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2º Lab discute inovação e comunicação para mobilidade

Aberje

2º Lab de Comunicação para Mobilidade

Nelson Oliveira, da GM, no 2º Lab de Comunicação para Mobilidade

Danilo Thomaz

A Aberje e a GM realizaram, nesta segunda-feira (24/10), o 2º Lab de Comunicação para Mobilidade. Com o tema Tempo, o encontro debateu formas de inovação, cidadania e comunicação para a questão da mobilidade nas grandes cidades.

O diretor de comunicação da General Motors, Nelson Silveira, afirmou que a empresa “busca se tornar uma empresa de serviços de mobilidade.” A iniciativa inclui a criação de carros elétricos, como o Bolt, primeiro automóvel elétrico no mundo, lançado recentemente nos Estados Unidos, e o investimento em serviços deride sharing, como o Lyft, e car sharing, como o Maven, lançado neste ano Brasil, nas unidades da GM. Este deve ser disponibilizado para o público nos próximos meses.

“O modelo de posse do uso do veículo está mudando significativamente. As pessoas vão continuar comprando carros, para usar nos finais de semana, e, durante a semana, usarão serviços de compartilhamento de carros”, diz Nelson. “Hoje o nosso modelo de negócio está baseado na venda de carros. No futuro, vai ser baseado na quantidade de quilômetros no qual as pessoas vão dirigir nossos veículos.”

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O professor Norval Baitello estabeleceu a relação entre o território e a comunicação. “O território é a domesticação do espaço”, afirma ele, para quem “nós, humanos, passamos a viver em sociedades de insetos.”

 

Leão Serva e Norval Baitello

 

Segundo Baitello, “isso exigiu o desenvolvimento de uma comunicação para essa nova sociedade”, começando pela voz até as formas modernas, baseadas na proximidade, como nas sociedades primitivas, a relação consigo e com uma pequena comunidade, e na distância, típica forma de comunicação das sociedades modernas e contemporâneas, baseada na relação com o outro. “A comunicação é a forma de sincronização da sociedade. Sobretudo em sociedade mais complexas, como a humana, precisamos de meios complexos de sincronização”, afirma.

Simone Gallo, responsável pelas relações governamentais e institucionais do Itaú, falou da opção do Itaú pela bicicleta como causa. “O bike sharing foi a primeira iniciativa”, conta.

Feito em parceria com a sociedade civil e o setor público, o programa de mobilidade do banco está, hoje, presente em grandes centros do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. “O objetivo é promover a integração entre as formas de mobilidade”, afirma.

 

Simone Gallo, do Itaú

 

Entre as ações inovadoras criadas pelo Itaú em parceria com o setor público estão a inclusão de questões sobre ciclismo para a prova técnica do CFC, feita em parceria com o governo do Estado de Pernambuco, e ações de conscientização de motoristas de ônibus. Nesta, um motorista de ônibus pedala uma bicicleta ao lado de um ônibus. A ação, como na prova de CFC, tem o objetivo de promover a conscientização dos motoristas e permitir a comunicação entre os diferentes atores do transporte.

O arquiteto e urbanista Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul, que realiza a Flip, apresentou ao público um histórico das formas de comunicação de Paraty, onde se realiza a festa literária, até a construção da estrada Rio-Santos, em 1974. “Até a criação da Rio-Santos a comunicação pela imprensa chegava uma vez por semana a Paraty. A comunicação de Paraty com o mundo se dava pela via náutica”, contou.

 

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O arquiteto Mauro Munhoz, diretor-presidente da Associação Casa Azul

 

Mauro relatou que as ações da Associação Casa Azul se iniciaram em 1994, tendo em vista o remodelamento da infraestrutura paratiense, então já transformada pelo progresso – e suas contradições. As dificuldades na implantação da reestruturação urbana mostraram que a ocupação do espaço público levaria a uma transformação mais rápida e profunda do território. “Nós buscávamos provocar uma experiência para os  visitantes e moradores de Paraty de viver a cidade, afinal, o principal equipamento para a mobilidade são os pés”, disse Mauro que, à frente da Casa Azul, promoveu a reforma da Praça da Matriz, devolvendo a ela seu desenho original e uma faixa para pedestres na Avenida Otávio Gama. “A qualidade da Flip é o encontro, a experiência. Mudar a maneira de utilizar o espaço para intervir no espaço. Nisso, a comunicação é fundamental, de forma a integrar diferentes áreas.”

Alessandro Germano, gerente de novos negócios do Google, apresentou as iniciativas da empresa de tecnologia para a mobilidade, estabelecendo a relação entre tecnologia, mobilidade e comunicação. “As informações de pessoas se movimentando faz com que a movimentação seja mais eficiente. O importante é saber como nós juntos, por meio da tecnologia, podemos nos comunicar. A mobilidade tem a ver com celular. Só existe a mobilidade tecnológica porque as pessoas precisam da mobilidade física”, disse. “O Uber mostra a necessidade por um transporte mais eficiente. A tecnologia está disponível para ajudar as pessoas a se deslocarem e a não se deslocarem.”

Alessandro Germano, do Google

Mariana Castro, do F451, destacou que a comunicação é a base da nova economia por estar ancorada no compartilhamento de dados e nas novas tecnologias. “A era da nova economia é o uso da inteligência coletiva. Você fala sobre uso de dados”, disse.

Mariana Castro, da F451

Nesse cenário, segundo ela, “a mobilidade deve mudar radicalmente. Provavelmente a gente não vai ter carro a combustão, carro como posse, carro com motorista. Não faltam oportunidades para solução da mobilidade.”

Ciro Biderman falou do contexto da criação do Mobilab, iniciativa da Secretaria Municipal de Transportes (SMT) da Prefeitura de São Paulo, que busca o desenvolvimento de soluções para a melhoria da gestão do transporte  e da mobilidade urbana na cidade, promovendo a comunicaçãoentre os setores público, privado e Terceiro Setor.

Segundo ele, a ideia surgiu como uma resposta da Prefeitura de São Paulo às manifestações de Junho de 2013, como forma de agregar os diferentes setores que atuam na questão da mobilidade e transporte, e enfrentar resistências quanto ao armazenamento e compartilhamento de dados.

Ciro Biderman, do Mobilab, da Prefeitura de S. Paulo

 

Biderman destaca também a importância do setor público como regulador dos aplicativos que representam a nova economia. “Se a gente não aprender a regular essas empresas a gente não vai fazer muita coisa. Esse é o papel do setor público hoje em dia.”

O consultor de mobilidade, Daniel Guth, levou dados que mostraram uma inversão na lógica do uso da bicicleta no Brasil.

Antes um veículo voltado para pessoas de menor poder aquisitivo, a bicicleta, conforme mostrou Daniel, perdeu seu caráter econômico e passou a ser um veículo para quem busca praticidade e saúde. Isso se verifica na presença dela nas diferentes faixas de renda: entre os mais pobres a proporção é seis por mil habitantes (era 9 por 1000 há alguns anos). Entre os mais ricos a proporção, hoje, é de 4,5 por mil habitantes – há alguns anos era de 2,5.

O consultor em mobilidade Daniel Gruth

Os fatores que levaram a essa mudança do caráter da bicicleta, segundo Daniel, são o aumento da renda e do crédito nos anos de crescimento econômico, aliados ao estímulo à aquisição de automóveis e motocicletas. Entre 1994 e 2013, a presença dos automóveis como meio de transporte aumentou 162%, da motocicleta 1093%, enquanto as bicicletas caíram 39%.

O desafio, segundo Daniel, é “reverter a lógica da elitização do uso de bicicleta” e do transporte individual, presente mesmo em iniciativas inovadoras, como os aplicativos para transporte. “Aplicativos como o Waze promovem a desertificação da cidade”, afirmou.

3º Lab

O terceiro e último encontro do Lab de Comunicação para Mobilidade acontece no dia 11 de novembro, no Salão do Automóvel, e tem como tema “Saídas”. Nele, será elaborado um documento que sistematize um conjunto de conhecimentos sobre a comunicação da mobilidade, a partir das discussões levantadas e das pesquisas apresentadas nos dois primeiros encontros. Para tanto, reunirá um time de inovadores de diferentes áreas da mobilidade – do ativismo ao Estado: o fundador da BH Trans, Osias Batista Neto; o ativista Ciclocidade e Mobilidade ativa, Daniel Guth; o presidente da Serttel e criador do Bike Sampa, Ângelo Leite e o diretor-executivo de Jornalismo da Band, André Luiz Costa.

Inscreva-se aqui.