias conspiratórias com posturas conservadoras, individualistas e autoritárias, respaldadas por  reivindicações científicas, com o objetivo de legitimar certos argumentos e descredibilizar outros.</p>
<p>Pesquisadores do grupo NetLab, da Escola de Comunicação da UFRJ, também alcançaram achados semelhantes. Neste estudo, apontou-se que, ao longo da pandemia, grupos sociais da ala bolsonarista promoveram <em>fake Science </em>a partir de gêneros do domínio jornalístico, fazendo circular conteúdos inverídicos  e fontes falsas que simulam a linguagem científica para legitimar a suposta eficácia de fármacos preventivos contra a Covid-19, como a ivermectina e a cloroquina.</p>
<p>Esses estudos convergem para mostrar como a Ciência sofre ataques e, ao mesmo tempo, passa por um processo de esvaziamento &#8211; sustentado por reconfigurações do uso de autoridades científicas, por pseudociência e <em>fake science </em>&#8211; nas plataformas digitais. O que convoca as instituições a traçar planos estratégicos guiados por conhecimentos e métodos científicos reconhecidos, os quais podem prever resultados e afastar-se de danos catastróficos ocasionados pela <em>fake science no </em>mundo dos negócios.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Aumentam as vozes que buscam uma articulação entre a floresta em pé e o crescimento econômico</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/aumentam-as-vozes-que-buscam-uma-articulacao-entre-a-floresta-em-pe-e-o-crescimento-economico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jul 2021 14:00:23 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-66291" src="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280.jpg" alt="" width="1280" height="853" srcset="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280.jpg 1280w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280-300x200.jpg 300w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280-1024x682.jpg 1024w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280-768x512.jpg 768w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280-200x133.jpg 200w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/07/reservoir-4730209_1280-350x233.jpg 350w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a></p>
<p>Há pouco tempo, a temática do meio ambiente e da economia estavam em lados opostos nas discussões sobre desenvolvimento. Foi nas últimas décadas do século XX que a comunidade internacional entendeu que um caminho de articulação poderia render mais avanços do que uma insistente disputa. Nesse contexto, ganha forma e força o comportamento corporativo alinhado às práticas que estão sob a rubrica ESG (<em>Environmental</em>,<em> Social, Governance</em>): padrões, serviços, investimentos, protocolos e modelos que podem colocar em conversa, em vez de enfrentamento, a necessidade de uma política ambiental consistente e o crescimento econômico.</p>
<p>O tema foi debatido durante o webinar <a href="https://www.youtube.com/watch?v=yDJoL8FWg9Q" rel="nofollow noopener" target="_blank">“Comunicação e desenvolvimento sustentável: a imagem da política ambiental e das mudanças climáticas nas mídias sociais”</a>, organizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP), com apoio da Embaixada da Alemanha em Brasília. A iniciativa faz parte do projeto <a href="https://democraciadigital.dapp.fgv.br/" rel="nofollow noopener" target="_blank">Democracia Digital</a>. Na ocasião, representantes do poder executivo, do terceiro setor, da academia e da imprensa discutiram a importância da comunicação digital no âmbito da formulação, implementação e promoção de políticas ambientais no Brasil.</p>
<p>Durante o evento, <strong>Helder Barbalho</strong>, governador do Pará e membro do Fórum de Governadores da Amazônia Legal, defendeu uma comunicação pública que, além de combater a desinformação entre os produtores rurais, evidencie a coexistência entre a floresta em pé e o crescimento econômico. Alexander Bonde, secretário-geral da Fundação Alemã para o Meio Ambiente (DBU), exemplificou a questão ao afirmar que, na Alemanha, a articulação entre a política econômica e a política ambiental está permitindo o desenvolvimento de um mercado de tecnologias ambientais. Ele atribuiu esse cenário a um amplo apoio da opinião pública, em muito mobilizada nas redes sociais.</p>
<p>O engajamento da sociedade civil, de acordo com <strong>Vivian Fasca</strong>, diretora de fundraising do Greenpeace Brasil, é imprescindível para comunicar a centralidade do desenvolvimento sustentável. Em sua fala, ela destacou o papel das mídias sociais para introduzir essas questões no repertório da população. O jornalista e secretário-executivo da Repórter Brasil <strong>Marcel Gomes</strong> acrescentou que alimentar a opinião pública, no Brasil, é uma tarefa mais complexa do que tornar esses assuntos conhecidos. Para ele, mais do que pautar a temática na imprensa, por exemplo, é necessário municiar os diferentes atores de dados e informações capazes de fundamentar a construção dessa opinião pública.</p>
<p><strong>Paulo Nassar</strong>, diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), em sua participação no webinar, reforçou o papel que os atores têm na circulação dessas discussões, considerando que os usos que fazem das mídias sociais ampliam o debate público. Nesse sentido, afirmou que podemos pensar em um uso dos dispositivos digitais a partir de novos rituais de informação, práticas que proporcionem uma adoção estratégica da comunicação não como um embate, mas como uma interlocução. Ele concluiu dizendo que ser estratégico é promover diálogos.</p>
<p>Estudos da FGV DAPP têm corroborado essa ideia, à medida que mostram a atuação de usuários de mídias sociais na circulação de tópicos relacionados ao meio ambiente. Em junho de 2021, foi identificado um aumento no número de perfis e interações de ativistas e organizações ambientais no período analisado. De acordo com a pesquisadora <strong>Sabrina Almeida</strong>, as análises apresentaram presença relevante – em interações e número de participantes – de perfis que se organizaram em torno da pauta da mudança climática. Tuítes virais chamaram a atenção para o desequilíbrio climático (vinculado aos recordes de temperaturas registradas recentemente em diferentes países), ironizando argumentos que desacreditam o aquecimento global. Os dados revelaram, ainda, que esse grupo de atores engajados nos temas ambientais trouxeram à discussão reflexões sobre a possibilidade de um racionamento elétrico em função da crise hídrica atual. Tal achado, para a pesquisadora, sinaliza uma perspectiva que articula o argumento econômico com pautas e políticas ambientais.</p>
<p>Desse modo, embora a construção narrativa de interlocução seja um grande desafio, sobretudo no âmbito da comunicação digital, ficam cada vez mais visíveis suas condições de possibilidade, dentre as quais se destacam: o desenvolvimento de uma comunicação pública coerente, o uso estratégico da comunicação digital e o engajamento da sociedade civil em tais discussões.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O desafio do ciberpopulismo para a democracia brasileira</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/o-desafio-do-ciberpopulismo-para-a-democracia-brasileira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrés Bruzzone]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Jun 2021 14:00:06 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.aberje.com.br/?post_type=blog&#038;p=63619</guid>

					<description><![CDATA[O ciberpopulismo é uma ameaça real à democracia. Mata e destrói, provoca sofrimento, diminui as nações, afasta as pessoas, limita a inteligência. Meu livro, Ciberpopulismo &#8211; Política e democracia no mundo digital (Editora Contexto), propõe abordar o impacto da comunicação digital em rede nas democracias e a polarização desde uma óptica que sirva para orientar...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-63971" src="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280.jpg" alt="" width="1280" height="757" srcset="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280.jpg 1280w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280-300x177.jpg 300w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280-1024x606.jpg 1024w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280-768x454.jpg 768w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280-200x118.jpg 200w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/handshake-3382503_1280-350x207.jpg 350w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a></p>
<p>O ciberpopulismo é uma ameaça real à democracia. Mata e destrói, provoca sofrimento, diminui as nações, afasta as pessoas, limita a inteligência. Meu livro, Ciberpopulismo &#8211; Política e democracia no mundo digital (Editora Contexto), propõe abordar o impacto da comunicação digital em rede nas democracias e a polarização desde uma óptica que sirva para orientar a análise e a articulação de antídotos.</p>
<p>Para entender o fenômeno é necessário um conceito de comunicação além da mera troca de mensagens entre um emissor e um receptor: é um traço existencial do ser humano. A Humanidade e o indivíduo se constituem na comunicação. Somos <em>homo communicans</em>: a comunicação é nosso diferencial evolutivo, aquilo que permitiu a sobrevivência da espécie e que está por trás do desenvolvimento das capacidades humanas.</p>
<p>Se a comunicação constitui a humanidade e os indivíduos, então alterações nos modos de comunicar mudam o jeito de ser humano. Os avanços na tecnologia têm impacto profundo na maneira em que nos relacionamos com nossos semelhantes, mas também na constituição de nossas identidades individuais e coletivas. Identidade, segundo a Filosofia Hermenêutica, é uma narração, a história que cada um conta sobre si mesmo a si próprio e aos outros; há identidades individuais e também identidades coletivas. Assim, podemos dizer que &#8220;somos com, para e pelos outros&#8221;. O individualismo, que ignora a dimensão plural do ser humano, é causa de sofrimento individual e coletivo. Por isso, não basta ter os meios para nos comunicarmos com qualquer humano do planeta, é mister dar lugar ao que alguns povos africanos chamam <em>ubuntu</em>: uma forma de entender o mundo que não pode prescindir dos outros seres que me rodeiam, me antecedem e irão me suceder.</p>
<p>Uma nação é uma identidade coletiva que se conta a partir de fatos fundadores (guerras, revoluções…) e de heróis e figuras históricas. Sustentam essa identidade as instituições (as leis, a Constituição&#8230;), a língua e alguns acordos comuns, sempre em revisão. A comunicação sustenta esses acordos e os mantém atualizados. Conflitos e convergência de interesses resolvem-se com base nos acordos comuns. A democracia é uma forma de regular os conflitos no interior de uma sociedade com base nesses acordos, que sempre têm formato de narração pois se inserem na identidade coletiva da nação. Assim, na luta pelo poder, a elaboração de narrativas é fator central.</p>
<p>A disputa pelos meios de formar opiniões e visões de mundo remonta à origem das sociedades humanas. É o que se chama de<em> poder simbólico</em>. Por séculos, a Igreja teve um quase monopólio deste poder, que negociava com os governantes seculares: o mundo era entendido da maneira em que diziam as Escrituras, interpretadas e narradas pelos representantes de Deus na Terra. Este poder vinha do domínio dos canais de comunicação, que eram a reprodução manual de livros e os sermões nas igrejas. A invenção da imprensa de tipos móveis alterou os fundamentos desse poder e provocou um desenvolvimento acelerado das ciências e dos modelos de organização do coletivo. O capitalismo e a democracia nasceram junto com os meios de comunicação que viriam, mais tarde, constituir o sistema chamado de <em>mass media.</em> Os meios de comunicação passaram a ocupar um lugar central no desenvolvimento das nações modernas, no século XX.</p>
<p>Mas o mundo mudou e o sistema de meios foi fortemente alterado pela nova economia; vinte anos atrás, era impensável um candidato ganhar a eleição contra os maiores grupos midiáticos de um país. Isso não é mais verdadeiro, no Brasil e em muitos outros países, e a mudança tem consequências para o sistema democrático. Há avanços e retrocessos que estão diretamente ligados com a maneira de se comunicar, com a possibilidade real de influenciar nos acordos que fundamentam a identidade coletiva e as identidades individuais. A concentração de poder em umas poucas empresas transnacionais (que fogem ao controle do Estados) e o acesso a recursos ainda não regulamentados e sem controles públicos gera distorções no desenvolvimento das democracias. Tradicionalmente, o sistema dos <em>mass media</em> servia como mediador, filtrando as mensagens e impedindo que vozes antidemocráticas ganhassem visibilidade e relevância. Da mesma maneira o sistema de partidos políticos filtrava as vozes dos extremos, impedindo ou tornando muito difícil a chegada de candidatos antissistema ao poder efetivo. Mas a sociedade digital eliminou ou reduziu o papel dos intermediários: os meios de comunicação e os partidos políticos perderam o protagonismo que tiveram no século XX.</p>
<h4><strong>Ciberpopulismo, o que é</strong></h4>
<p>O populismo é uma estrutura narrativa que põe em jogo um inimigo, um povo e um salvador: o inimigo e o povo mudam de forma e de figura segundo as necessidades do salvador, que é sempre aquele que quer se apossar do poder. A comunicação em rede e a ciência de dados permitem chegar de maneira muito bem direcionada em cada pessoa, potencializando o efeito já forte da narrativa populista em níveis antes inimagináveis. Assim, a combinação de uma técnica narrativa tão antiga como a democracia, o populismo, com as tecnologias mais modernas de comunicação, deu lugar à irrupção de um novo movimento político de dimensões globais. Se o populismo tradicional tinha elegido e sustentado Hitler, Mussolini, Perón e Chávez, a versão em rede serviu para colocar no poder gente como Trump e Bolsonaro.</p>
<p>Alguns paradoxos dificultam a análise. A comunicação digital em rede abriu espaço para que pessoas normalmente silenciosas ou silenciadas pudessem se manifestar: gente que não militava nas ruas passou a reproduzir suas opiniões nas redes sociais. Grupos sub-representados pela política tradicional e ameaçados ou silenciados pela democracia moderna ganharam voz. As massas operárias pauperizadas das regiões industriais da Europa e dos Estados Unidos, o “homem comum” brasileiro, o cidadão que normalmente se manifestava apenas no voto, maioria silenciosa que olhava com desconfiança os movimentos identitários, os avanços da globalização e a modernização dos costumes. Mas, por outro lado, um aproveitamento intencional da força do ódio e da indignação fez com que o ruim virasse combustível da política. Conflitos ancestrais se atualizaram nas redes sociais, onde cancelar, provocar e insultar viraram verbos aceitáveis para um grande número de cidadãos que na vida normal são pessoas amáveis e gentis. A homofobia saiu do armário, a ficção da sociedade mista deu lugar ao racismo concreto. O espelho das primeiras eleições brasileiras sob o signo da ciberpolítica mostrou um rosto assustadoramente feio. Onde se podia esperar que a comunicação otimizada e a transparência rendessem mais democracia, comprovamos o efeito inverso.</p>
<p>O ciberpopulismo demanda e alimenta uma fratura, uma cisão da sociedade. Sem um inimigo, não há um salvador do povo e todo o edifício populista cai por terra. Por isso, transformar o adversário em inimigo, promover uma fratura na sociedade e sustentar uma polarização são indispensáveis. Vemos isso acontecendo no Brasil. Havia uma polarização PT-Anti PT e hoje a essa, que ainda está instalada, soma-se uma outra: democracia- anti-democracia. Essa dupla polarização entre extremos assimétricos irá marcar a próxima eleição.</p>
<p>Sair da armadilha da polarização é certamente mais difícil do que cair nela. No curto prazo, nem há como: uma polarização que tenha como seu oposto um projeto autoritário e manifestamente oposto às instituições é necessária. Já no médio e longo, as chances são poucas e exigirão diálogo e pluralismo, praticar o pensamento crítico e aprender a escutar. Precisaremos aceitar o diverso e buscar as razões profundas da ira e da indignação dos excluídos, cultivar o exercício de se colocar no lugar do outro, mesmo aquele outro que fez uma escolha tão diversa da minha. Sem isso tudo, não há como voltar a uma democracia plena nem há chances de uma restauração da sociedade. Mas o que mais precisa o Brasil para sobreviver aos desafios que ele mesmo se colocou é praticar o ubuntu: saber que não há quem possa viver sem os outros.</p>
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		<title>Comunicação de nicho e radicalização da esfera pública</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/comunicacao-de-nicho-e-radicalizacao-da-esfera-publica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Victor Piaia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2021 14:30:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Não há dúvidas de que a esfera pública sofreu profundas alterações na última década. O aumento da circulação de discursos ofensivos e teorias conspiratórias, o acirramento da hostilidade nas interações e um clima de cobrança constante em relação às atividades em ambientes digitais são alguns dos desafios enfrentados por empresas, instituições e usuários comuns atualmente....]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-62390" src="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao.jpg" alt="" width="1280" height="853" srcset="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao.jpg 1280w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao-300x200.jpg 300w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao-1024x682.jpg 1024w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao-768x512.jpg 768w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao-200x133.jpg 200w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/06/mundo-planeta-conexao-350x233.jpg 350w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a></p>
<p>Não há dúvidas de que a esfera pública sofreu profundas alterações na última década. O aumento da circulação de discursos ofensivos e teorias conspiratórias, o acirramento da hostilidade nas interações e um clima de cobrança constante em relação às atividades em ambientes digitais são alguns dos desafios enfrentados por empresas, instituições e usuários comuns atualmente.</p>
<p>É importante colocar esse processo em perspectiva. Desde sua configuração mais inicial, entre o final dos anos 1990 e o início dos 2000, a web sempre serviu como repositório dos mais variados argumentos, teorias e formas de expressão. O acesso a esses nichos, no entanto, estava condicionado à curiosidade e à expertise dos usuários para encontrá-los. Ou seja, procurando, tudo se achava, mas esse processo apresentava custos maiores de envolvimento, tempo e interesse.</p>
<p>A web social &#8211; marcada pela emergência de plataformas como Facebook, WhatsApp, Twitter, Instagram e YouTube como o principal espaço de interação digital &#8211; altera esse cenário de modo profundo. Progressivamente, temas e questões que usualmente estavam restritos aos nichos digitais passam a ocupar espaço no debate público mais amplo, invadindo cotidianamente os smartphones, grupos de WhatsApp e feed de notícias de boa parte da população. Como consequência desse fenômeno, por exemplo, nota-se a maior presença de grupos radicalizados no debate público, com pautas, vocabulários e narrativas frequentemente ofensivas e antidemocráticas.</p>
<p>As plataformas têm sofrido pressão de governos e entidades da sociedade civil por uma atuação mais incisiva na contenção da circulação desses discursos, com pedidos por medidas que melhorem a qualidade do debate público. As primeiras ações nesse sentido geraram reações e críticas de grupos radicalizados que adotaram como resposta a migração para redes alternativas, como o Parler.</p>
<p>Esse movimento e as características da comunicação nessas novas plataformas sociais de nicho são objetos de um estudo realizado pela FGV DAPP, no âmbito do projeto <a href="https://democraciadigital.dapp.fgv.br/" rel="nofollow noopener" target="_blank">Digitalização e Democracia</a>, em parceria com a Embaixada da Alemanha no Brasil. No <a href="https://democraciadigital.dapp.fgv.br/estudos/o-parler-e-o-ecossistema-de-direita/" rel="nofollow noopener" target="_blank">estudo</a>, intitulado A Extrema Direita Global: Brasil estabelece ecossistema próprio no Parler e mimetiza extrema direita americana, os autores indicam a formação de redes radicalizadas de extrema-direita, que se mobilizam em torno de pautas antidemocráticas em interação com movimentos radicalizados internacionais.</p>
<p>A pesquisa aponta como os movimentos de “retorno aos ambientes de nicho” não significam o restabelecimento do debate público nos termos anteriores, podendo, inclusive, apresentar padrões ainda mais imprevisíveis e radicalizados. Isso se deve ao fato de que essas redes têm se constituído como espaços que se somam – e não substituem – às plataformas de maior uso. Ou seja, servem como ambientes de planejamento e articulação de ações que vão se realizar na esfera pública digital mais ampla, como ataques coordenados a empresas e figuras públicas.</p>
<p>É central, portanto, que empresas e instituições estejam preparadas para as características e padrões de uma esfera pública que está em transformação e que impõe desafios à comunicação empresarial e sustentação da reputação das instituições. Uma boa leitura dos cenários é parte fundamental da elaboração de estratégias eficazes contra ações coordenadas que podem causar danos à imagem de instituições e empresas, em um contexto de imprevisibilidade cada vez maior na dinâmica do debate público.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV.</p>
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		<title>Responsabilidade empresarial pela democracia</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/responsabilidade-empresarial-pela-democracia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Yacoff Sarkovas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Apr 2021 14:30:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Publicado originalmente no jornal O Globo em 25 de abril de 2021. Foi necessário uma horda extremista atacar o Capitólio para as empresas norte-americanas manifestarem-se a favor da democracia. A ameaça sem precedentes às instituições políticas do país, estimulada por Donald Trump, fez a Corporate America desembarcar da nau insensata e golpista do então presidente....]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado originalmente no jornal <a href="https://outline.com/yVT2nb" rel="nofollow noopener" target="_blank">O Globo</a> em 25 de abril de 2021.</p>
<p><a href="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-60183" src="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280.jpg" alt="" width="1280" height="960" srcset="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280.jpg 1280w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280-300x225.jpg 300w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280-1024x768.jpg 1024w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280-768x576.jpg 768w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280-200x150.jpg 200w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/us-capitol-477987_1280-350x263.jpg 350w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a></p>
<p>Foi necessário uma horda extremista atacar o Capitólio para as empresas norte-americanas manifestarem-se a favor da democracia. A ameaça sem precedentes às instituições políticas do país, estimulada por Donald Trump, fez a Corporate America desembarcar da nau insensata e golpista do então presidente.</p>
<p>O Business Roundtable, associação que reúne os CEOs das principais empresas americanas e que aplaudira Trump na posse, criticou os políticos republicanos por espalharem a “ficção de uma eleição fraudulenta”. Empresas de tecnologia restringiram as mídias sociais e serviços do site do então presidente, e corporações financeiras e industriais suspenderam doações políticas a republicanos.</p>
<p>Críticos alegam que as empresas demoraram muito a reagir. Atraído pelas promessas de cortes de impostos, desregulamentação e restrições a concorrentes estrangeiros, o mundo corporativo aliou-se a Trump durante a maior parte do mandato e apostou na reeleição.</p>
<p>Contudo já havia quem percebesse que o que é bom para os negócios não pode ser ruim para a democracia, como o Leadership Now Project, iniciativa de ex-alunos da Harvard Business School, que age na proteção da democracia americana no front empresarial.</p>
<h4>E no Brasil?</h4>
<p>Desde 2019, somos liderados pelo mais inepto e inapto presidente da nossa história, que nunca escondeu sua aversão a tudo o que representa evolução civilizatória.</p>
<p>Passados mais de dois anos de mandato, Jair Bolsonaro comprova que seu foco é a destruição. Corroeu nossas relações internacionais e multilaterais; desmontou nossos mecanismos de proteção ao meio ambiente; paralisou a estrutura federal de educação; desqualificou as instituições de cultura e arte; destituiu a sociedade civil de conselhos públicos; colapsou o sistema de saúde em meio a uma pandemia brutal; incentivou e participou de manifestações golpistas.</p>
<p>Enquanto a mídia, o Judiciário e parte do Legislativo enfrentaram Bolsonaro para reduzir suas ações danosas e impedir a progressão de golpes, o que fez nosso segmento empresarial?</p>
<p>Raro encontrar líderes de empresas que defendam abertamente a democracia, como fez Pedro Passos, da Natura, em reportagem no “Valor”, em outubro de 2020.</p>
<p>— As instituições democráticas estão sob constante ataque. O governo atual dá claras indicações de que não valoriza os princípios democráticos. Em alguns momentos, questiona o próprio Estado de Direito — disse Passos.</p>
<p>Entretanto o silêncio mais significativo não é individual, e sim coletivo. É gritante a falta de posicionamento das entidades empresariais, em grande parte cooptada por líderes que se eternizam no poder, ocupados com a defesa de privilégios setoriais que ancoram nossa economia no passado.</p>
<p>Empresas são agentes relevantes da estrutura social e não podem se isentar das questões de alto interesse público. Caminhamos inexoravelmente para um capitalismo de stakeholders, e a sustentabilidade finalmente penetra no mainstream empresarial, pela crescente influência dos critérios ESG nas decisões de investimento.</p>
<p>Preceitos da sustentabilidade, porém, só podem existir e expandir-se em regimes democráticos. Os governos populistas de direita e de esquerda que infestam o mundo demonstram aversão à agenda ambiental, à evolução social e aos fundamentos de governança.</p>
<p>É preciso reconhecer que muitas empresas e empresários brasileiros têm se articulado e agido na defesa do meio ambiente, da saúde e da educação, em contraposição ao desgoverno federal. Alianças como a Coalizão Brasil e a Concertação pela Amazônia, e entidades como o CEBDS e o Todos Pela Educação são alguns exemplos dessas atitudes propositivas.</p>
<p>No entanto, num momento em que o Estado Democrático de Direito, a maior conquista da nossa sociedade, é reiteradamente ameaçado, cabe priorizar sua defesa e proteção. Para isso, as lideranças empresariais não precisam fazer proselitismo ideológico ou ter engajamento partidário. Basta assumir ostensivamente sua parcela de responsabilidade individual e coletiva na defesa aberta dos fundamentos da cidadania.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Debate público demanda empresas menos reativas e mais interlocutoras</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/debate-publico-demanda-empresas-menos-reativas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Renata Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2021 14:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[É cada vez mais comum, no vocabulário das grandes empresas, termos como políticas de igualdade de gênero, programas de inclusão, ações de enfrentamento ao racismo e projetos de sustentabilidade. No entanto, tão difícil quanto gerar, por exemplo, uma cultura da diversidade, no âmbito corporativo, pode ser comunicá-la aos diferentes atores sociais. Se, por um lado,...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-58198" src="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280.jpg" alt="" width="1280" height="904" srcset="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280.jpg 1280w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280-300x212.jpg 300w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280-1024x723.jpg 1024w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280-768x542.jpg 768w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280-200x141.jpg 200w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/04/human-65931_1280-350x247.jpg 350w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a></p>
<p>É cada vez mais comum, no vocabulário das grandes empresas, termos como políticas de igualdade de gênero, programas de inclusão, ações de enfrentamento ao racismo e projetos de sustentabilidade. No entanto, tão difícil quanto gerar, por exemplo, uma cultura da diversidade, no âmbito corporativo, pode ser comunicá-la aos diferentes atores sociais. Se, por um lado, circulam, de modo crescente, sobretudo na esfera pública digital, notícias, ações e campanhas por meio das quais as companhias buscam se alinhar a pautas sociais, por outro, sobram casos em que elas são tomadas por indesculpáveis.</p>
<p>Há, de certo, uma expectativa de que as organizações não sejam apenas reativas, mas capazes de uma interlocução social, política e cultural. Recente estudo realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) examinou o debate sobre discurso de ódio nas redes sociais e indicou essa percepção. O trabalho consistiu em medir diariamente, no Twitter e no Facebook, as publicações relacionadas a uma discussão sobre os discursos de ódio, entre os meses de novembro de 2020 e fevereiro de 2021. Os dados revelaram um pico de postagens, nas duas plataformas, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.</p>
<p>Saindo de uma abordagem quantitativa e indo para uma qualitativa, os pesquisadores verificaram que o racismo foi o assunto que produziu essa alta, motivada não apenas pela data comemorativa, mas sobretudo pela morte por espancamento de João Alberto, um homem negro, no estacionamento do Supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS), no dia 19 de novembro. A despeito de a análise ter apresentado diferentes nuances para uma temática tão cara como a da discriminação racial, para efeito desta discussão, importa dizer que, na amostra do Facebook, houve, pelo menos, três enquadramentos nas menções à rede de supermercado.</p>
<p>O primeiro, e mais recorrente, foi em relação a um boicote às lojas de todo país, como modo de reconhecer a responsabilidade da empresa pelo ataque fatal sofrido por João Alberto. O segundo tomava a nota de repúdio como um paliativo inaceitável diante da gravidade do episódio. Por fim, em menor número, alguns perfis relembraram outros casos em que o Carrefour foi denunciado por racismo e agressão corporal. A ideia, nesse último grupo de postagens, foi de que a companhia não teria aprendido com os erros passados e continuava a se amparar em notas.</p>
<p>Em linhas gerais, as publicações indicaram que o que se esperava da corporação era mais do que um pedido de desculpas ou uma declaração de repúdio – diferentemente, era a capacidade de tratar o caso como um crime enraizado no terreno do racismo estrutural e não como uma truculência oriunda de um desvio pessoal de caráter. A criação, menos de uma semana após o ocorrido, do Comitê Externo sobre Diversidade e Inclusão, pelo Carrefour, pode sinalizar a compreensão de que o modo como as organizações comunicam, nesse tipo de debate público, exige delas expressar não só o que se sente, mas o quanto se conhece sobre o assunto.</p>
<p>Além disso, é necessário olhar esse cenário a partir de um contexto em que as empresas ganham cada vez mais importância e substância na vida cotidiana. Quanto mais as pessoas dependem de seus serviços e produtos para suprir necessidades variadas – do vestuário à saúde; da alimentação à comunicação; do transporte ao lazer; dos serviços de conexão à segurança patrimonial – mais tendem a cobrar delas políticas variadas de ação, não só de ordem econômica, financeira ou comercial. Espera-se que saibam ler, histórica, política e culturalmente os cenários em que estão inseridas e que se posicionem acerca dessas questões.</p>
<p>Assim, pensar a responsabilização social das companhias, nesta conjuntura, é necessariamente considerar as lacunas produzidas pela ausência crescente do Estado em diferentes instâncias. É perceber as corporações não só como um interlocutor no âmbito da oferta de produtos e serviços, mas também no âmbito das ideias e da sua postura em relação a essas ideias. Em outras palavras, na medida em que as organizações se apresentam como mantenedoras de soluções para diferentes demandas, elas também precisarão demonstrar competências, de natureza crítica, vinculadas aos contextos e atores que configuram tais urgências. Trata-se de um posicionamento que propicia comunicar melhor, para grupos internos ou externos, sua posição acerca de temas centrais no debate público.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Compreender democracia digital é vital para atuar nas redes sociais</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/compreender-democracia-digital-e-vital-para-atuar-nas-redes-sociais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Amaro Grassi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 14:10:35 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.aberje.com.br/?post_type=blog&#038;p=55835</guid>

					<description><![CDATA[A comunicação de uma empresa não é mais “apenas” a mensagem que circula em um espaço público, e sim a própria empresa na perspectiva dos usuários das redes Nas últimas semanas, foi a vez do mercado financeiro. Em janeiro, uma ação coordenada a partir de um fórum na internet provocou uma intensa valorização da empresa...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A comunicação de uma empresa não é mais “apenas” a mensagem que circula em um espaço público, e sim a própria empresa na perspectiva dos usuários das redes</em></p>
<p><a href="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-55862" src="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-scaled.jpg 2560w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-300x200.jpg 300w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-768x512.jpg 768w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-1536x1024.jpg 1536w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-2048x1365.jpg 2048w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-200x133.jpg 200w, https://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2021/03/rodion-kutsaev-0VGG7cqTwCo-unsplash-350x233.jpg 350w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a></p>
<p>Nas últimas semanas, foi a vez do mercado financeiro. Em janeiro, uma ação coordenada a partir de um fórum na internet provocou uma intensa valorização da empresa<strong> GameStop</strong> na Bolsa de Nova York no início do ano. No início de fevereiro, fenômeno parecido ocorreu no Brasil com ações do <strong>IRB</strong>, que se valorizaram na B3 a partir de um movimento articulado pelo <strong>Telegram</strong>. <a href="https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/noticia/2021/02/17/empresas-enfrentam-novos-riscos-com-ativismo-em-rede-social.ghtml" rel="nofollow noopener" target="_blank">Matéria recente no jornal <strong>Valor Econômico</strong></a> tratou do tema, abordando os “novos riscos” que a internet e as redes sociais podem representar para as empresas.</p>
<p>A discussão não é exatamente nova, mas vem se tornando mais visível (e incontornável) em cada um dos campos impactados pelas transformações do digital nos últimos anos – ou seja, praticamente todos os espaços de atividade humana e interação social. De tempos em tempos, ainda surpresos, presenciamos os efeitos disruptivos que a internet e as redes sociais provocam na representação política, nas práticas de consumo, na produção cultural e na economia, agora chegando com mais força e barulho no mercado de ações.</p>
<p>A conclusão imediata é que as “redes sociais” – na verdade todo o ambiente digital por onde circulam informações – afetam o mercado, num movimento irreversível e que só tende a se intensificar. Menos falado, embora não menos verdadeiro, é o fato de que isso implica também a necessidade de o mercado (e as empresas) se comunicarem de maneira mais eficiente com as “redes sociais”, atualizando seu repertório de ação e posicionamento público, mas também sua capacidade de compreensão dos fenômenos da sociedade da informação.</p>
<p><a href="https://democraciadigital.dapp.fgv.br/estudos/desinformacaoeleitoral-2/" rel="nofollow noopener" target="_blank">Estudo recente publicado pela FGV DAPP</a> mostrou como a circulação de narrativas falsas em redes sociais sobre fraude nas urnas tem minado a confiança no sistema eleitoral brasileiro – um risco à própria democracia. Nos últimos anos, em diversos momentos ficou evidente também o alto nível de polarização política e social, intensificada pela lógica de formação de bolhas de informação. E mais recentemente tem-se jogado luz sobre dinâmicas de discurso de ódio e incitação à violência nos espaços digitais que representam ameaças a grupos marginalizados, quando não expressão crua de racismo, homofobia e misoginia.</p>
<p>Mas é importante não resumir o debate sobre a internet e as redes sociais aos “riscos” que trazem à sociedade, ao mercado e à democracia. Para além das<em> fake news</em>, da desinformação, dos <em>bots</em> e discursos de ódio, ambiente digital é um espaço de amplas possibilidades para o exercício da cidadania, a atividade política, a mobilização social, novas demandas e, pelo lado das empresas, possibilidades de um posicionamento público mais atento a pautas hoje caras aos brasileiros. É nesse sentido que temos incentivado a necessidade de um debate sobre a “<a href="https://democraciadigital.dapp.fgv.br/" rel="nofollow noopener" target="_blank">democracia digital</a>” e suas possibilidades, abarcando toda a complexidade de fenômenos do digital e suas interfaces com a democracia, a cidadania e os direitos humanos.</p>
<p>As estratégias de comunicação nos espaços digitais são, nesse sentido, mais do que o posicionamento público de instituições, organizações, empresas e indivíduos, tendo se tornado cada vez mais as estratégias de atuação em suas respectivas áreas de atividade. Em outras palavras, a comunicação de uma empresa não é mais “apenas” a mensagem que circula em um espaço público, e sim a própria empresa (na perspectiva dos cidadãos e consumidores em suas atividades digitais). Essa realidade impõe, é claro, a necessidade de uma readequação do lugar da comunicação nas sociedades da informação, tendo “invadido” espaços considerados antes em departamentos de RH, relações institucionais e a própria direção das empresas.</p>
<p>São muitos os exemplos recentes de “crises” gestadas no ambiente digital e que logo se traduzem crises de imagem, reputação e logo de receita, mercado e valor, indicando uma defasagem que começa na própria compreensão do fenômeno do digital, passando por estratégias mal desenhadas e chegando até a respostas francamente erradas. O ambiente digital traz, sim, diversos riscos, mas também um enorme potencial de diálogo com os valores que mobilizam os cidadãos em suas atividades nesse espaço, podendo assim contribuir para a consolidação de uma democracia digital que estamos apenas começando a construir.</p>
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<p><em>*</em><em>As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas, nas quais constem a sua identificação como tais, em artigos e entrevistas publicados nos meios de comunicação em geral, representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não, necessariamente, a posição institucional da FGV.</em></p>
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