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	<title>Agenda 2030: Comunicação e Engajamento &#8211; Portal Aberje</title>
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	<description>Aberje Portal</description>
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	<title>Agenda 2030: Comunicação e Engajamento &#8211; Portal Aberje</title>
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	<item>
		<title>ODS na prática: como a comunicação institucional impulsiona o impacto social</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/ods-na-pratica-como-a-comunicacao-institucional-impulsiona-o-impacto-social/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Moisés Rosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 14:10:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em um mundo cada vez mais conectado, informado e pressionado por resultados sociais e ambientais, a comunicação institucional deixou de ser apenas um canal de informação para se tornar uma ferramenta estratégica de engajamento e transformação. Segundo a pesquisa “Tendências da Comunicação Organizacional 2023” da Aberje, apenas 14% das empresas brasileiras se consideram maduras no...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um mundo cada vez mais conectado, informado e pressionado por resultados sociais e ambientais, a comunicação institucional deixou de ser apenas um canal de informação para se tornar uma ferramenta estratégica de engajamento e transformação. Segundo a pesquisa “Tendências da Comunicação Organizacional 2023” da Aberje, apenas 14% das empresas brasileiras se consideram maduras no uso de métricas em seus planejamentos de comunicação, enquanto 40% pretendem melhorar a coleta de dados de suas ações internas ainda em 2023. Esses números indicam que, mesmo diante da urgência em adotar práticas sustentáveis, muitas organizações ainda precisam evoluir na forma como comunicam e mensuram seu impacto, alinhando ações de sustentabilidade e responsabilidade social às suas narrativas institucionais.</p>
<p>A comunicação institucional eficaz conecta valores corporativos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, transformando cada ação em narrativa compreensível, transparente e capaz de engajar colaboradores, parceiros e a sociedade. Ela não se limita à divulgação de programas ou iniciativas: é um instrumento de reputação, engajamento e prestação de contas. Empresas que conseguem articular seus compromissos de maneira estratégica aumentam a confiança de stakeholders, fortalecem suas marcas e criam valor compartilhado, reforçando a percepção de que a sustentabilidade é parte essencial de sua operação, e não apenas uma agenda complementar.</p>
<p>Além disso, a comunicação institucional permite mensurar e evidenciar impactos sociais e ambientais. Ao transformar dados e informações em narrativas claras e acessíveis, a empresa consegue demonstrar resultados concretos, reforçando o valor de suas iniciativas junto a públicos internos e externos. Isso inclui desde campanhas de conscientização e educação, até programas de diversidade, inclusão e saúde, sempre alinhados aos ODS relevantes, como Educação de Qualidade (ODS 4), Igualdade de Gênero (ODS 5), Trabalho Decente e Crescimento Econômico (ODS 8) e Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11).</p>
<p>Outro ponto relevante é a função da comunicação institucional na construção de cultura organizacional. Ela não apenas informa, mas inspira e engaja equipes, promovendo senso de propósito e alinhamento com metas socioambientais. Organizações que investem em comunicação estratégica conseguem envolver colaboradores de diferentes níveis hierárquicos em ações concretas de impacto social, incentivando práticas cotidianas que contribuem para o desenvolvimento sustentável e consolidam a imagem da empresa como agente transformador.</p>
<p>Portanto, a comunicação institucional deixa de ser um suporte secundário e se torna protagonista na estratégia de organizações que desejam gerar valor de forma ética e sustentável. Integrar planejamento, mensuração e narrativa é essencial para que os compromissos com os ODS sejam percebidos, compreendidos e transformadores. A capacidade de articular informação, engajamento e prestação de contas posiciona a comunicação como uma alavanca poderosa para empresas que buscam criar impacto positivo duradouro na sociedade.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Mentiras tecnológicas e verdades fabricadas: o papel da sustentabilidade no caos digital</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/mentiras-tecnologicas-e-verdades-fabricadas-o-papel-da-sustentabilidade-no-caos-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andreia Rabelo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Sep 2025 17:30:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A inteligência artificial está ficando boa demais, tão boa que às vezes é difícil identificar vídeos falsos, vozes clonadas com perfeição, imagens que jamais existiram, mas que viralizam. Tudo validado com likes, muitos likes. Se antes a gente precisava de tempo para desconfiar, agora a mentira chega antes da dúvida. A nova fake news não...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A inteligência artificial está ficando boa demais, tão boa que às vezes é difícil identificar vídeos falsos, vozes clonadas com perfeição, imagens que jamais existiram, mas que viralizam. Tudo validado com likes, muitos likes.</p>
<p>Se antes a gente precisava de tempo para desconfiar, agora a mentira chega antes da dúvida. A nova fake news não é mais um textão mal escrito, é uma imagem em 4K com trilha sonora, contexto, legenda e emoção.</p>
<p>Estamos na era da mentira bem contada. E o que isso tem a ver com sustentabilidade? Tudo.</p>
<p>Porque sustentabilidade não é só sobre carbono, energia limpa ou reciclagem, é sobre garantir que sistemas, inclusive os de informação, continuem funcionando. É sobre preservar o que é essencial para o futuro, a verdade, o senso crítico, a confiança.</p>
<p>Uma sociedade que não sabe mais o que é real não tem como sustentar nenhum pacto coletivo, nem ambiental, nem social, nem político.</p>
<h4>A mentira agora tem trilha sonora e legenda</h4>
<p>O Brasil registrou mais de 2,1 milhões de casos de estelionato no último ano, o que equivale a quatro golpes por minuto, segundo o <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/brasil-registra-cerca-de-4-golpes-de-estelionato-por-minuto-em-2024/" target="_blank" rel="noopener nofollow">Anuário Brasileiro de Segurança Pública</a>. Esse número representa um aumento de mais de 400% desde 2018. A maior parte desses crimes acontece no ambiente digital, com golpes que vão desde engenharia social até fraudes com inteligência artificial, como deepfakes (vídeos falsos criados com inteligência artificial que imitam rostos e vozes reais).</p>
<p>Mas o problema vai além dos números: de acordo com a <a href="https://new.safernet.org.br/content/safernet-apresenta-projeto-sobre-mau-uso-de-ia-generativa-em-evento-da-onu-na-noruega" rel="nofollow noopener" target="_blank">SaferNet</a>, o uso indevido de IA generativa para criar conteúdos falsos, inclusive com fins de assédio, ciberbullying e extorsão, já é uma realidade em escolas brasileiras e foi tema de alerta no Fórum de Governança da Internet da ONU em 2025.</p>
<h4>Governança digital aliada a compliance: proteger dados é proteger reputações</h4>
<p>A falta de regras claras para o uso da inteligência artificial está abrindo espaço para golpes cada vez mais sofisticados. Não é exagero: sem governança, a IA pode virar uma ferramenta de manipulação em larga escala. Um relatório da <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000393091_por" target="_blank" rel="noopener nofollow">UNESCO</a> alerta que, sem diretrizes éticas e inclusivas, a tecnologia tende a reforçar desigualdades e colocar direitos fundamentais em risco<strong>,</strong> especialmente nos países onde a regulação costuma chegar depois do problema.</p>
<p>No Brasil, especialistas já apontam que a combinação de dados pessoais com imagens públicas, como selfies nas redes sociais, está sendo usada para burlar sistemas de reconhecimento facial, inclusive em serviços como o gov.br, como <a href="https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/07/26/entenda-se-golpistas-conseguem-usar-suas-fotos-nas-redes-para-burlar-o-reconhecimento-facial.ghtml" target="_blank" rel="noopener nofollow">mostrou o G1</a>.</p>
<p>Para as empresas, isso não é apenas uma questão técnica , é uma questão de reputação, confiança e sustentabilidade. Governança digital eficaz é hoje um diferencial competitivo e um escudo contra riscos reputacionais e jurídicos.</p>
<h4>Redes sociais: onde o algoritmo decide por você</h4>
<p>Hoje, muita gente se informa (e se confunde) pelas redes sociais. E isso tem peso real nas eleições. Um estudo da <a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/estudo-mapeia-comportamento-das-redes-sociais-durante-periodo-eleitoral/" rel="nofollow noopener" target="_blank"><strong>USP </strong></a>mostrou que plataformas de vídeos curtos como Instagram e TikTok têm muito mais poder de engajamento do que redes mais tradicionais. O problema? Nem sempre o que aparece no seu feed vem direto dos candidatos, muitas vezes são cortes, memes ou até conteúdos manipulados com deepfake.</p>
<p>Segundo os pesquisadores, alguns perfis crescem muito rápido, impulsionados pelo algoritmo. E isso bagunça tudo: o que viraliza nem sempre é o mais importante, e o que é importante nem sempre aparece. O resultado é um cenário onde o eleitor vê muito, mas entende pouco, e acaba tomando decisões com base em emoção, não em informação.</p>
<h4>Educar para libertar: tecnologia como ponte para escolhas conscientes</h4>
<p>Acreditar no futuro exige mais do que esperança, exige ação. E, no meu dia a dia, é exatamente isso que me move: trabalhar promovendo educação, especialmente tecnológica, para que mais pessoas entendam o mundo que estão vivendo e tenham senso crítico para saber o que é verdade.</p>
<p>Uma das iniciativas que eu recomendo é a <a href="https://institucional.nuclea.com.br/nuclea-academy" target="_blank" rel="noopener nofollow">Núclea Academy</a>, uma plataforma de cursos sem custo, feita pra quem quer entender tecnologia de verdade. Lá tem conteúdo sobre dados, inteligência artificial, competências comportamentais e outras habilidades que estão fazendo falta no mercado.</p>
<p>Iniciativas como essa não apenas ampliam o acesso ao ensino em áreas que mais sofrem com a falta de profissionais qualificados, mas também cumprem um papel essencial de conscientização. Ao entenderem melhor o mundo em que estão inseridas, as pessoas passam a tomar decisões mais assertivas, reconhecendo riscos e evitando golpes, tanto na vida pessoal quanto no ambiente profissional.</p>
<p>Essa atuação está diretamente alinhada ao <a href="https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/4" target="_blank" rel="noopener nofollow">ODS 4: Educação de Qualidade</a>, que propõe garantir uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.</p>
<p>Só a educação liberta.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Onde Estão as Mulheres na Tecnologia? Uma Reflexão Necessária para o Desenvolvimento Sustentável</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/onde-estao-as-mulheres-na-tecnologia-uma-reflexao-necessaria-para-o-desenvolvimento-sustentavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Clara Savelli]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 14:12:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O problema da ausência feminina no setor de tecnologia Apesar de representarem 51% da população brasileira (IBGE) e 59% dos estudantes no ensino superior (INEP), as mulheres seguem dramaticamente sub-representadas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Apenas 30% dos estudantes dessas áreas são mulheres, enquanto em cursos de fora do mercado STEM,...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><strong>O problema da ausência feminina no setor de tecnologia</strong></h4>
<p>Apesar de representarem 51% da população brasileira (IBGE) e 59% dos estudantes no ensino superior (INEP), as mulheres seguem dramaticamente sub-representadas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Apenas 30% dos estudantes dessas áreas são mulheres, enquanto em cursos de fora do mercado STEM, o percentual é de 63% (IGUALDADE STEAM). Além disso, menos de 34% das mulheres matriculadas realmente concluem a graduação em cursos STEM (INEP/UNESCO).</p>
<p>Essa desistência não é fraqueza ou falta de capacidade. Muito pelo contrário, o baixo desempenho está longe de ter a ver com isso. Ele é, na verdade, reflexo de barreiras culturais e institucionais de forma estrutural. Os ambientes acadêmicos são hostis e masculinizados, com baixa representatividade diversa e apoio institucional. Estas situações fazem com que as estudantes se sintam isoladas, vivendo em um ambiente com competitividade tóxica e com risco de assédio.</p>
<p>As mulheres representam 43% da força de trabalho ativa no Brasil (Trading Economics), mas no setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC), elas representam cerca de 25% dos profissionais, segundo dados combinados da CATHO, IBGE, Brasscom e Women in Tech. Ou seja, apenas 0,08% da população feminina adulta trabalha na área de TIC (SERASA). Quando fazemos uma análise mais minuciosa do mercado, percebemos que a escolaridade das mulheres supera a dos homens em todos os níveis de cargo, mas elas são menos escolhidas para eles. Elas são mais capacitadas, mas menos promovidas para cargos de tomadores de decisão (BRASSCOM).</p>
<p>É importante ressaltar também que, apesar da situação já ter melhorado bastante, em 2024 as mulheres ainda receberam quase 21% a menos que os homens (EBC). Em cargos de direção e gerência, as mulheres ganham, em média, 73% do salário dos homens (CNN). O setor de TIC segue este padrão: mulheres recebem até 28% menos do que os homens, mesmo com formação similar ou superior (REDE MULHER EMPREENDEDORA). Quando fazemos o recorte de liderança, as mulheres em TIC ganham até 48% a menos que os homens em posições equivalentes (MOVIMENTO MULHER 360).</p>
<p>Quando se trata de mulheres negras e pessoas trans, os números são ainda mais alarmantes: mulheres negras compõem apenas 11% do setor, apesar de representarem 30% da população (IBGE e PRETALAB), além de receberem os menores salários e serem sub representadas nas lideranças, sendo apenas 16,3% (BRASSCOM). Pessoas trans têm presença quase nula e enfrentam níveis extremos de exclusão. Apesar de já serem aproximadamente 2% da população adulta brasileira, apenas 4% das pessoas trans têm emprego formal (ERNST &amp; YOUNG) e, infelizmente, a expectativa de vida deste grupo social é de apenas 35 anos (GAMA REVISTA). O problema, no caso de grupos sub representados, é ainda mais profundo.</p>
<h4><strong>Por que isso importa?</strong></h4>
<p>A sub-representação feminina não é apenas um problema ético, mas também  um entrave econômico e inovador. Segundo estudo da McKinsey, a inclusão plena das mulheres no mercado de trabalho poderia adicionar até US$ 12 trilhões ao PIB global até 2025. Além disso, empresas com maior diversidade de gênero têm 21% mais chance de atingir resultados acima da média.</p>
<p>Diversidade é sinônimo de inovação. Equipes diversas criam produtos e soluções mais abrangentes, eficazes e justas, com menos vieses, o que é essencial ainda mais na área tecnológica. A ausência de mulheres aumenta as chances da geração de produtos tecnológicos enviesados e reforça a reprodução de desigualdades, afastando a tecnologia de um futuro sustentável.</p>
<h4><strong>Um olhar interno: o que empresas podem fazer?</strong></h4>
<p>Diversas organizações estão promovendo iniciativas para mudar essa realidade. Na Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) fizemos um webinar de conscientização sobre o tema, trazendo diversas especialistas do setor e entidades que trabalham com capacitação de mulheres para trabalhar no mercado de TIC.</p>
<p>Foi neste webinar, apresentado em 2024, que trouxemos uma primeira versão desta pesquisa sobre representatividade feminina no mercado, que hoje foi transformada em artigo para o blog do PACE. Uma segunda versão desta pesquisa foi apresentada no Web Summit Lisboa de 2024, em uma parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).</p>
<p>Em 2025 foi eleita uma nova diretoria da ABES e, pela primeira vez, temos duas mulheres entre os cargos de liderança da associação, fruto de nossos esforços em sermos também exemplos para nossos associados e não apenas reproduzir um discurso vazio de inclusão.</p>
<p>É fundamental lembrar que esses esforços não podem ser pontuais. Trata-se de uma transformação de cultura organizacional e de estrutura. Precisamos de políticas de equidade salarial, ambientes seguros e inclusivos, programas de liderança feminina e métricas claras de diversidade e inclusão.</p>
<h4><strong>Caminhos para a transformação</strong></h4>
<ul>
<li><strong>Ação afirmativa com foco interseccional</strong>: políticas que reconheçam as desigualdades específicas vividas por mulheres negras, indígenas e trans.</li>
<li><strong>Mentoria e redes de apoio</strong>: espaços para troca, fortalecimento e crescimento profissional.</li>
<li><strong>Educação inclusiva desde cedo</strong>: estímulo à entrada de meninas nas áreas STEM, com apoio contínuo durante a formação.</li>
<li><strong>Aliança com aliados e lideranças</strong>: engajamento ativo de grupos dominantes para a transformação das estruturas excludentes.</li>
<li><strong>Transparência de dados e metas claras</strong>: medir para transformar.</li>
</ul>
<h4><strong>Conclusão</strong></h4>
<p>Promover a equidade de gênero na tecnologia não é apenas uma correção histórica, mas sim uma estratégia vital para o desenvolvimento sustentável. Se queremos cumprir os compromissos da Agenda 2030, precisamos garantir que a transformação digital seja também uma transformação inclusiva e duradoura. A diversidade é o motor da inovação e a inovação só é sustentável quando é para todos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entre o Discurso e a Ação: ODS, ESG e os Caminhos até 2030</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/entre-o-discurso-e-a-acao-ods-esg-e-os-caminhos-ate-2030/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rosana Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2025 13:24:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em 2015, a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda 2030, um ambicioso plano de ação global estruturado em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses objetivos funcionam como um guia coletivo para enfrentar os grandes desafios do nosso tempo — da erradicação da pobreza à ação climática, da igualdade de gênero à inovação responsável....]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2015, a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda 2030, um ambicioso plano de ação global estruturado em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses objetivos funcionam como um guia coletivo para enfrentar os grandes desafios do nosso tempo — da erradicação da pobreza à ação climática, da igualdade de gênero à inovação responsável.</p>
<p>Com a meta final marcada para 2030, estamos agora diante de um ponto de inflexão: os próximos cinco anos serão decisivos. O progresso em muitas metas tem sido desigual, e fatores como crises econômicas, conflitos geopolíticos e os impactos crescentes das mudanças climáticas impõem obstáculos concretos à sua realização. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades inéditas de inovação, colaboração e engajamento — A contribuição intersetorial, avanço tecnológico, e a comunicação transparente como motores para induzir práticas efetivas.</p>
<p>Neste contexto, mais do que nunca, é essencial refletir: quais são os desafios e oportunidades reais para alcançar os ODS nos próximos cinco anos? E qual o papel das organizações e das estratégias ESG nesse processo?</p>
<p>Frente aos complexos desafios que se apresentam para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos próximos cinco anos, é fundamental explorar alternativas que possam transformar obstáculos em oportunidades reais. Entre os diferentes atores estão as organizações, que possuem um papel importante ao incorporarem estratégias ESG que alinhem práticas ambientais, sociais e de governança com os objetivos globais, potencializando impacto positivo e sustentabilidade de longo prazo.</p>
<p>Independentemente do tamanho da organização, seu histórico de atuação e seu tempo de mercado, para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável deixem de ser apenas metas globais e se tornem realidade prática, é essencial que as organizações integrem esses objetivos em suas estratégias de negócio.</p>
<h4><strong>E por onde começar?</strong></h4>
<p><strong>Definindo os Temas Materiais para Incorporar a Sustentabilidade na Estratégia de Negócio</strong></p>
<p>Um passo essencial para que a sustentabilidade seja efetivamente incorporada à estratégia de negócio é a definição dos temas materiais — ou seja, os assuntos mais relevantes que impactam e são impactados pela organização. Esse processo estruturado envolve algumas etapas principais.</p>
<p>A primeira delas é o estudo de contexto, que contempla o levantamento secundário de tendências em sustentabilidade, benchmarking com empresas do setor de atuação da organização, análise de critérios de padrões internacionais — como SASB Standards, S&amp;P Global, índices ESG e ratings —, além da identificação de requisitos regulatórios aplicáveis ao setor. O resultado dessa etapa é uma lista preliminar de temas materiais prováveis.</p>
<p>Na sequência, são realizadas consultas aos stakeholders, essa fase tem como objetivo captar diferentes percepções sobre a relevância dos temas levantados. O processo ocorre por meio da interação com os stakeholders priorizados pela organização e pode se estabelecer pelo estabelecimento de grupos focais, entrevistas com a alta liderança, membros dos órgãos de governança — especialmente o Comitê de Sustentabilidade, quando houver —, investidores e especialistas na área, órgãos reguladores e entre outros. Além disso, é recomendável uma consulta online ampla, que garanta uma amostra significativa de respostas.</p>
<p>A terceira etapa é a priorização e análise dos temas, conduzida por especialistas internos. Nela, são avaliados os impactos socioambientais com base em critérios como significância, probabilidade e direitos humanos, além dos impactos financeiros. Com isso, consolida-se uma lista final de temas materiais, respaldada por análises técnicas e estratégicas.</p>
<p>Por fim, ocorre a validação, com a aprovação formal dos temas pela alta liderança e pelo Comitê de Sustentabilidade da organização. Essa etapa garante o alinhamento estratégico e o compromisso institucional necessário para que esses temas orientem, de forma concreta, as ações e decisões da companhia.</p>
<h4><strong>Estrutura de governança como indutor de resultados que transformam</strong></h4>
<p>Uma vez definidos os temas prioritários da organização — com base na escuta qualificada dos stakeholders e na análise de riscos e oportunidades —, é chegada a hora de transformar esse diagnóstico em ação. Para promover impactos positivos e duradouros, é essencial que a sustentabilidade seja integrada ao planejamento estratégico da companhia.</p>
<p>Nesse processo, a estrutura de governança desempenha um papel central como indutora de resultados concretos. Órgãos como Comissões e Comitês de Sustentabilidade devem ser compostos por membros diversos, que representam diferentes áreas da organização — tanto corporativas quanto de negócio. A diversificação favorece uma visão sistêmica dos desafios e fortalece a tomada de decisão alinhada aos compromissos ESG.</p>
<p>Ao apresentar os temas prioritários da companhia a esses fóruns de governança, cria-se um ambiente mais propício para o engajamento genuíno, a responsabilização coletiva e a construção de estratégias integradas. É aqui que entra o princípio do accountability: os responsáveis pelas decisões estratégicas devem não apenas acompanhar e avaliar o desempenho socioambiental, mas também prestar contas de forma transparente sobre os avanços, limitações e aprendizados ao longo do caminho.</p>
<p>Incorporar a sustentabilidade à governança, portanto, vai além de criar estruturas formais — trata-se de cultivar uma cultura organizacional em que compromisso, coerência e responsabilidade são valores praticados diariamente, da liderança à operação.</p>
<h4><strong> Um case &#8211; Regenera: Cuidar do presente para Regenerar o Futuro </strong></h4>
<p>A Porto atua com sustentabilidade há mais de 20 anos, e recentemente trilhou uma jornada intensa, colaborativa e estruturada para revisar sua estratégia e reafirmar seus compromissos públicos. Essa caminhada envolveu muitas pessoas, áreas e perspectivas, em um processo que buscou alinhar propósito, planejamento e impacto.</p>
<p>O Regenera é a expressão concreta desse compromisso. Mais do que um programa, ele é um instrumento para transformar o cuidado — com as pessoas, o meio ambiente e a sociedade — em ações tangíveis. A iniciativa consolida a sustentabilidade como uma responsabilidade compartilhada por toda a organização, com metas claras e visão de longo prazo.</p>
<p>Esse compromisso está materializado no alinhamento das metas de sustentabilidade às diretrizes estratégicas da Porto para os próximos cinco anos (2025–2030), garantindo integração e foco em resultados reais. A jornada se estrutura em quatro pilares fundamentais: valorização do capital humano e impacto social, estratégia climática e circularidade, produtos e soluções sustentáveis e engajamento da cadeia de valor.</p>
<p>Totalmente conectado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o programa conta com ações concretas e caminhos possíveis para contribuir de forma efetiva com as metas globais — mesmo diante dos desafios que ainda persistem.</p>
<p>Sabemos que a jornada é longa e desafiadora, mas ao olharmos para o presente com intenção, responsabilidade e colaboração, estamos, de fato, construindo o amanhã.</p>
<p>Espero que este texto possa te inspirar. Porque, independentemente do tamanho do desafio, o único caminho possível é aquele construído coletivamente — com cuidado, compromisso e coragem para transformar o futuro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde e a rotina daqueles que cuidam dela</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/como-as-mudancas-climaticas-impactam-a-nossa-saude-e-a-rotina-daqueles-que-cuidam-dela/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raphael Freire]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 14:16:38 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.aberje.com.br/?post_type=blog&#038;p=171898</guid>

					<description><![CDATA[Os impactos das mudanças climáticas estão cada vez mais visíveis, e suas consequências para a saúde humana têm se tornado um tema de relevante discussão. Alterações no clima podem intensificar a disseminação de doenças transmitidas por vetores, como a dengue. Além disso, eventos climáticos extremos, como ondas de calor e enchentes, têm efeitos diretos e...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os impactos das mudanças climáticas estão cada vez mais visíveis, e suas consequências para a saúde humana têm se tornado um tema de relevante discussão. Alterações no clima podem intensificar a disseminação de doenças transmitidas por vetores, como a dengue. Além disso, eventos climáticos extremos, como ondas de calor e enchentes, têm efeitos diretos e indiretos sobre a saúde das populações vulneráveis.</p>
<p>Essa crise representa não apenas um desafio ambiental, mas também uma emergência sanitária. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as mudanças climáticas podem causar 250 mil mortes adicionais por ano entre 2030 e 2050.</p>
<p>Para melhor compreender como as mudanças climáticas afetam a nossa saúde, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), existem três vias básicas de exposição:</p>
<ol>
<li><strong>Primárias ou diretas</strong>: relacionadas a eventos climáticos extremos, como calor, seca e chuva forte;</li>
<li><strong>Secundárias ou indiretas:</strong> por meio de mudanças nos sistemas naturais, que afetam os vetores e as vias de transmissão de doenças;</li>
<li><strong>Terciárias:</strong> com efeitos fortemente mediados por sistemas humanos, como é o caso de impactos ocupacionais, desnutrição e estresse mental.</li>
</ol>
<h4><strong>Os impactos das mudanças climáticas não são uniformes</strong></h4>
<p>Importante destacar que os riscos à saúde, decorrentes (ou não) das mudanças climáticas, são distribuídos de forma desigual. Esses riscos surgem de uma combinação entre vulnerabilidade, exposição e perigos, sendo o clima um dos principais determinantes para os perigos, de forma que influencia a exposição e a vulnerabilidade e, consequentemente, o grau de risco.</p>
<p>Curioso que as pessoas mais atingidas pela crise ambiental são as que menos contribuem para o aquecimento do planeta e as que mais dependem de recursos naturais para sua subsistência. As transformações do clima têm incidido com maior força sobre populações e moradias vulneráveis, como indígenas, extrativistas, pescadores artesanais, pessoas em situação de rua e quilombolas. Esses grupos são especialmente afetados por viverem em locais de recursos escassos, infraestruturas frágeis, por enfrentarem serviços de saúde precários, ficando, portanto, mais expostos às situações de contágio e estresse, as quais, inevitavelmente, são agravadas pela crise climática.</p>
<h4><strong>A urgência da adaptação climática na Amazônia</strong></h4>
<p>A floresta amazônica é de grande importância para o equilíbrio climático global. As mudanças climáticas, impulsionadas principalmente pelo aumento da temperatura global, estão alterando os padrões de chuva, causando secas mais intensas e prolongadas, e afetando a biodiversidade e o ciclo hidrológico da região. Com isso, as populações que vivem nas áreas de risco alto e muito alto estão mais suscetíveis a eventos como as inundações, alagamentos, deslizamentos e erosões.</p>
<p>O <a href="https://infoamazonia.org/2025/06/30/populacao-mais-vulneravel-a-eventos-climaticos-na-amazonia-esta-nas-areas-urbanas-e-vive-em-favelas/" target="_blank" rel="noopener nofollow">especial “Vulneráveis do Clima”</a>, produzido pela InfoAmazonia e veículos parceiros da Rede Cidadã InfoAmazonia, mapeou quem são os mais expostos a esses desastres na Amazônia brasileira. De acordo com o levantamento do veículo, 45% das áreas de risco estão concentradas em favelas e comunidades urbanas. Nas demais regiões do país, essa proporção é de apenas 22%.</p>
<p>A análise mostra que 61% das pessoas que vivem nessas áreas estão em terrenos com alto risco. Nestes lugares, as casas são majoritariamente chefiadas por mulheres. Elas compõem 55% desse cenário. Além disso, os jovens com menos de 30 anos representam 51%, e pessoas pardas ou pretas são 81% do total dos mais expostos aos eventos climáticos.</p>
<h4><strong>Ações individuais e coletivas podem fazer a diferença no enfrentamento às mudanças climáticas</strong></h4>
<p>De modo geral, os impactos ambientais nos determinantes sociais da saúde (alimentação, ar, água, habitação) resultam em falta de disponibilidade de água para consumo humano; inviabilização da produção de alimentos; mortalidade relacionada ao calor; doenças diarreicas; doenças transmitidas por vetores, como a dengue e a malária; conflitos relacionados com o esgotamento de recursos naturais e sobrecarga de serviços essenciais em contextos urbanos. Para se aprofundar nessa questão, recomendo a leitura da cartilha <a href="https://doareassets.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Como+as+mudan%C3%A7as+clim%C3%A1ticas+impactam+a+nossa+sa%C3%BAde.pdf" target="_blank" rel="noopener nofollow">“Saúde e clima: nosso futuro depende deste equilíbrio!”</a>, da iniciativa “Médicos pelo Ar Limpo”, formada por médicos e associações médicas no combate à crise climática e poluição do ar, em prol da saúde humana.</p>
<p>As mudanças climáticas também exigem de hospitais, clínicas e serviços de saúde como um todo, a adaptação de suas infraestruturas para lidar com esses desafios emergentes, e a implementação de protocolos que considerem os efeitos climáticos em seus planos de ação. As ondas de calor, por exemplo, podem sobrecarregar os sistemas de saúde, comprometendo a qualidade do atendimento. Portanto, a avaliação sistêmica dos riscos ambientais é essencial para assegurar a excelência no atendimento. Para os gestores de saúde, o <a href="https://isqua.org/resources-blog/isqua-green-paper.html" target="_blank" rel="noopener nofollow">Green Paper da ISQua (Associação Internacional para Qualidade em Saúde)</a> é uma ótima ferramenta. O documento fornece uma análise detalhada sobre como a mudança climática afeta o setor de saúde, destacando estratégias eficazes para gestão e adaptação.</p>
<p>Por outro lado, é crucial educar e capacitar os profissionais da saúde sobre essas emergentes questões de saúde pública. Treinamentos específicos podem preparar equipes para enfrentar novas demandas e situações emergenciais. O Ministério da Saúde lançou um <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2024/guia-mudancas-climaticas-para-profissionais-da-saude.pdf" target="_blank" rel="noopener nofollow">guia de bolso sobre mudanças climáticas</a> voltado para profissionais do setor com protocolos de atuação e recomendações para lidar com as consequências do clima na saúde.</p>
<h4><strong>Projeto “Afya Amazônica” pela saúde das comunidades da região</strong></h4>
<p>Lideranças no setor de saúde têm a responsabilidade de integrar a agenda climática à sua estratégia de sustentabilidade e promover ações baseadas na ciência, visando o cuidado, proteção e adaptação de territórios e comunidades em maior grau de risco e exposição. A COP30 no Brasil passa, mas as consequências das alterações no clima na saúde humana permanecem.</p>
<p>A Afya, maior hub de educação e tecnologia para a prática médica, tem trabalhado bastante para levar saúde e educação, não apenas para a população, mas também para aqueles que cuidam da saúde das pessoas, médicos, professores e estudantes de medicina. Para discutir a conexão entre clima e saúde na Amazônia, em junho deste ano, uma parceria da empresa com a revista Exame resultou na realização do <a href="https://exame.com/esg/esg-summit-em-belem-em-ano-de-cop30-falar-de-mudancas-climaticas-e-tambem-abordar-saude/" target="_blank" rel="noopener nofollow">Exame ESG Summit</a>. Pela primeira vez o evento aconteceu em Belém, capital paraense, e contou com a presença de profissionais que atuam na região Norte. Os relatos abordados nos painéis mostraram o quanto saúde e clima são temas intrinsecamente relacionados e reforçaram a necessidade de a saúde ser analisada sob um olhar mais amplo, que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental.</p>
<p>Em Abaetetuba, nordeste do Pará, a Afya promoveu uma capacitação para mais de 400 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), com o objetivo de fortalecer o atendimento básico de saúde nas comunidades do município. O treinamento foi ministrado por profissionais do <a href="https://www.gov.br/iec/pt-br" target="_blank" rel="noopener nofollow">Instituto Evandro Chagas</a>, órgão de quase 90 anos e que é vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.</p>
<p>Durante a capacitação, os participantes aprenderam a identificar sinais e sintomas de doenças ligadas diretamente às mudanças climáticas, divididas em quatro eixos fundamentais: arboviroses, doenças respiratórias e alérgicas, doenças transmitidas por água contaminada, e ainda, doenças dermatológicas e micóticas, que afetam as comunidades mais vulneráveis da Amazônia.</p>
<p>Abaetetuba também foi palco de outra ação que visa preencher vazios na saúde de comunidades vulneráveis da Amazônia. Nos dias 30 de junho e 01 de julho, médicos e estudantes de medicina do Pará e de outras regiões do país foram voluntários da 3ª edição da Expedição Rios de Saúde. Juntos eles realizaram mais atendimentos gratuitos, exames e testes rápidos, além da entrega de medicamentos, na comunidade quilombola Piratuba, onde residem mais de 2 mil moradores que vivem essencialmente da pesca artesanal, agricultura familiar, extrativismo e saberes ancestrais.</p>
<p>Os quilombolas receberam atendimento nas áreas de cardiologia, pediatria, clínica médica, infectologia, geriatria e psiquiatria. Também tiveram a acesso a exames renais e eletrocardiograma, além de testes rápidos. Nesta edição, os profissionais adotaram uma abordagem mais atenta aos sintomas de doenças motivadas ou potencializadas pelos efeitos das mudanças no clima e altamente prevalentes na região, também conhecidas como “doenças negligenciadas”, como doença de chagas, dengue, zika, chikungunya, esquistossomose, tuberculose e outras.</p>
<p>Todos esses esforços mostram que cuidar da Amazônia vai além da preservação ambiental: é também garantir saúde e dignidade a quem vive nas margens dos grandes rios, longe dos centros urbanos e das políticas públicas tradicionais. A atuação da Afya na região é de antes da COP30 e vai além dela. O compromisso da companhia em levar saúde e educação, não apenas para a população, mas também para aqueles que cuidam da saúde das pessoas é de longo prazo.</p>
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		<title>Mensagem com propósito: o papel estratégico da comunicação na construção de futuros mais justos e sustentáveis</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/mensagem-com-proposito-o-papel-estrategico-da-comunicacao-na-construcao-de-futuros-mais-justos-e-sustentaveis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ellen Bileski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jul 2025 17:25:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A comunicação cria narrativas e, para além de informar, ela também é responsável por formar: opiniões, desejos, comportamentos. É por isso que, diante dos desafios globais socioambientais, o papel de quem comunica se torna ainda mais estratégico. E as organizações e empresas, de todos os setores, possuem um poder enorme na construção de um futuro...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A comunicação cria narrativas e, para além de informar, ela também é responsável por formar: opiniões, desejos, comportamentos. É por isso que, diante dos desafios globais socioambientais, o papel de quem comunica se torna ainda mais estratégico. E as organizações e empresas, de todos os setores, possuem um poder enorme na construção de um futuro mais sustentável.</p>
<p>Em um cenário onde 64% das pessoas esperam que as marcas tomem posição sobre temas sociais e ambientais (<a href="https://www.kantar.com/inspiration/sustainability/sustainability-and-purpose" target="_blank" rel="noopener nofollow">Kantar, 2022</a>), a comunicação de impacto deixa de ser diferencial e passa a ser essencial. Isso exige do mercado um novo posicionamento: mais ético, responsável e alinhado com causas, apresentando coerência entre discurso e prática</p>
<p>Integrando performance com propósito, é possível fazer isso sem abrir mão de resultados. Isso significa não apenas entregar bons projetos, mas também influenciar positivamente o mercado, os consumidores e a sociedade.</p>
<h4><strong>Sustentabilidade exige dados, não só propósito</strong></h4>
<p>Nos últimos anos, as marcas passaram a se posicionar mais sobre seus compromissos socioambientais e isso fez com que a intenção se tornasse uma compra. <a href="https://www.mckinsey.com.br/en/industries/consumer-packaged-goods/our-insights/consumers-care-about-sustainability-and-back-it-up-with-their-wallets" target="_blank" rel="noopener nofollow">Segundo um estudo da McKinsey</a>, produtos que trazem alegações ESG cresceram 28% em vendas nos últimos cinco anos, contra 20% daqueles sem nenhuma menção. Porém, com mais posicionamento, também cresceu a desconfiança do público: só 20% das pessoas acreditam que as marcas descrevem com precisão seus esforços sustentáveis, enquanto 26% simplesmente não confiam nelas, de acordo com <a href="https://blueyonder.com/blog/2025/2025-survey-results-only-20-of-consumers-believe-brand-sustainability-claims" target="_blank" rel="noopener nofollow">pesquisa da BlueYonder.</a></p>
<p>Muito disso é reflexo de práticas de <em>greenwashing</em>, ou seja, a tentativa de parecer sustentável sem de fato sê-lo. Em resposta a essa crítica, muitas marcas passaram a adotar uma estratégia inversa: o <em>greenhushing</em>, quando ações sustentáveis deixam de ser comunicadas por medo de julgamento ou exposição pública.</p>
<p>Essa invisibilidade, no entanto, pode ser igualmente prejudicial. Quando as organizações deixam de comunicar suas iniciativas por receio de errar, perdem a chance de engajar, educar e inspirar e, principalmente, de prestar contas à sociedade. A comunicação de compromissos ESG (ambientais, sociais e de governança) precisa acontecer de forma honesta, transparente e baseada em evidências.</p>
<p>Mas comunicar impacto exige mais do que boa vontade. Exige ética, intencionalidade e dados. Exige também sensibilidade para construir mensagens coerentes com a prática, evitando tanto os <em>washings</em> quanto os <em>hushings</em> — e isso só é possível com equipes que têm diversidade de vozes envolvidas na construção de narrativas e uma escuta constante da sociedade.</p>
<p>Uma <a href="https://www.promoview.com.br/mais-da-metade-dos-brasileiros-duvida-da-autenticidade-das-marcas-ao-falar-sobre-diversidade" rel="nofollow noopener" target="_blank">pesquisa da Oldiversity</a> mostrou que 64% dos brasileiros desejam mais representatividade nas propagandas, mas mais da metade duvida da autenticidade das marcas nesse tema. Essencialmente, isso acontece pela dificuldade de avançar da inclusão simbólica para práticas estruturais. Algumas ações que podem ajudar vão desde ter equipes plurais, a tornar a participação de criadores periféricos parte da rotina e ter métricas que mostram o impacto dessas mudanças.</p>
<p>Foi pensando em como a comunicação é chave em tudo isso que fundei em 2012 a Ecomunica, empresa B certificada com a maior pontuação entre agências de comunicação do Brasil que tem uma abordagem integrada e acredita que os pilares ESG devem ser considerados em qualquer negócio — mesmo para aqueles que não atuam diretamente com a pauta socioambiental.</p>
<p>Nosso trabalho está contribuindo para que a comunicação se torne uma das mais potentes aliadas para o avanço da Agenda 2030, alinhado às ODS 13 e 16, focadas na ação contra a mudança global do clima e na comunicação para instituições mais transparentes e acessíveis.</p>
<p>Precisamos de empresas que não apenas se adaptem à nova realidade, mas sim que ajudem a construí-la. Em um mercado cada vez mais atento à coerência e ao impacto, comunicar com propósito é mais do que uma escolha: é uma necessidade.</p>
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		<title>Inovação Circular na Indústria: como resíduos de sandálias estão virando peças de alto desempenho</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/inovacao-circular-na-industria-como-residuos-de-sandalias-estao-virando-pecas-de-alto-desempenho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Thais Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 14:00:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O desafio global do descarte de resíduos e o papel das indústrias químicas A cada ano, mais de 2 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos são geradas no planeta, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O Brasil, como maior país da América Latina, contribui significativamente para esse número, com...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4><strong>O desafio global do descarte de resíduos e o papel das indústrias químicas</strong></h4>
<p>A cada ano, mais de 2 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos são geradas no planeta, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O Brasil, como maior país da América Latina, contribui significativamente para esse número, com mais de 79 milhões de toneladas de lixo urbano produzidas anualmente — e cerca de 40% desses resíduos ainda são destinados de forma inadequada. No setor industrial, o cenário é igualmente preocupante: materiais como borracha e polímeros continuam sendo descartados ou incinerados sem alternativas sustentáveis viáveis.</p>
<p>A indústria calçadista, por exemplo, é uma das grandes consumidoras de borracha, gerando sobras volumosas e pouco aproveitadas. Estima-se que o país produza aproximadamente 1 bilhão de pares de calçados por ano (Abicalçados), gerando toneladas de resíduos de borracha com baixa taxa de reaproveitamento. Nesse contexto, a necessidade de transição para modelos produtivos mais sustentáveis se torna urgente.</p>
<p>É nesse ponto que a economia circular se apresenta não apenas como uma alternativa, mas como uma obrigação ética e estratégica. Em vez da lógica linear de extração, produção, consumo e descarte, o modelo circular propõe o reaproveitamento contínuo de recursos. A abordagem dialoga diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, particularmente os de número 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e 13 (Ação Contra a Mudança Climática), pilares centrais da Agenda 2030.</p>
<h4><strong>Quando inovação e responsabilidade convergem: a jornada circular da Amino Química</strong></h4>
<p>Nesse cenário de transformação industrial, algumas empresas brasileiras vêm se destacando por ações estruturadas e consistentes em prol da sustentabilidade. A Amino Química, signatária do Pacto Global da ONU, atua há décadas na formulação de adesivos industriais, sistemas poliuretânicos e soluções de alta performance para setores como construção civil, logística, automotivo e calçadista. Sua trajetória é marcada pela busca por tecnologias limpas, matérias-primas alternativas e uso racional de recursos — não como diferenciais de mercado, mas como compromissos de longo prazo.</p>
<p>Um dos exemplos mais simbólicos dessa postura está em um projeto desenvolvido recentemente com foco na reutilização de resíduos de borracha oriundos da indústria calçadista. A empresa, em colaboração com toda a cadeia, ajudou a estruturar um ciclo produtivo capaz de transformar sobras de sandálias em rodinhas maciças para carrinhos de obra e aplicações industriais, um destino nobre e tecnicamente exigente para um resíduo que, até então, era descartado sem valor agregado.</p>
<p>Para viabilizar o projeto, foram desenvolvidas soluções químicas específicas — como os adesivos AMIPRE PB 134 e PB 137, que permitiram a aglomeração eficiente das partículas de borracha triturada. O processo resultou em um composto de alta resistência mecânica e longa durabilidade, substituindo pneus de ar tradicionais por rodas sólidas, mais robustas, seguras e sustentáveis.</p>
<h4><strong>Entre ciência e impacto: o processo e seus desdobramentos</strong></h4>
<p>O projeto da Amino não se limita à inovação técnica. Ele representa uma articulação entre diferentes setores produtivos (calçadista, químico, construção civil) e aponta para um modelo industrial mais colaborativo. O processo se baseia em quatro etapas fundamentais:</p>
<ol>
<li>Coleta e trituração de sobras de sandálias descartadas.</li>
<li>Aglomeração com os adesivos da Amino, que proporcionam coesão, estabilidade dimensional e resistência.</li>
<li>Prensagem e cura térmica, que moldam o material em rodas maciças.</li>
<li>Testes de desempenho, realizados com instituições técnicas para assegurar carga, impacto e durabilidade.</li>
</ol>
<p>O resultado é uma roda sólida capaz de suportar até 200 kg de carga, com desempenho superior a alternativas convencionais — e com uma pegada ambiental drasticamente reduzida. Estima-se que o projeto já tenha reaproveitado centenas de toneladas de borracha, evitando emissões associadas à queima desses resíduos e reduzindo a pressão sobre aterros sanitários e ecossistemas.</p>
<p>Além disso, a tecnologia viabilizou exportações para América Latina, Europa e Estados Unidos, evidenciando que soluções sustentáveis podem ser competitivas e tecnicamente superiores mesmo em mercados exigentes.</p>
<h4><strong>Desafios contínuos e a necessidade de políticas integradas</strong></h4>
<p>Apesar do sucesso técnico e comercial do projeto, os desafios estruturais permanecem. A ausência de incentivos fiscais consistentes, a fragmentação das cadeias de coleta e a carência de políticas públicas de apoio à inovação circular ainda limitam a escala de iniciativas como essa. Além disso, os custos logísticos e a falta de padronização dos resíduos exigem investimentos constantes em pesquisa e desenvolvimento.</p>
<p>A Amino Química, no entanto, demonstra que é possível avançar com soluções práticas e replicáveis, mesmo diante de contextos desafiadores. Sua atuação aponta para um caminho em que a sustentabilidade deixa de ser um apêndice corporativo e passa a integrar o coração da estratégia industrial.</p>
<h4><strong>Conclusão: o compromisso real com a Agenda 2030 começa com ação concreta</strong></h4>
<p>A Agenda 2030 e os ODS não são apenas diretrizes para o setor público ou para grandes conglomerados globais. São uma convocação universal à responsabilidade e à ação. Empresas como a Amino Química, ao estruturar projetos que transformam resíduos em insumos de valor, demonstram que o setor privado brasileiro tem capacidade e competência para liderar essa transição.</p>
<p>Mais do que inovação, trata-se de redefinir o papel da indústria na sociedade — de mera produtora de bens para agente ativo de regeneração ambiental, social e econômica. O desafio agora é ampliar essas práticas, fortalecer os ecossistemas de inovação e garantir que experiências como esta deixem de ser exceções para se tornarem o novo padrão da indústria nacional.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>O Setor Saúde na Agenda 2030: de “vilão perdoado” a protagonista ESG</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/o-setor-saude-na-agenda-2030-de-vilao-perdoado-a-protagonista-esg/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Everton Tumilheiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 16:01:49 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://www.aberje.com.br/?post_type=blog&#038;p=170555</guid>

					<description><![CDATA[Poucos setores têm tanto potencial de impacto positivo — e de contradição — quanto o setor saúde. Farmacêuticas, laboratórios, hospitais, operadoras de planos e toda a cadeia envolvida na promoção, prevenção e assistência à saúde movimentam trilhões de dólares globalmente. No entanto, quando o assunto é a Agenda 2030 da ONU e as práticas ESG,...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Poucos setores têm tanto potencial de impacto positivo — e de contradição — quanto o setor saúde. Farmacêuticas, laboratórios, hospitais, operadoras de planos e toda a cadeia envolvida na promoção, prevenção e assistência à saúde movimentam trilhões de dólares globalmente. No entanto, quando o assunto é a Agenda 2030 da ONU e as práticas ESG, o setor ainda opera aquém de sua capacidade transformadora.</p>
<p>Há uma oportunidade real e urgente: reposicionar o setor saúde não apenas como parte do sistema de cuidados, mas como protagonista do desenvolvimento sustentável. Não se trata de caridade ou marketing verde. Trata-se de estratégia de valor de longo prazo, mitigação de riscos, acesso a capital e reputação corporativa.</p>
<p>Responsável por cerca de 10% do PIB global e, aproximadamente 9,5% do PIB brasileiro, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o setor movimenta mais de R$ 900 bilhões por ano no país, sendo um dos setores mais dinâmicos, intensivos em tecnologia e com forte participação privada.</p>
<p>Essa relevância econômica vem acompanhada de uma responsabilidade proporcional na agenda do desenvolvimento sustentável, além de pressões crescentes de investidores, consumidores e reguladores que exigem práticas mais transparentes, sustentáveis e socialmente responsáveis.</p>
<h4><strong>Muito além do ODS 3 “Saúde e Bem-estar”</strong></h4>
<p>Reduzir o setor saúde ao ODS 3 — “Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades” — é subestimar uma das cadeias mais complexas, inovadoras e influentes da economia brasileira. Gerador mais de 20 milhões de empregos diretos e indiretos gerados, segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), é responsável por aproximadamente um terço da produção científica nacional, conforme dados da Scielo Brasil, o setor é um vetor estratégico de conhecimento, inovação e comportamento social.</p>
<p>Essa dimensão impõe ao setor um papel que vai muito além do cuidado clínico. O acesso diário a milhões de pessoas e o protagonismo na formação de profissionais em saúde oferecem uma plataforma poderosa para disseminar boas práticas, induzir novos hábitos e acelerar a transição para modelos mais sustentáveis de vida e produção. Em outras palavras, o setor saúde não pode se restringir a olhar para si mesmo — é preciso formar cidadãos, não apenas tratar pacientes ou atender consumidores.</p>
<p>Essa abordagem ampliada exige compreender que “fazer saúde” não acontece apenas entre paredes hospitalares ou consultórios, mas também na relação com o meio ambiente, com os territórios e com a governança institucional. A saúde ambiental, por exemplo, conecta diretamente os ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima). Poluição do ar, contaminação da água, desastres climáticos e insegurança alimentar impactam diretamente a saúde populacional e sobrecarregam os sistemas de atenção.</p>
<p>Já a governança saudável — orientada por ética, equidade e responsabilidade social — integra a essência dos ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), ODS 10 (Redução das Desigualdades) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes). O setor saúde, que emprega majoritariamente mulheres e está presente nos territórios mais vulneráveis, precisa reforçar seu papel na promoção de ambientes de trabalho inclusivos, na formação de lideranças diversas e na proteção ativa dos direitos humanos.</p>
<p>Organizações como a Health Care Without Harm, no Brasil representada pelo Projeto Hospitais Saudáveis (PHS), já defendem abertamente que a sustentabilidade deve ser um imperativo institucional no setor saúde, e não apenas uma pauta secundária. Relatórios recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da ONU Meio Ambiente reforçam que os sistemas de saúde resilientes são aqueles que integram dimensões ambientais, sociais e econômicas em sua estrutura e operação.</p>
<p>Se o setor saúde quer, de fato, ser parte da solução e não do problema, precisa se comprometer com uma visão holística, multissetorial e interdependente da sustentabilidade. Afinal, o impacto gerado por suas operações, cadeias produtivas, decisões de investimento e ações educativas reverbera muito além dos muros institucionais — influencia diretamente a qualidade de vida, a justiça social e a saúde do planeta.</p>
<h4>Setor Saúde: o vilão perdoado</h4>
<p>Apesar do papel crucial que o setor saúde desempenha para o bem-estar social, ele frequentemente é eximido das responsabilidades socioambientais e de governança que pesam sobre outras indústrias. Este fenômeno, que podemos chamar de “vilão perdoado”, revela um paradoxo: enquanto o setor é celebrado por salvar vidas, muitas vezes ele é isento de um escrutínio rigoroso sobre seu impacto ambiental e práticas éticas, aspectos centrais para a sustentabilidade corporativa na era da Agenda 2030.</p>
<p>Um exemplo emblemático está no debate sobre a poluição plástica. O setor saúde é um dos maiores geradores de resíduos plásticos no mundo, principalmente por conta dos equipamentos descartáveis, embalagens e insumos médicos. Segundo relatório da Health Care Without Harm (HCWH), o setor saúde gera cerca de 4,4 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos anualmente só nos EUA — uma cifra que cresce globalmente com o aumento dos cuidados médicos. No entanto, o setor não é tradicionalmente incluído nos planos “net zero” ou nas políticas corporativas ambientais com a mesma intensidade que setores como energia, transporte ou indústria.</p>
<p>No campo da governança, o setor saúde também enfrenta desafios consideráveis. A OMS reconhece que a corrupção afeta substancialmente a qualidade dos serviços de saúde e o acesso a medicamentos essenciais, reduzindo a eficiência dos gastos públicos e privados. Entretanto, discussões sobre compliance e transparência no setor saúde frequentemente ganham menos destaque do que em setores como o financeiro ou energético, dada a percepção da área como “mais sensível” e com “menos espaço para controvérsias”.</p>
<p>Além dos desafios ambientais e éticos, a cadeia de suprimentos do setor saúde frequentemente negligência questões cruciais de direitos humanos, como a prevenção do trabalho escravo, trabalho infantil e condições degradantes de trabalho. Infelizmente, ainda hoje o setor saúde global depende significativamente de fornecedores em regiões onde tais práticas são mais comuns e menos fiscalizadas. A complexidade e a fragmentação das cadeias upstream — envolvendo desde matérias-primas para equipamentos médicos até insumos farmacêuticos — dificultam a rastreabilidade e o monitoramento efetivo das condições laborais. Apesar de sua posição estratégica, muitas empresas do setor ainda não adotam políticas robustas para garantir a conformidade social e ambiental de seus fornecedores, expondo-se a riscos reputacionais e legais.</p>
<p>Este cenário de isenção parcial pode retardar o avanço das práticas ESG no setor saúde, minando seu potencial para liderar verdadeiramente a sustentabilidade integrada. Instituições como a International Finance Corporation (IFC) e a Global Reporting Initiative (GRI) alertam para a necessidade urgente de incorporar critérios ambientais, sociais e de governança de forma mais rigorosa e transparente nos negócios da saúde — desde laboratórios farmacêuticos até hospitais e operadoras.</p>
<p>Reconhecer o setor saúde como um “vilão perdoado” é o primeiro passo para ampliar a responsabilidade corporativa, mitigar riscos ambientais e sociais, e alinhar o setor aos objetivos da Agenda 2030 de forma plena e consistente. O desafio é urgente: o setor que salva vidas também precisa salvar o planeta e fortalecer sua integridade institucional para ser sustentável no longo prazo.</p>
<h4><strong>O setor saúde que inspira: práticas ESG que estão transformando o cuidado</strong></h4>
<p>A incorporação de critérios ESG no setor saúde ainda é desigual. Enquanto algumas grandes farmacêuticas e hospitais de ponta avançam em metas de descarbonização, equidade e governança, uma parcela significativa do setor segue operando com baixa transparência, alta produção de resíduos hospitalares, pouca diversidade em cargos de liderança e acessos desiguais a medicamentos e serviços.</p>
<p>Em 2023, apenas 27% das empresas de saúde listadas na B3 publicaram relatórios ESG robustos com indicadores auditáveis, segundo levantamento da SITAWI Finanças do Bem. O desafio não é apenas reportar — é transformar.</p>
<p>Embora o setor saúde enfrente desafios significativos em sua jornada ESG, é importante reconhecer que diversas organizações estão liderando iniciativas transformadoras. Conforme reportagens da Exame ESG, empresas do setor têm implementado ações concretas que demonstram um compromisso genuíno com a sustentabilidade, a inclusão e a inovação.</p>
<p>Algumas organizações têm investido na criação de ecossistemas de saúde sustentáveis, desenvolvendo plataformas integradas que conectam diversos serviços, inclusive de terceiros. Essas iniciativas visam colocar o paciente no centro do processo, ampliando o acesso à saúde e promovendo a prevenção e o tratamento de forma mais eficiente.</p>
<p>A pandemia da COVID-19 acelerou as práticas ESG em várias empresas do setor. Algumas organizações reforçaram programas de diversidade e inclusão, mapeando quadros de funcionários com significativa representatividade de mulheres, pessoas negras e pardas, LGBTI+, pessoas com mais de 50 anos e pessoas com deficiência.</p>
<p>O engajamento de funcionários e fornecedores em práticas sustentáveis tem sido uma prioridade para algumas organizações. Com milhares de funcionários, empresas têm trabalhado para mostrar que mudanças climáticas e outras agendas ambientais são relevantes para todos os stakeholders, promovendo uma cultura organizacional alinhada com os princípios ESG.</p>
<p>Instituições de saúde também têm demonstrado seu compromisso com a agenda ESG ao se tornarem signatárias do Pacto Global da ONU e ao lançarem relatórios anuais de sustentabilidade. Esses documentos detalham as ações e metas relacionadas ao meio ambiente, responsabilidade social e governança, reforçando a transparência e o alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).</p>
<p>No campo da saúde pública, o CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), tem se destacado como uma Organização Social que incorpora a agenda ESG de forma estruturada. Seus projetos integram responsabilidade ambiental, inclusão, ética institucional e gestão baseada em evidências. A adesão ao Pacto Global da ONU reforça seu compromisso com os princípios de direitos humanos, trabalho decente, meio ambiente e combate à corrupção. A instituição mantém um Programa de Integridade robusto, com política de tolerância zero à corrupção, código de ética e conduta, canal de denúncias com proteção ao denunciante e ações contínuas de capacitação ética. Transparência, governança responsável e respeito à legislação são princípios incorporados à gestão, com reconhecimento de entidades sindicais pela valorização de profissionais e boas práticas trabalhistas.</p>
<p>No eixo ambiental e social, destaca-se o projeto Descobrindo Sabores, em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), que oferece refeições veganas em hospitais do SUS, promovendo saúde, redução de impacto ambiental e educação alimentar. O CEJAM também demonstra seu compromisso com o combate à poluição plástica ao isentar de PVC todo o seu abastecimento de luvas de procedimento, um insumo de alto volume no cotidiano hospitalar. No cuidado com os profissionais, oferece acesso gratuito a uma plataforma de saúde emocional que disponibiliza sessões online com psicólogos, conteúdos educativos, práticas de meditação e ferramentas de autoconhecimento, além de tantos outros benefícios, acompanhados por uma reconhecida política de remuneração justa, bem como uma alta reputação por parte de entidades sindicais pela manutenção do diálogo e respeito às normas trabalhistas. Assim, a instituição reafirma que é possível promover saúde pública com responsabilidade socioambiental, ética e inovação, contribuindo diretamente para a promoção da equidade e o fortalecimento do SUS.</p>
<h4><strong>Conclusão</strong></h4>
<p>A urgência climática, as desigualdades sociais e a pressão por transparência e responsabilidade demandam uma nova postura do setor saúde. A Agenda 2030 não é uma pauta acessória, mas um chamado à ação integrada — e o setor, com toda sua capilaridade, ciência e credibilidade, tem o potencial de liderar essa transformação.</p>
<p>Felizmente, o movimento já começou. Iniciativas de diferentes <em>players </em>comprometidos mostram que é possível — e necessário — alinhar cuidado com sustentabilidade, eficiência com justiça, lucro com ética. O futuro da saúde não será apenas mais tecnológico ou mais acessível: será também mais justo, verde e íntegro. Para que isso aconteça, é preciso abandonar o papel de “vilão perdoado” e assumir o protagonismo que a saúde sempre teve — desta vez, a favor da vida em todas as suas dimensões.</p>
<p>O potencial de impacto positivo é imenso — e o momento de agir é agora. A saúde do planeta e das futuras gerações depende disso.</p>
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		<title>A Saúde Mental na Agenda 2030: Um Pilar Transversal para o Desenvolvimento Sustentável</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/blog/a-saude-mental-na-agenda-2030-um-pilar-transversal-para-o-desenvolvimento-sustentavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruno Ziller]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 16:45:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A saúde mental é um direito humano, uma condição para o desenvolvimento pleno e um alicerce fundamental para sociedades justas, equitativas e sustentáveis. Ainda assim, por muito tempo foi negligenciada no centro das políticas públicas e das estratégias globais. Ao observarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, percebemos que a saúde mental, embora...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A saúde mental é um direito humano, uma condição para o desenvolvimento pleno e um alicerce fundamental para sociedades justas, equitativas e sustentáveis. Ainda assim, por muito tempo foi negligenciada no centro das políticas públicas e das estratégias globais.</p>
<p>Ao observarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, percebemos que a saúde mental, embora explicitamente contemplada na meta 3.4 do ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), perpassa quase todos os outros objetivos — e deve ser tratada como tema transversal e estratégico para o alcance das metas da Agenda 2030.</p>
<h4><strong>A centralidade da saúde mental na agenda do desenvolvimento</strong></h4>
<p>No Brasil, <a href="https://www.ipsos.com/pt-br/saude-mental-preocupa-mais-da-metade-da-populacao-brasileira" target="_blank" rel="noopener nofollow">de acordo com pesquisa da IPSOS</a>, 52% da população considera a saúde mental a principal preocupação na área da saúde, superando temas como câncer e doenças cardiovasculares. Essa percepção coletiva reforça o que os dados mostram: não há bem-estar social, produtividade, equidade ou paz sem cuidado com a saúde mental.</p>
<p>O <a href="https://panoramasaudemental.org/" target="_blank" rel="noopener nofollow">Panorama da Saúde Mental</a>, pesquisa idealizada pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, revelou em sua última edição que o Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM) da população brasileira é de 682 pontos (em uma escala de 0 a 1000), refletindo níveis moderados de confiança, vitalidade e foco. Os jovens de 16 a 24 anos, por exemplo, apresentaram o menor ICASM entre todas as faixas etárias: apenas 575 pontos, o que revela uma geração vulnerável e que necessita de atenção urgente e contínua.</p>
<p>Além disso, o estudo mostra que mulheres seguem sendo mais impactadas do que homens, e que fatores como migrações e mudanças climáticas, instabilidade financeira, violência, bullying, privação de sono, e o uso nocivo de redes sociais estão diretamente associados a condições mais adversas de saúde mental. Esses achados nos conduzem à inevitável constatação de que os determinantes sociais da saúde, como renda, educação, gênero, moradia e ambiente digital, são determinantes também da saúde mental.</p>
<h4><strong>ODS integrados, ações integradas</strong></h4>
<p>Promover saúde mental não se resume a oferecer acesso a psicólogos ou psiquiatras. Trata-se de promover dignidade humana em todas as dimensões da vida. A saúde mental impacta e é impactada por diversos setores. E isso vai de encontro  com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.</p>
<p>A erradicação da pobreza (ODS 1) e o trabalho decente (ODS 8) estão diretamente ligados à saúde mental. A insegurança econômica, a privação de direitos básicos e o estresse financeiro estão entre os fatores com maior impacto negativo no Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM). Por outro lado, condições de trabalho seguras, justas e humanas funcionam como fatores de proteção, promovendo segurança emocional, produtividade e empregabilidade.</p>
<p>Já a educação de qualidade (ODS 4) também desempenha um papel fundamental. Metade dos transtornos mentais se manifesta antes dos 14 anos, e 75% até os 24 anos. Por isso, escolas que promovem saúde mental são essenciais para quebrar ciclos de exclusão, evasão escolar e melhorar o desempenho acadêmico.Trata-se de uma relação de ganha-ganha entre saúde mental e educação.</p>
<p>A promoção da igualdade de gênero (ODS 5) e a redução das desigualdades (ODS 10) são fundamentais para a saúde mental, especialmente entre grupos vulnerabilizados. Mulheres, pessoas negras, jovens e LGBTQIAPN+ enfrentam maior exposição à violência, precariedade e sobrecarga &#8211; fatores que impactam a saúde mental destes grupos de maneira mais severa. Sendo assim, não podemos desvincular ações sistêmicas voltadas para esses grupos minorizados do potencial impacto que elas geram em sua saúde mental.</p>
<p>As cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11) devem considerar a saúde mental em seus planejamentos. A vida urbana, marcada por violência, poluição e exclusão pela falta de mobilidade, afeta profundamente o bem-estar das pessoas. Por outro lado, moradia digna, transporte público acessível e espaços verdes são determinantes positivos da saúde mental.</p>
<p>Por fim, a promoção da paz, da justiça e de instituições eficazes (ODS 16) impactam a saúde mental em um território. A violência, o trauma, e o abandono tem suas consequências e deixam suas marcas em uma população. A promoção de saúde mental é tida como um dos principais pilares para cultivar caminhos de paz onde a violência tem sido narrativa dominante, em diversas localidades do Brasil.</p>
<h4><strong>Caminhos para a mudança</strong></h4>
<p>Mudanças estruturais na maneira com a qual lidamos com saúde mental demandam ações coletivas, integradas e intersetoriais. Para isso, se faz necessária a participação dos mais diferentes segmentos e setores da sociedade.</p>
<p>Precisamos olhar para os grupos mais vulnerabilizados. São essas populações mais expostas aos fatores de risco em saúde mental, mas ao mesmo tempo com maiores barreiras para acesso ao cuidado.</p>
<p>Em um país onde a maior parte da parcela depende de serviços públicos de saúde, educação e assistência social, como o Brasil, o Estado tem um papel fundamental como  indutor de mudanças estruturais. É necessário que a formulação, implementação e avaliação de políticas públicas de todas as áreas passem a incorporar a lente da saúde mental.</p>
<p>O setor privado tem um papel de extrema importância na promoção da saúde mental. Internamente, as empresas são capazes de incorporar iniciativas de cuidado e acolhimento psicológico e emocional para seus funcionários. Da porta para fora, a iniciativa privada tem enorme capacidade e capilaridade para desenvolver ações nos territórios nos quais está inserida, podendo melhorar a realidade daqueles em sua volta.</p>
<p>Essa perspectiva vale também para as ODS e demais compromissos com o desenvolvimento internacional. É urgente que a saúde mental seja não apenas reconhecida como parte da esfera da saúde, mas sim como um elemento integral e transversal, com a devida potência de ampliar o impacto das ações em diferentes setores para promover a transformação social. Somente assim, coletivamente, seremos capazes de construir uma sociedade mais saudável do ponto de vista da saúde mental para todas as pessoas.</p>
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		<title>Impasses na internacionalização do ensino</title>
		<link>https://www.aberje.com.br/impasses-na-internacionalizacao-do-ensino/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bruna Fernandes Tammerik]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jun 2025 15:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos trouxe políticas públicas que estão na contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Enquanto diversos países, organizações e empresas atuam em conjunto para avançar nas metas estipuladas em cada ODS, o principal credor de diversas agências da Organização das Nações Unidas (ONU), os EUA, está se omitindo...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos trouxe políticas públicas que estão na contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Enquanto diversos países, organizações e empresas atuam em conjunto para avançar nas metas estipuladas em cada ODS, o principal credor de diversas agências da Organização das Nações Unidas (ONU), os EUA, está se omitindo da participação em fundos financeiros, dificultando a cooperação internacional.</p>
<p>O presente artigo foca no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4, “Educação de qualidade”, que visa garantir “o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos” (NAÇÕES UNIDAS BRASIL).</p>
<p>Especificamente, aborda a meta 4.b e expõe como a gestão atual de vistos estudantis de estrangeiros, nos Estados Unidos, atrasa (e, até mesmo, impede) o alcance das metas globais descritas no documento “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.</p>
<h4>A cooperação internacional como ferramenta para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável</h4>
<p>A priori, para compreender a correlação entre decisões políticas de um país, individualmente, e as repercussões mundiais consequentes destas, faz-se necessária a definição de cooperação internacional.</p>
<p>De acordo com a Secretaria de Relações Internacionais do Governo do Distrito Federal, a cooperação internacional é “o ato em que dois ou mais países ou instituições se ajudam para atingir um objetivo em comum, por meio de instrumentos cooperativos, com envolvimento ou não de recursos financeiros” (SERINTER, 2022). E pode ter diferentes propósitos, como o acadêmico, científico, financeiro, tecnológico, entre outros.</p>
<p>Aplicando este entendimento ao caso do artigo, as recentes tomadas de decisão do chefe de governo dos Estados Unidos, visando cumprir com a agenda nacional prometida por Donald Trump e pelo Partido Republicano, tem repercutido de maneira negativa em determinados acordos e discussões do sistema internacional, devido à restrição e/ou omissão na coparticipação para o enfrentamento de desafios globais, como a crise climática, desigualdade social e a fome. Duas decisões recentes servem de exemplo: a retirada do Acordo de Paris e da Organização Mundial da Saúde, ambas em janeiro de 2024.</p>
<p>Não somente, o fortalecimento de políticas contrárias à imigração e favoráveis à deportação, e o fomento a discursos de ódio proferidos a imigrantes e refugiados (principalmente aqueles originários de países em desenvolvimento [DW, 2025]) contraria objetivos comuns acordados por 193 Estados-membros das Nações Unidas, durante a Cúpula ocorrida em Nova York em setembro de 2015.</p>
<p>A sessão mencionada resultou no documento “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” e, concomitante, no plano de ação global, conhecido como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, (composto por 17 objetivos interconectados e 169 metas de iniciativas mundiais).</p>
<p>Portanto, os acontecimentos recentes demonstram que, além de desacelerar o alcance das metas propostas nos ODS, devido à falta de cooperação por parte dos EUA, a política interna estadunidense reforça estigmas que a comunidade internacional está tentando desmantelar, a fim de atingir propósitos que dependem da colaboração da sociedade.</p>
<h1></h1>
<h1>O contexto político estadunidense</h1>
<p>&nbsp;</p>
<p>A acusação da proliferação de discursos de ódio direcionada a imigrantes e refugiados tem um embasamento na conjuntura política atual dos Estados Unidos. Torna-se indispensável visitar a plataforma do Partido Republicano, especificamente o documento de 2024, para entender, mas não justificar, tanto essa situação quanto os motivadores de votos eleitorais.</p>
<p>Nomeada de “<em>Make America Great Again</em>” e dedicada aos “homens e mulheres esquecidos da América”, o Projeto Presidencial dos republicanos alega que é necessário “retornar ao senso comum” de que os Estados Unidos é a melhor/maior nação da história mundial. E a priorização do país e de seus cidadãos – tanto na política doméstica quanto na internacional – serve de norte para o atual mandato (REPUBLICAN PARTY, 2024).</p>
<p>A agenda da Plataforma para Make America Great Again compila 20 temas que contradizem os parágrafos da Agenda 2030 devido à divergência de propostas, como a proteção das fronteiras contra a invasão e imigrantes, corte de investimentos em pautas internacionais e em escolas que favoreçam a aprendizagem sobre temas raciais, de gênero ou sexuais (REPUBLICAN PARTY, 2024).</p>
<p>Apesar de discordar da discussão internacional, os artigos do Projeto Presidencial fizeram – e, geralmente, continuam fazendo &#8211; sentido para os mais de 77 milhões de estadunidenses que votaram no representante Donald Trump (correspondente a 49,8% do voto popular) (CNN Brasil, 2024), servindo de respaldo à política dos EUA em âmbito doméstico e internacional.</p>
<p>A política externa dos Estados Unidos parece estar passando por um novo momento de protecionismo e de isolacionismo, comedido pela conjuntura atual do sistema internacional. Portanto, é inegável que um ator tão importante nas relações internacionais, os EUA, está se desvencilhando de agendas que demandam esforços cooperativos em prol de objetivos comuns a outros países. Porém, não aleatoriamente nem devido a princípios individuais, mas agindo de acordo com uma parcela significativa do seu eleitorado, que crê nessas medidas como necessárias para a manutenção do poderio estadunidense e do bem-estar social nacional.</p>
<h4>Os campus universitários e a restrição de alunos estrangeiros</h4>
<p>Como dito anteriormente, essa análise conjuntural permite o entendimento do que está se passando, mas não justifica a falta de colaboração.</p>
<p>Em uma dinâmica na qual a cooperação internacional funciona como um efeito borboleta, a inatividade de um dos maiores credores das cadeias globais de valor afeta significativamente planos de ação conjuntas, que, mesmo que não digam respeito diretamente à realidade nacional dos Estados Unidos, atrasam (senão pioram) o movimento de alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.</p>
<p>A política doméstica dos EUA está cada vez mais restritiva à participação de estrangeiros no cotidiano estadunidense, e acontecimentos recentes no âmbito estudantil comprovam que essa repulsa imigração (independentemente da legalidade) é crescente.</p>
<p>A plataforma <em>Make America Great Again</em> prevê a deportação de apoiadores do grupo terrorista Hamas para restaurar os <em>campus</em> universitários, tornando-os lugares seguros e patrióticos (REPUBLICAN PARTY, 2024). A princípio, existe um sentido de defesa nacional contra ameaças terroristas somada à promoção do combate ao antissemitismo. Contudo, as propostas de Donald Trump, com destaque para as dirigidas à Universidade Harvard em maio deste ano, não incluem esforços para detectar perigos reais.</p>
<p>O governo dos Estados Unidos afirmou que proibiria universidades de prestígio de ter qualquer estudante estrangeiros, e retaliaria aquelas que matriculassem cidadãos de fora do território dos EUA (FRANCE PRESSE, 2025).</p>
<p>Dados atuais indicam que a Universidade Harvard possui pouco mais de 27% de alunos não estadunidenses, o que corresponde a 6.973 alunos de mais de 140 países (SANTOS, 2025).</p>
<p>Em uma matéria da CNN Brasil, <strong>Fernanda Magnotta</strong>, PhD especializada em Estados Unidos. Professora da FAAP, pesquisadora do CEBRI e do Wilson Center. Referência brasileira na área de Relações Internacionais, afirma que Harvard:</p>
<blockquote><p>Mais do que uma universidade, representa a elite liberal, cosmopolita e progressista, frequentemente atacada por movimentos populistas que pretendem antagonizar “o povo real” e “as elites distantes”. Ao mirar a presença de estudantes internacionais, Trump ativa códigos culturais poderosos, mobilizando ressentimentos sociais e transformando jovens estrangeiros &#8211; frequentemente altamente qualificados &#8211; em alvos de desconfiança e hostilidade (MAGNOTTA, 2025).</p></blockquote>
<p>Essa designação de estudantes estrangeiros como uma ameaça, sem critérios de distinção, faz surgir barreiras à cooperação internacional. Principalmente no que diz respeito às metas de intercâmbio acadêmico, com finalidade de democratização do conhecimento científico a nível global.</p>
<h4>A correlação com a ODS nº 4</h4>
<p>A Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam a evolução dos debates e esforços internacionais para enfrentar problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais, como a crise climática, a desigualdade social e a fome.</p>
<p>Os 17 ODS formam uma rede interconectada que lida com os desafios globais enfrentados por todas as nações e suas populações. Nesse contexto, qualquer progresso ou retrocesso no alcance das metas desses objetivos gera impactos que reverberam globalmente.</p>
<p>No que se refere ao Objetivo nº 4, a “Educação de Qualidade” é sua centralidade, e suas metas foram estipuladas a fim de definir o que constitui essa qualidade, abrangendo todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar até o ensino superior. Quase todas as metas subjacentes falam sobre a necessidade de eliminar disparidades de gênero na educação, o que interconecta este objetivo diretamente com o ODS nº 5, “Igualdade de gênero”.</p>
<p>Ademais, dentro do ODS nº 4, a meta 4.b aborda a assistência para bolsas de estudos, de maneira a:</p>
<p>(&#8230;) substancialmente ampliar globalmente o número de bolsas de estudo para os países em desenvolvimento, em particular os países menos desenvolvidos, pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países africanos, para o ensino superior, incluindo programas de formação profissional, de tecnologia da informação e da comunicação, técnicos, de engenharia e programas científicos em países desenvolvidos e outros países em desenvolvimento (NAÇÕES UNIDAS BRASIL).</p>
<p>Ainda, de acordo com o documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, no 36º parágrafo, os Estados-Parte se comprometem a:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(&#8230;) promover a compreensão intercultural, a tolerância, o respeito mútuo e uma ética de cidadania global e responsabilidade compartilhada. Reconhecemos a diversidade natural e cultural do mundo e reconhecemos que todas as culturas e civilizações podem contribuir para, e constituem elementos cruciais de desenvolvimento sustentável (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2015).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Percebe-se que existe uma divergência entre os parágrafos do documento supracitado e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com relação aos acontecimentos recentes nas universidades estadunidenses, e com a propagação a categorização de estudantes estrangeiros como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.</p>
<p>Essa interrupção da cooperação entre um país desenvolvido tanto com países em desenvolvimento quanto com o sistema internacional (de maneira geral) atrapalha os rumos às metas da Agenda 2030.</p>
<h4>O impacto do intercâmbio acadêmico</h4>
<p>O intercâmbio de estudantes de países em desenvolvimento para países desenvolvidos é de suma importância, porque gera um impacto multifacetado que beneficia não somente o indivíduo, como suas comunidades de origem e o desenvolvimento global. A oportunidade de acessar tecnologias avançadas, metodologias de ensino inovadoras e realizar pesquisas que aprimorem seu desempenho acadêmico e profissional, e impactam no desenvolvimento do país de origem.</p>
<p>Em entrevista, <strong>Moisés Teles</strong>, professor da Escola Politécnica da USP, afirma:</p>
<p>(&#8230;) a mobilidade internacional de estudantes por meio de intercâmbios e duplo diploma pode ser uma aliada, ampliando e reforçando as competências técnicas adquiridas no currículo acadêmico do país de origem. Empresas e instituições não atuam mais apenas localmente, mas em ambientes globais (TELES, 2024).</p>
<p>O networking internacional gera uma rede de contatos composta por diferentes culturas, costumes, perspectivas, que permitem àquele que as experiencia entender o propósito de se combater outros desafios globais, para além daquele que o aluno se sente parte. Existe uma compreensão mais profunda da humanidade, tornando-os mais tolerantes, abertos a novas ideias e dispostos a participar de ambientes multiculturais.</p>
<p>O retorno dos estudantes ao país de origem, por exemplo, significa a transferência de conhecimento e tecnologia, aprimorando setores-chave para o desenvolvimento sustentável de uma nação em diferentes âmbitos, como econômico e social.</p>
<p>Os alunos estrangeiros se tornam agentes de mudança, líderes que fortalecem não apenas o seu entorno, mas, também, as redes internacionais, gerando um estímulo à internacionalização e possibilitando a multiplicação de intercambistas que farão o mesmo em outras realidades ou em futuras gerações.</p>
<p>Dessa forma, apesar de um grande ator internacional, que é os Estados Unidos, estar fazendo esforços na direção contrária à aquelas que se tornaram motivadoras para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, seguir os mesmos passos não é somente contraprodutivo para a comunidade internacional, mas um desestímulo à democratização do ensino, à diversidade de conhecimentos e a formação de agentes de mudança e futuros líderes, capacitados para mudar a realidade daqueles países que, muitas vezes, permanecem distante dos caminhos para o desenvolvimento sustentável.</p>
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