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A resistência do papel

Revistas corporativas provam que a corrida tecnológica dos dispositivos móveis e da internet ainda não bateu o papel como plataforma preferencial de leitura

Paulo Noviello

 

Você está lendo este texto em uma revista – uma coleção de folhas de papel dobradas e grampeadas, impressas com textos, fotos, ilustrações, infográficos, reunidas sob uma capa chamativa. Que sensação você tem ao tocar o papel, sentir o cheiro e olhar o conjunto harmonioso entre os blocos de texto e imagens? Existe algo no papel que não pode ser reproduzido na tela de LCD do seu notebook, smartphone ou tablet?

Apesar dos diversos meios digitais terem se tornado a plataforma preferencial de leitura de muitas pessoas, o papel – esse material que foi a base para o registro do conhecimento humano em papiros, pergaminhos, livros manuscritos e impressos, como jornais e revistas – ainda tem muitos fãs incondicionais e, num mundo em franca transformação pela revolução digital, ainda tem um papel (trocadilho intencional) muito importante na comunicação, educação, arte e cultura.

 

Ele sobreviverá

Gisele Gaspar, gerente de Comunicação Corporativa da International Paper do Brasil, uma das maiores empresas papeleiras do mundo, líder em papel para impressão e escrita e também para embalagens, acredita que por muitos anos o papel ainda vai conviver com os meios digitais. “A impressão muitas vezes complementa experiências on-line e a experiência física, tátil e sinestésica que a leitura de materiais impressos proporciona. O papel não depende de fatores como acesso à internet, infraestrutura de banda larga, gadgets etc.” Ela explica o que fará o papel ter ainda uma sobrevida longa: “Estudos mostram que o consumo do papel está relacionado, entre outras coisas, com o investimento em educação e o aumento de renda e qualidade de vida, principalmente em países emergentes. Apesar de já existir em países desenvolvidos uma tendência de queda ou estagnação do seu consumo, nos países em desenvolvimento o que se observa é que o consumo do papel continua a crescer, justamente em consequência desse aumento do nível de renda e educação da população”.

Gisele Gaspar, da Internacional Paper do Brasil

Gisele Gaspar, da Internacional Paper do Brasil

A representante da IP reforça que, mesmo num cenário de crise econômica e redução de custos das empresas, o setor papeleiro no Brasil mantém boas perspectivas. “O cenário e expectativas para a demanda atual de papel são bastante positivos, comparados aos anos anteriores”, afirma Gaspar. “Os Jogos Olímpicos, assim como as eleições municipais, tendem a impulsionar negócios gráficos no país e, consequentemente, a demanda de papel para impressão.”

 

Permanência das revistas

Entre os formatos de publicações em papel desenvolvidos para transmitir conteúdo e informação, a revista é um dos mais longevos e, embora passe por um momento de muita transformação, segue sendo relevante. Muitas publicações tradicionais, principalmente as revistas de variedades ou especializadas semanais e mensais, vêm sofrendo com a concorrência da internet – algumas até já desapareceram ou devem deixar de ser publicadas num futuro próximo. Mas quem passa por uma banca de jornal percebe que nunca houve tanta variedade e quantidade de publicações impressas sobre os mais diversos assuntos e para todos os tipos de público. Também há periódicos customizados, para públicos específicos e distribuídos internamente, como as revistas de bordo das companhias aéreas, que continuam crescendo e atingindo mercados inesperados.

As revistas corporativas, utilizadas pelas grandes empresas para sua comunicação interna e externa, têm uma participação importante na construção da imagem de marcas, e não são algo exatamente novo. Algumas têm décadas de história, seguem sendo publicadas e engajam seu público leitor de forma surpreendente. Com 46 anos de existência, a revista Bandeirante, da Embraer, empresa que compete pelo posto de terceira maior indústria aeroespacial do mundo, é um bom exemplo. “O jornal O Bandeirante nasceu em 1970, apenas sete meses após o início das operações da Embraer, com um caráter muito diferente do atual”, diz Saulo Passos, diretor de Comunicação Externa e Gestão de Marca da Embraer e responsável pela atual revista Bandeirante. “Ele tratava principalmente do cotidiano dos empregados e tinha seções de entretenimento, como palavras cruzadas e dicas culturais, bem como classificados e entrevistas com personalidades brasileiras, como Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico no salto triplo, e a comediante Dercy Gonçalves.” Passos afirma que o formato da publicação mudou muito nessas quatro décadas: “Houve mudanças no público-alvo, no número de páginas, seções e periodicidade, muitas vezes de acordo com a conjuntura de momento da empresa. Mas o que não mudou foi o foco em mostrar as pessoas que fazem a Embraer e os produtos por ela fabricados”.

Agora, a grande questão é: por que o formato revista impressa ainda faz sentido para a Embraer, num contexto de disseminação dos meios digitais e também de aumento nos custos de produção de publicações impressas? A revista é disponibilizada na íntegra no site, mas as seis mil cópias impressas de cada edição evaporam nas mãos do público, que engloba parceiros, clientes, fornecedores, autoridades, embaixadas, jornalistas, e meio acadêmico. “No formato impresso, conseguimos chegar ao ambiente fabril e a locais que não têm uma conexão permanente com a internet para que nosso público-alvo tenha acesso fácil, como é o caso dos grandes eventos corporativos”, diz Passos.

Num ponto fundamental, ele concorda com Gisele Gaspar da IP: o papel é autossuficiente. Não precisa de acesso à energia elétrica, baterias ou rede de internet para funcionar, muito menos de aplicativos, notificações, sistemas operacionais. É só abrir e ler… instantaneamente!

O recente aumento do custo de impressão das revistas, motivado pela alta do dólar, elevou o preço de insumos como papel, tinta e maquinário das indústrias gráficas, e tornou-se uma ameaça à sobrevivência até de revistas de muita história. Um exemplo é a pioneira revista Panorama, que começou a ser publicada pela General Motors do Brasil na década de 1940, mas que enfim “encerrou o seu ciclo”, segundo Nelson Silveira, diretor de Comunicação da GM Brasil.

Silveira resume a história da publicação: “A revista Panorama foi durante décadas a principal ferramenta de comunicação interna da GM do Brasil”, conta. “A publicação retratava o cotidiano da comunidade industrial, cobrindo desde casamentos e nascimentos a lançamentos, inaugurações de fábricas e concessionárias, bem como parte da história do país, registrando os momentos políticos e econômicos do Brasil e da empresa.” Ele afirma que a revista passou por vários momentos diferentes, em busca de se manter atraente e contemporânea. “Mas nos últimos 15 anos, com a globalização e o advento da internet, passou a enfrentar a implacável concorrência do mundo digital”, diz Silveira. “Para sobreviver e continuar a desempenhar seu papel ativo de interlocução com a comunidade GM, ela passou, em 2003, pela maior mudança gráfica e editorial de sua história, adotando conceitos de layout e editoriais ao estilo das grandes revistas de lifestyle, que a ajudaram a enfrentar com dignidade, durante mais 10 anos, a concorrência digital, chegando a ter tiragem de 36 mil exemplares por mês.”

Nelson Silveira, da GM Brasil

Nelson Silveira, da GM Brasil

A escalada dos custos de impressão e distribuição e os desafios de otimizar orçamentos acabaram por precipitar a decisão de encerrar a edição em papel da revista, mantendo apenas a versão digital, que recentemente também foi encerrada. “Panorama sucumbiu à preferência da comunidade interna pela intranet chamada Socrates e a revolucionária rede social interna Família GM, o ‘Facebook’ da empresa. Os altos custos de produção da edição digital e a audiência decrescente inviabilizaram a continuidade da revista, cujo conteúdo foi absorvido pela rede social interna”, afirma Silveira, ele próprio entusiasta dos meios digitais. “Há muitos anos me rendi ao digital. Não tenho qualquer apego sentimental pelo papel. Claro que ainda leio revistas e livros em papel, porque tenho uma enorme biblioteca e recebo todas as revistas do mercado na GM. Mas vejo enorme conveniência em mudar para o digital e, cada vez mais, através do smartphone. Assino todos os grandes jornais e praticamente não leio mais as versões impressas.”

A representante da IP tem outra opinião: “Acreditamos na força da retenção das mensagens transmitidas pelos veículos impressos e na experiência do leitor ao receber essas informações via papel”, diz Gisele Gaspar. “Por isso, a IP aposta em canais e meios de comunicação com o nosso produto. Entre os principais, temos a revista trimestral Infinitas possiblidades, para o público interno, além de diversos boletins de resultados, newsletters, relatórios, folders e outros materiais impressos.”

Assim, o papel ainda tem futuro, mas precisa encontrar seu espaço onde é mais prático e atrativo que as traquitanas eletrônicas. Na comunicação corporativa, o convívio das publicações em papel e eletrônicas pode ser harmonioso e complementar. Dentro de um planejamento e estratégia bem executados de comunicação, o papel ainda tem o seu papel!

A resistência do papel

Paulo Noviello

 

Você está lendo este texto em uma revista – uma coleção de folhas de papel dobradas e grampeadas, impressas com textos, fotos, ilustrações, infográficos, reunidas sob uma capa chamativa. Que sensação você tem ao tocar o papel, sentir o cheiro e olhar o conjunto harmonioso entre os blocos de texto e imagens? Existe algo no papel que não pode ser reproduzido na tela de LCD do seu notebook, smartphone ou tablet?

Apesar dos diversos meios digitais terem se tornado a plataforma preferencial de leitura de muitas pessoas, o papel – esse material que foi a base para o registro do conhecimento humano em papiros, pergaminhos, livros manuscritos e impressos, como jornais e revistas – ainda tem muitos fãs incondicionais e, num mundo em franca transformação pela revolução digital, ainda tem um papel (trocadilho intencional) muito importante na comunicação, educação, arte e cultura.

 

Ele sobreviverá

Gisele Gaspar, gerente de Comunicação Corporativa da International Paper do Brasil, uma das maiores empresas papeleiras do mundo, líder em papel para impressão e escrita e também para embalagens, acredita que por muitos anos o papel ainda vai conviver com os meios digitais. “A impressão muitas vezes complementa experiências on-line e a experiência física, tátil e sinestésica que a leitura de materiais impressos proporciona. O papel não depende de fatores como acesso à internet, infraestrutura de banda larga, gadgets etc.” Ela explica o que fará o papel ter ainda uma sobrevida longa: “Estudos mostram que o consumo do papel está relacionado, entre outras coisas, com o investimento em educação e o aumento de renda e qualidade de vida, principalmente em países emergentes. Apesar de já existir em países desenvolvidos uma tendência de queda ou estagnação do seu consumo, nos países em desenvolvimento o que se observa é que o consumo do papel continua a crescer, justamente em consequência desse aumento do nível de renda e educação da população”.

A representante da IP reforça que, mesmo num cenário de crise econômica e redução de custos das empresas, o setor papeleiro no Brasil mantém boas perspectivas. “O cenário e expectativas para a demanda atual de papel são bastante positivos, comparados aos anos anteriores”, afirma Gaspar. “Os Jogos Olímpicos, assim como as eleições municipais, tendem a impulsionar negócios gráficos no país e, consequentemente, a demanda de papel para impressão.”

 

Permanência das revistas

Entre os formatos de publicações em papel desenvolvidos para transmitir conteúdo e informação, a revista é um dos mais longevos e, embora passe por um momento de muita transformação, segue sendo relevante. Muitas publicações tradicionais, principalmente as revistas de variedades ou especializadas semanais e mensais, vêm sofrendo com a concorrência da internet – algumas até já desapareceram ou devem deixar de ser publicadas num futuro próximo. Mas quem passa por uma banca de jornal percebe que nunca houve tanta variedade e quantidade de publicações impressas sobre os mais diversos assuntos e para todos os tipos de público. Também há periódicos customizados, para públicos específicos e distribuídos internamente, como as revistas de bordo das companhias aéreas, que continuam crescendo e atingindo mercados inesperados.

As revistas corporativas, utilizadas pelas grandes empresas para sua comunicação interna e externa, têm uma participação importante na construção da imagem de marcas, e não são algo exatamente novo. Algumas têm décadas de história, seguem sendo publicadas e engajam seu público leitor de forma surpreendente. Com 46 anos de existência, a revista Bandeirante, da Embraer, empresa que compete pelo posto de terceira maior indústria aeroespacial do mundo, é um bom exemplo. “O jornal O Bandeirante nasceu em 1970, apenas sete meses após o início das operações da Embraer, com um caráter muito diferente do atual”, diz Saulo Passos, diretor de Comunicação Externa e Gestão de Marca da Embraer e responsável pela atual revista Bandeirante. “Ele tratava principalmente do cotidiano dos empregados e tinha seções de entretenimento, como palavras cruzadas e dicas culturais, bem como classificados e entrevistas com personalidades brasileiras, como Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico no salto triplo, e a comediante Dercy Gonçalves.” Passos afirma que o formato da publicação mudou muito nessas quatro décadas: “Houve mudanças no público-alvo, no número de páginas, seções e periodicidade, muitas vezes de acordo com a conjuntura de momento da empresa. Mas o que não mudou foi o foco em mostrar as pessoas que fazem a Embraer e os produtos por ela fabricados”.

Agora, a grande questão é: por que o formato revista impressa ainda faz sentido para a Embraer, num contexto de disseminação dos meios digitais e também de aumento nos custos de produção de publicações impressas? A revista é disponibilizada na íntegra no site, mas as seis mil cópias impressas de cada edição evaporam nas mãos do público, que engloba parceiros, clientes, fornecedores, autoridades, embaixadas, jornalistas, e meio acadêmico. “No formato impresso, conseguimos chegar ao ambiente fabril e a locais que não têm uma conexão permanente com a internet para que nosso público-alvo tenha acesso fácil, como é o caso dos grandes eventos corporativos”, diz Passos.

Num ponto fundamental, ele concorda com Gisele Gaspar da IP: o papel é autossuficiente. Não precisa de acesso à energia elétrica, baterias ou rede de internet para funcionar, muito menos de aplicativos, notificações, sistemas operacionais. É só abrir e ler… instantaneamente!

O recente aumento do custo de impressão das revistas, motivado pela alta do dólar, elevou o preço de insumos como papel, tinta e maquinário das indústrias gráficas, e tornou-se uma ameaça à sobrevivência até de revistas de muita história. Um exemplo é a pioneira revista Panorama, que começou a ser publicada pela General Motors do Brasil na década de 1940, mas que enfim “encerrou o seu ciclo”, segundo Nelson Silveira, diretor de Comunicação da GM Brasil.

Silveira resume a história da publicação: “A revista Panorama foi durante décadas a principal ferramenta de comunicação interna da GM do Brasil”, conta. “A publicação retratava o cotidiano da comunidade industrial, cobrindo desde casamentos e nascimentos a lançamentos, inaugurações de fábricas e concessionárias, bem como parte da história do país, registrando os momentos políticos e econômicos do Brasil e da empresa.” Ele afirma que a revista passou por vários momentos diferentes, em busca de se manter atraente e contemporânea. “Mas nos últimos 15 anos, com a globalização e o advento da internet, passou a enfrentar a implacável concorrência do mundo digital”, diz Silveira. “Para sobreviver e continuar a desempenhar seu papel ativo de interlocução com a comunidade GM, ela passou, em 2003, pela maior mudança gráfica e editorial de sua história, adotando conceitos de layout e editoriais ao estilo das grandes revistas de lifestyle, que a ajudaram a enfrentar com dignidade, durante mais 10 anos, a concorrência digital, chegando a ter tiragem de 36 mil exemplares por mês.”

A escalada dos custos de impressão e distribuição e os desafios de otimizar orçamentos acabaram por precipitar a decisão de encerrar a edição em papel da revista, mantendo apenas a versão digital, que recentemente também foi encerrada. “Panorama sucumbiu à preferência da comunidade interna pela intranet chamada Socrates e a revolucionária rede social interna Família GM, o ‘Facebook’ da empresa. Os altos custos de produção da edição digital e a audiência decrescente inviabilizaram a continuidade da revista, cujo conteúdo foi absorvido pela rede social interna”, afirma Silveira, ele próprio entusiasta dos meios digitais. “Há muitos anos me rendi ao digital. Não tenho qualquer apego sentimental pelo papel. Claro que ainda leio revistas e livros em papel, porque tenho uma enorme biblioteca e recebo todas as revistas do mercado na GM. Mas vejo enorme conveniência em mudar para o digital e, cada vez mais, através do smartphone. Assino todos os grandes jornais e praticamente não leio mais as versões impressas.”

A representante da IP tem outra opinião: “Acreditamos na força da retenção das mensagens transmitidas pelos veículos impressos e na experiência do leitor ao receber essas informações via papel”, diz Gisele Gaspar. “Por isso, a IP aposta em canais e meios de comunicação com o nosso produto. Entre os principais, temos a revista trimestral Infinitas possiblidades, para o público interno, além de diversos boletins de resultados, newsletters, relatórios, folders e outros materiais impressos.”

Assim, o papel ainda tem futuro, mas precisa encontrar seu espaço onde é mais prático e atrativo que as traquitanas eletrônicas. Na comunicação corporativa, o convívio das publicações em papel e eletrônicas pode ser harmonioso e complementar. Dentro de um planejamento e estratégia bem executados de comunicação, o papel ainda tem o seu papel!

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