Por Jornalismo Júnior (André Netto, Gabrielle Torquato e Matheus Oliveira)

Nos dias 25 e 26 de abril, a Aberje promoveu a 3ª edição do Aberje Trends – Tendências da Comunicação. O encontro tratou sobre as mais novas práticas de comunicação no meio corporativo sob o prisma de sociedades cada dia mais dialéticas em suas formas organizacionais. Dentre as pautas tratadas estavam diversidade corporativa, relacionamento com a imprensa, relações governamentais, transformação digital, comunicação interna, relacionamento com a comunidade, entre outros.

Confira abaixo um resumo de tudo o que rolou no segundo dia do ciclo de palestras coberto pela Jornalismo Júnior. (Confira a cobertura do primeiro dia do evento aqui).

Content Liability: a responsabilidade das plataformas digitais

O segundo dia começou com uma breve apresentação do jornalista Alexandre Mansur sobre Content Liability and Accountability, tema que está em alta devido às recentes descobertas de divulgação de dados pelo Facebook. A ideia é que estas grandes empresas, como o próprio Facebook e o Google, passem a prestar contas sobre o que é divulgado em suas plataformas, deixando de lado a percepção de que seriam apenas reprodutores de conteúdo dos usuários.

O jornalista Alexandre Mansur falou sobre Content Liability na abertura do Aberje Trends. Já ouviu falar? . A ideia é a seguinte: antes, havia o entendimento de que as plataformas de mídias sociais eram Condutoras Passivas, ou seja, apenas transmissoras das mensagens dos públicos. Elas não teriam responsabilidade nenhuma sobre o conteúdo dentro da plataforma. Porém, começou-se a levantar questionamentos sobre isso, afinal, as empresas de tecnologia, como o Facebook, influenciam no conteúdo, com filtros, algoritmos, robôs… Content Liability é a ideia de que elas devem sim prestar contas sobre o conteúdo que está disponível em sua plataforma. . É o assunto quente da vez. O que você acha? . #AberjeTrends #tendencias #comunicacao

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Tendências da Comunicação pelo olhar da plateia

Após a apresentação de Mansur, o evento teve uma surpresa: o diretor-geral da Aberje, Hamilton dos Santos, chamou ao palco três pessoas da plateia sorteadas para participarem de uma mesa improvisada. Fabio Mincarelli, diretor de comunicação corporativa da Henkel; Ayeska Azevedo, do grupo Boticário; e André Netto, repórter da Jornalismo Júnior, subiram ao palco para darem suas visões a respeito do futuro da Comunicação nas organizações. Os dois primeiros destacaram a quebra de barreiras entre a comunicação interna e externa das empresas; já o último destacou a importância das novas tecnologias e da era digital.

Comunicação com empregados

O diretor executivo do Bradesco, Luca Cavalcanti, iniciou o debate sobre comunicação interna e transformação digital. Ele apresentou as diferentes formas pelas quais o banco vem tentando aumentar a interação entre os funcionários e diminuir as hierarquias. Para isso, criaram-se áreas abertas para que a conversa e as ideias pudessem fluir melhor. Além disso, Luca destacou o investimento em novas tecnologias desenvolvidas por startups, como por exemplo a utilização de inteligência artificial tanto para comunicação interna quanto externa.

Em seguida, o diretor executivo da P3K Comunicação, Elizeo Karkoski, mediou um debate sobre o tema com Luca Cavalcanti e Flávia Apocalypse, gerente de comunicação da IBM, parceira do Bradesco. Foi ressaltada a importância de se criar uma cultura da tecnologia na empresa e de se ouvir os funcionários para entender a melhor maneira de tornar os canais de comunicação interna mais eficientes. Questionado sobre o blockchain, termo que vem ganhando popularidade nos noticiários e no ambiente corporativo, Cavalcanti explicou que “O blockchain muda a forma de se utilizar a internet. A internet está para o conteúdo, assim como o blockchain está para a segurança”. Ou seja, é uma tecnologia que possibilita a descentralização de aspectos relacionados à segurança e rastreamento de informações. Assim, no futuro, além de transações financeiras, o blockchain pode ser utilizado para questões de compliance, emissão de certificados, cadastros de usuários, etc.

Flávia Apocalypse (IBM) e Luca Cavalcanti (Bradesco) debatem sobre comunicação interna (Imagem: André Netto/Jornalismo Júnior)

Flávia Apocalypse (IBM) e Luca Cavalcanti (Bradesco) debatem sobre comunicação interna (Imagem: André Netto/Jornalismo Júnior)

Comunicação com empregados: Cases de sucesso

Quatro histórias de cases bem sucedidos em comunicação interna encerraram o painel. O primeiro a falar foi André Franco, diretor geral da Critical Mass, que junto com Eric Miranda, gerente de comunicação da Pepsico, apresentou o Dialog, aplicativo criado para possibilitar uma união entre os três escritórios da empresa que iriam se mudar para um novo prédio. O app foi desenvolvido para superar o aspecto estrito de trabalho, funcionando muito mais como uma rede social interna da Pepsico, o que acabou fortalecendo os laços entre os funcionários. Além disso, o Dialog também possui ferramentas que ajudam na comunicação interna, como a criação de personas que transmitem recados específicos.

André Franco explica como feita a criação do aplicativo (Imagem: André Netto/Jornalismo Júnior)

André Franco explica como feita a criação do aplicativo (Imagem: André Netto/Jornalismo Júnior)

Em seguida, Carlos Netto, Diretor de Estratégia e Organização do Banco do Brasil, apresentou o projeto Inspira BB, que visa buscar inspiração através de palestras organizadas em formato de talks. A gama de palestrantes varia entre personalidades famosas até os próprios funcionários, que em suas falas buscam compartilhar histórias transformadoras, que ampliem a visão de mundo das pessoas.

Carlos Netto explica o projeto Inspira BB (Imagem: André Netto/Jornalismo Júnior)

Carlos Netto explica o projeto Inspira BB (Imagem: André Netto/Jornalismo Júnior)

A palestra seguinte foi dada por Carlos Palhares, sócio e diretor de Planejamento e Inovação da HappyHouse e que lidera projetos da startup SimplificaCI, plataforma que visa gerir a comunicação interna das empresas. Palhares falou sobre a importância de conhecer seu cliente para poder implantar a melhor plataforma, de modo a se ter maior agilidade e amplitude nos comunicados internos, citando o caso recente da UNIMED.

Encerrando as falas da parte manhã, a fundadora e diretora Geral da Ação Integrada, Adevani Rotter apresentou os resultados da pesquisa sobre tendências de CI 2018, ressaltando a importância de ouvir os colaboradores para achar a melhor forma de conectar as pessoas para transformar o ambiente das empresas.

Diversidade Corporativa: AccorHotels

Na voz de Ewerton Camarano, gerente geral do Novotel Jaraguá/SP, o grupo AccorHotels trouxe a questão da diversidade de gênero ao evento. Grande expoente no setor de hotelaria e turismo presente em todo o mundo, o grupo vem adotando medidas de valorização as causas LBGT+ e implementando procedimentos internos para a discussão do tema, como fóruns e eventos que contam com a participação de funcionários da rede.

Já em fevereiro de 2017 a AccorHotels assumiu publicamente a pauta e tornou-se membro do fórum de empresas e direitos LGBT, comprometendo, assim, a cumprir diretrizes como a igualdade de oportunidades dentro da empresa, bem como a promoção de ambientes mais saudáveis para com indivíduos LGBT+.

Relacionamento com a comunidade: Novas perspectivas

O painel “Novas perspectivas nas Relações com a Comunidade”, apresentado pela Nexa Resources, contou com a conferência internacional de Miguel Inchaustegui, presidente do Congresso Internacional de Relações Comunitárias no Peru, seguido por debates com Rafael Gioielli, gerente geral do Instituto Votorantim, Cristiana Xavier de Brito, diretora de Relações Institucionais da BASF para a América do Sul, e com moderação de Lucélio de Moraes, gerente geral de Relações Institucionais da Nexa Resources.

Miguel Inchaustegui apresentou os desafios do setor de mineração no Peru e o exemplo do que foi feito em Cajamarca, uma das regiões mais pobres do país e que possui um importante complexo de mineração. Nesse cenário, a estratégia foi a de posicionar as empresas de mineração como parceiras reconhecidas e legitimadas do Estado e da população local, para trabalharem em conjunto para o desenvolvimento local. Nesse objetivo, são três elementos de atuação: o primeiro é de trabalhar com base nas políticas, programas e projetos das entidades estatais; o segundo é realizar esforços articulados entre as empresas mineradoras de cada região; por fim, agir com transparência, comunicação e respeito à população local. A ideia é encontrar o chamado “valor compartilhado”, ou seja, as oportunidades de negócio alinhadas às necessidades sociais.

Cristiana Xavier de Brito, diretora de Relações Institucionais da BASF para a América do Sul, trouxe à tona a questão da mitigação dos impactos ambientais provenientes das atividades industriais – em especial para indústrias pesadas, como as químicas. Além dos planos de comunicação que a empresa coloca em ação para tentar se desvencilhar da imagem negativa que rondam as companhias desses setores, também se falou sobre a importância da responsabilidade social e do diálogo com as comunidades que estão próximas às empresas do grupo.

Rafael Gioielli, Cristiana Xavier de Brito e Miguel Incháustegui (Imagem: Gabrielle Torquato/Jornalismo JúniorGabrielle Torquato/)

Rafael Gioielli, Cristiana Xavier de Brito e Miguel Incháustegui (Imagem: Gabrielle Torquato/Jornalismo JúniorGabrielle Torquato/)

Relacionamento com a comunidade: Cases de sucesso

O gerente de Comunicação e Relacionamento com Comunidades da Anglogold Ashanti, Othon Villefort; o Gerente de Comunicação Corporativa da Fibria, Geraldo Magella; e o gerente de Relações Institucionais da Braskem, Flávio Chantre, finalizaram o evento apresentando projetos de relacionamento com comunidades e sustentabilidade. Eles reforçaram o poder da comunicação entre as empresas e a população, e trouxeram exemplos de como eles estão trabalhando para cada vez mais diminuir barreiras entre a iniciativa privada e a sociedade.

Um dos exemplos é o da Fibria, líder na produção de celulose branqueada de eucalipto. Através do projeto “Floresta Sobre Um Novo Prisma”, a empresa, com a participação da comunidade, trouxe maior conhecimento sustentável e hoje é referência no assunto.

Geraldo Magella (Fibria) explica o modelo de plantio sustentável (Imagem: Gabrielle Torquato/Jornalismo JúniorGabrielle Torquato)

Geraldo Magella (Fibria) explica o modelo de plantio sustentável (Imagem: Gabrielle Torquato/Jornalismo JúniorGabrielle Torquato)