Giovanna Chencci

 

Habitantes naturais da Amazônia, indígenas e ribeirinhos compõem as centenas de comunidades que vivem na floresta nos dias de hoje. Dependentes da pesca, caça, colheita e pequena agricultura, essas comunidades não conseguem ser totalmente autossustentáveis. Vulneráveis a doenças e distantes de uma educação de qualidade, a vida nesta região é precária, o que se torna evidente pelo seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) abaixo da média nacional, entre 0,6 e 0,7.

Em vista das dificuldades vividas por essas comunidades, são muitas as ONGs que se propõem a auxiliar no seu desenvolvimento, de forma sustentável e responsável. Uma delas é a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que tem como missão, além de conservar o meio ambiente, apoiar as comunidades que vivem ao longo do rio Negro. Seu trabalho é voltado à preservação da floresta e melhoria na qualidade de vida dos ribeirinhos e indígenas, promovendo avanços na educação e na saúde. Em meio à situação de pobreza, a FAS procura alternativas para garantir que esses cidadãos tenham condições mínimas de sobrevivência.

No entanto, assistir cerca de 40 mil pessoas, inseridas em 18 comunidades, não é uma tarefa simples – principalmente quando se trata da gestão dos dados desses ribeirinhos e indígenas, já que existem muitos projetos desenvolvidos pela instituição que precisam de dados para serem otimizados. É preciso armazenar, mensurar e organizar todas as informações da melhor maneira possível, com instrumentos adequados para tais tarefas.

Foi pensando nisso que a SAP, líder global no mercado de desenvolvimento de softwares, motivada pelas suas ações de responsabilidade social, doou à FAS uma ferramenta de análise de dados chamada SAP Lumira. A diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da SAP no Brasil, Luciana Coen, afirma que, para gerenciar um banco de dados de 40 mil pessoas, com uma precária captação de informações – por meio de anotações em papéis, principalmente –, foi necessário um bom planejamento. Nesta ferramenta “eles imputam os dados e os gerenciam para, em uma próxima etapa, analisá-los e estudar o impacto dos programas nas comunidades”, complementa.

Luciana Coen, da SAP no Brasil

Luciana Coen, da SAP no Brasil

A primeira fase dessa parceria envolveu “a doação do SAP Lumira e consultoria para a instalação do software, para que este conversasse com a base de dados da FAS, bem como o treinamento de colaboradores, que se tornaram os multiplicadores do conhecimento dentro da instituição”, diz Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS. Para ele, o treinamento dos colaboradores foi muito importante para que a simples doação não gerasse ainda mais custos de implementação e eles pudessem utilizar a ferramenta de forma independente.

Jovens na comunidade de Tumbiara na Amazônia

Jovens na comunidade de Tumbiara na Amazônia

De acordo com Viana, o uso do SAP Lumira “permite mais agilidade e rigor na análise e avaliação de indicadores e métricas, otimizando as ações e aumentando a transparência”. As informações das comunidades ribeirinhas e indígenas agora estão consolidadas e a FAS consegue ter uma visão completa do perfil de cada uma das pessoas assistidas – idade, sexo e histórico de atendimento em projetos de desenvolvimento social, educacional e de saúde.

Devido à complicada logística, feita a barco – e com o diesel caro –, também há a necessidade de maior controle para a distribuição dos remédios, o que foi possibilitado pelo software. “Agora eles têm o controle do estoque nas diferentes comunidades”, diz Luciana Coen. “Quando começa uma epidemia e eles têm que distribuir os remédios, com a ferramenta analitics, que gerencia dados, eles conseguem entender de onde sai e para onde é que está indo cada medicamento, de forma prática e rápida. Assim, canalizam a distribuição dos remédios e freiam o processo de epidemia.”