Fernando Schüler é um dos mais atuantes pensadores liberais do país. Doutor em Filosofia pela UFRGS com ênfase em Filosofia Política, é professor universitário, articulista, consultor de empresas e organizações civis nas áreas de cultura, ciências políticas, gestão e terceiro setor.

Schüler também é responsável pela curadoria do Fronteiras do Pensamento, programa que trouxe ao Brasil muitos dos mais influentes intelectuais de todas as áreas do conhecimento. Aqui ele indica seis obras que, cada uma à sua maneira, têm a ambição de traduzir a contemporaneidade.

O NOVO ILUMINISMO – Em defesa da razão, da ciência e do humanismo

Steven Pinker (Companhia das Letras)

O novo Iluminismo é uma avaliação da condição humana no terceiro milênio. O autor explica como nossa visão de mundo é influenciada pela mídia alarmista e por profecias apocalípticas dos dias atuais. Com dezenas de gráficos, consegue demonstrar com assombrosa clareza como a vida, a saúde, a prosperidade, a segurança, a paz, o conhecimento e a felicidade estão em ascensão, não apenas no Ocidente, mas em todo o mundo.

Para Pinker – a despeito do ataque de religiosos e pessimistas que insistem em que a civilização ocidental passa por um inexorável processo de declínio –, todo o progresso é uma herança do Iluminismo: a convicção de que a razão e a ciência podem impulsionar o florescimento humano.

 

APRENDER A VIVER

Luc Ferry (Objetiva)

O filósofo Luc Ferry vai direto ao essencial, sem utilizar palavras complicadas, citações eruditas ou teorias desconhecidas para explicar o que é a filosofia e para que ela serve. Apesar de ser uma iniciação à área, o livro não abre mão da riqueza e da profundidade das ideias filosóficas, oferecendo muito mais que uma leitura superficial de textos fundamentais para o entendimento do mundo. Ferry leva o leitor a entender o sentido profundo das grandes visões de vida que marcaram a história do pensamento.

 

TRIBOS MORAIS

Joshua Greene (Editora Record)

Programados para conviver em tribos com indivíduos de mesmos hábitos e valores, com o passar do tempo vimos as linhas morais que nos separam aumentarem, resultando em confrontos monumentais. Greene desvenda as questões éticas e mostra as diferenças entre os conflitos modernos que enfrentamos e aqueles que o nosso cérebro foi condicionado a solucionar. Com base em dilemas da filosofia e em experimentos psicológicos, o autor mostra como o tipo certo de reflexão pode nos ajudar a progredir, buscando transformar esse novo entendimento em uma filosofia moral universal que os membros de todas as tribos humanas possam partilhar.

 

A NAÇÃO MERCANTILISTA – Ensaio sobre o Brasil  

Jorge Caldeira (Editora 34)

Numa análise econômica desde a colônia até os tempos do Império, o livro expõe as causas de o Brasil ter perdido a corrida do desenvolvimento. Até o final do século 18, o país tinha uma economia dinâmica que era talvez a maior das Américas, de tamanho comparável à dos Estados Unidos. O que transformou essa pujante economia na de um país com PIB de cerca de um décimo do dos EUA, no final do século 19? Caldeira diz que a maior fonte de problemas era a estrutura fiscal, favorecendo devedores, carregando produtores com impostos e dando em troca quase nada como serviços do Estado. Uma questão que em certa medida ainda está presente.

 

CIVILIZAÇÃO

Niall Ferguson (Planeta)

Ferguson, um dos mais renomados historiadores da Grã-Bretanha, desvenda o fenômeno da ascensão e queda das civilizações não como um processo de uma única causa, mas como algo mais frágil e influenciado por múltiplos fatores. É assim que apresenta as razões pelas quais o Ocidente foi capaz de se tornar a civilização dominante: a competição, a ciência moderna, os direitos de propriedade, a medicina, a sociedade de consumo e a ética do trabalho.

 

POR QUE AS NAÇÕES FRACASSAM

 

Daron Acemoglu e James Robinson (Elsevier)

A obra responde à pergunta que há séculos instiga diversos estudiosos: por que as nações são divididas por riqueza e pobreza, saúde e doença, fartura e fome? Os autores tratam das diferenças de receita e padrão de vida que separam os países ricos dos pobres e mostram como as instituições políticas e econômicas estão por trás do êxito econômico. Além disso, defendem a tese original de que a probabilidade de as nações desenvolverem suas instituições de forma acertada é maior quando contam com um sistema pluralista e aberto com disputa de cargos políticos, eleitorado amplo e espaço para a emergência de novos líderes.