Alvaro Bodas

Uma pesquisa da European Association of Communication Directors (EACD) envolvendo as 500 maiores empresas na lista do jornal Financial Times mostra que, em média, só 24% das companhias pesquisadas têm um diretor de Comunicação no conselho executivo. Enquanto na América do Norte esse índice é de 34%, na América do Sul a participação é praticamente zero. Os números mostram que, em paralelo com as profundas transformações que a área vem enfrentando, existe um outro desafio para os líderes de comunicação: aumentar a presença nas salas de reuniões dos altos comandos das empresas.

Um estudo publicado em 2016 pela Arthur W. Page Society, uma das mais prestigiadas associações do ramo, indica que a figura do chief communications officer (CCO) será catalisadora do processo de transformação pelo qual as organizações vão passar e a principal ponte entre a sociedade e as empresas. Entre os desafios da função, a entidade cita a capacidade de gerar conteúdos relevantes, conhecimento de estratégia digital, análise de dados, parcerias com ONGs e domínio de novas métricas e indicadores de desempenho (KPIs). Compor e gerenciar equipes heterogêneas, poder de influência e persuasão, sólido conhecimento em negócios e interesse genuíno em pessoas estão entre as competências de um bom líder de comunicação. “Nosso trabalho não é apenas conectar e engajar as partes interessadas, mas também aconselhar nossas próprias empresas sobre políticas a ser adotadas”, afirma Roger Bolton, presidente da Arthur Page.

Em linha com as tendências do mercado mundial e engajada em preencher uma lacuna na formação de líderes em comunicação corporativa no Brasil, foi lançada a Escola Aberje de Comunicação, um completo portfólio de cursos de formação, aperfeiçoamento e atualização para profissionais dos mais diversos segmentos e em diferentes momentos da carreira.

A iniciativa da Associação chega ancorada na reputação conquistada pela entidade ao longo de seus mais de 50 anos e já nasce como referência na área de ensino da comunicação. “A marca Aberje é fortíssima e reconhecida internacionalmente no campo do conhecimento e da informação”, lembra Paulo Nassar, diretor-presidente da Associação e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP. Hamilton dos Santos, diretor geral da Aberje, explica que não é mais só a área de comunicação corporativa das empresas que precisa formar e reciclar profissionais, mas todas as áreas. Para ele, a entidade pensa a comunicação não apenas como uma função, mas como uma competência que todo profissional deve ter. Esse aumento do escopo da atuação da entidade já vem sendo promovido por meio da ampliação dos assuntos discutidos, como construção de marca, imagem corporativa e branded content, que agora passam a compor o cardápio de temas dentro da Aberje, com foco cada vez maior na formação de lideranças e na educação executiva.

Além dos programas já oferecidos, como o MBA em parceria com a ESEG, o Curso Internacional, desenvolvido com a Universidade de Syracuse, os Programas Avançados e os cursos livres, em 2019 haverá outros de longa duração (de 80 a 100 horas), os chamados Programas Avançados. Além do foco em Comunicação Interna e Gestão da Comunicação Digital, a entidade lançará o Programa Avançado em Comunicação Pública, com renomados professores da área. A parceria com a Syracuse University será mantida, mas com a oferta de um novo programa, ministrado inteiramente em Nova York, com aulas e visitas a empresas, agências e mídias locais. “Atualizamos também o nosso MBA em Gestão da Comunicação Empresarial, trazendo outras práticas para as disciplinas, como narrativas digitais, diversidade, humanização no ambiente de trabalho, comunicação não violenta, comunicação em rede, employer branding e todas as transformações contemporâneas com as quais a liderança precisa lidar”, explica Emiliana Pomarico, gerente executiva da Escola Aberje de Comunicação.

Lá fora

De acordo com o QS World University Ranking e o Academic Ranking of World Universities (ARWU), entre as instituições que mais se destacam na área de Comunicação estão a Universidade de Amsterdã (Holanda), a Universidade do Sul da Califórnia (Estados Unidos) e a London School of Economics (Inglaterra). A universidade holandesa oferece vários mestrados, um deles considerado um dos melhores do mundo, em Ciências da Comunicação com ênfase em Comunicação Corporativa, com duração de 12 meses. Líder no ranking QS, possui o maior centro de pesquisa em comunicação da Europa. Já a LSE, no centro de Londres, tem vários programas de pós-graduação na área, com opções de ênfase em pesquisa, governança, desenvolvimento e política. A jornalista Maria Paola de Salvo, diretora de Comunicação da Global Health Strategies no Brasil, fez o mestrado em Mídia, Comunicação e Desenvolvimento entre 2011 e 2012 na capital inglesa, onde também atuou em uma ONG. Ela diz que o curso na LSE lhe deu uma bagagem importante para aplicar na vida profissional. “Esse mergulho nos estudos foi fundamental para ampliar a minha visão da comunicação e aplicá-la em outras áreas, no meu caso para gerar impacto e promover o desenvolvimento da saúde em vários países.”

Nos EUA, a Universidade do Sul da Califórnia oferece mestrado em Gerenciamento da Comunicação com opção por Relações Públicas Estratégicas, Mídias Sociais e Digitais ou Gestão de Comunicação. Com duração de quatro semestres, o Mestrado Executivo em Comunicação Estratégica Global da Georgetown University desenvolve as habilidades de liderança por meio de mentoria com um coach executivo. Na Espanha, a Escola de Comunicação da Universidade de Navarra, reconhecida na área, tem entre seus cursos o Mestrado em Gestão de Empresas de Comunicação, Mestrado em Comunicação Política e Corporativa e o Doutorado em Comunicação.

Dois dos mais conceituados programas de formação de líderes em comunicação estão nos Estados Unidos. O primeiro é iniciativa da Arthur W. Page Society, principal associação profissional do mundo para executivos de relações públicas e comunicação corporativa. O Future Leaders Experience é um programa de dois anos que prepara executivos de comunicação para altas posições corporativas. A Page oferece ainda o Learning Lab, ferramenta online de aprendizado colaborativo para ajudar os líderes de comunicação a se atualizar, além de programas de networking, que estimulam a troca de informações e o aprendizado constante, e os estudos de caso, que disseminam boas práticas e compartilhamento de experiências. “Oferecemos também cursos para criar equipes eficazes, análise e gerenciamento de dados e narrativas corporativas, que deverão ser expandidos no próximo ano. Muitos dos nossos graduados se tornaram CCOs”, afirma Bolton.

Outra grande referência é a Syracuse University, que possui uma das melhores faculdades de Comunicação um dos três melhores cursos de Relações Públicas do país. A instituição é parceira da Aberje desde 2006, quando foi lançado o Curso Internacional Syracuse, focado nas questões gerenciais e estratégicas da comunicação em organizações. O programa dura uma semana, é realizado em Nova York, e, além das aulas e palestras, o aluno participa de discussões, estudos de caso e visitas a empresas e agências. Na visão de Maria P. Russell, professora de Relações Públicas e diretora de Educação Executiva da Newhouse School, na Syracuse University, o programa em parceria com a Aberje estimula os participantes a enxergar seus papéis como conselheiros para a alta administração. “O comunicador de hoje precisa entender o negócio. Muitos se concentram apenas nas ferramentas e táticas de comunicação, quando o que seus chefes esperam é que eles os ajudem a resolver problemas organizacionais.” Ela acrescenta que o programa é indicado para aqueles que já têm bastante experiência e desejam ir além para poder atuar mais próximos do alto comando das empresas. “Para os que terminam o curso e querem mais, há um ‘tour’ opcional em Nova York para interagir com os profissionais dos EUA, compartilhar informações e trocar ideias.”

Diferenciais

Os principais diferenciais da Escola Aberje de Comunicação em relação aos demais cursos que o mercado oferece são o currículo dos instrutores, cuidadosamente selecionados para ministrar cada disciplina, a inovação constante dos formatos e das metodologias e o networking proporcionado pela rede Aberje. A metodologia emprega aulas expositivas com abordagem de conceitos e tendências, laboratórios de aprendizagem e interação, debates e estímulos para novas reflexões, compartilhamento de experiências e casos de sucesso, dinâmicas e exercícios práticos, simulações para solucionar desafios reais e visitas a empresas e agências nacionais e internacionais. Na opinião do jornalista e escritor Luis Humberto Carrijo, CEO da Rapport e instrutor de comunicação da Aberje, “o diferencial dos cursos da entidade é que são ministrados por profissionais de alto gabarito e que possuem experiência no mercado, conciliando a parte teórica com a prática e trazendo a realidade do dia a dia para a sala de aula”.

A Escola também renova a oferta de bolsas de estudo, que já são oferecidas há alguns anos, para os Cursos Livres de 8 e 16 horas de duração, para os Programas Avançados e para o MBA em Gestão da Comunicação. Além disso, concede bolsas para pesquisas nacionais e internacionais em seu Programa de Fellowship. “O objetivo é democratizar a educação e contribuir para a formação de comunicadores cada vez mais qualificados”, afirma Emiliana Pomarico.