Luciana Coen*

O assunto sustentabilidade, tanto do ponto de vista do meio ambiente quanto da diversidade e da inclusão, chegou a um ponto sem volta. Todo mundo, inclusive as empresas, já entendeu que não é uma moda, e sim uma necessidade. O interesse no tema não diminui mesmo com as crises financeiras e institucionais pelas quais temos passado. Na verdade, as pessoas estão cada vez mais atentas, talvez até porque esse assunto joga um pouco de lucidez, um foco diante de tantas controvérsias.

A sustentabilidade empresarial originalmente foi estruturada sobre três pilares: o ambiental, o social e o econômico, mas hoje eles cada vez mais se confundem e se misturam. Outra mudança é que as corporações descobriram que não adianta mais apenas discutir os temas, sem ações efetivas que realmente os façam progredir. Desde as pequenas ações até as soluções mais complexas. Não dá para falar em sustentabilidade e servir cafezinho em copo de plástico, da mesma maneira que não dá para defender a diversidade e a inclusão dentro da companhia sem abraçar a diferença. Até porque essas atitudes não são mais ética ou financeiramente sustentáveis.

Para uma empresa de tecnologia como a SAP, a diversidade é um bem extremamente importante, uma questão de sobrevivência. Primeiro porque, óbvio, o mundo e as pessoas precisam existir para que qualquer negócio progrida. Para além disso, existe uma necessidade verdadeira de acolher a diversidade. Uma empresa de tecnologia precisa inovar sempre e ser um laboratório incansável de novas ideias, e, para isso, é necessário atrair as melhores pessoas.

Sem essa preocupação com a sustentabilidade como conceito, a companhia não vai conseguir encontrar nem contratar as melhores cabeças, aquelas com as ideias mais criativas. E isso é absolutamente fundamental para uma empresa de software e tecnologia. Se a SAP não trouxer os melhores e os mais criativos do mercado, ficará para trás. Não é uma questão de seguir uma moda ou ser bonzinho. Quem trabalha com inovação tem necessariamente de abraçar a diversidade e a inclusão.

Isso já é um valor estabelecido na SAP. Em uma pesquisa feita com os funcionários, 97% responderam que acreditam que a diversidade é um bem muito importante para a companhia. Depois, a empresa lançou uma campanha de meio ambiente que fez imenso sucesso e deixou claro que esse pilar da sustentabilidade também é caro aos funcionários. A área de Comunicação Integrada e Responsabilidade Social trouxe para a SAP a ideia da “Segunda sem…” (um dia da semana em que as pessoas não comem carne ou não andam de carro, por exemplo), que gerou um engajamento incrível e que, com o incentivo da presidente da empresa, acabou extrapolando os limites internos e virando il uma ação eterna.

A SAP não é uma empresa que ofende o meio ambiente, não tem fábrica, trabalha com gente; por isso, o pilar social da companhia é o mais forte. Na parte de responsabilidade social, a empresa atua em vários projetos relacionados à diversidade e ao meio ambiente, mas que, no geral, também podem ajudar na sustentabilidade do próprio negócio. A SAP tem uma diretriz clara em investimento social privado, em projetos que tenham impacto em educação, principalmente de adolescentes e jovens adultos. Não são cursos de capacitação, são ações na área digital que servem para despertar o interesse dessas pessoas por matemática, tecnologia e robótica.

Um desses projetos é o LiLo, em Santa Luzia do Itanhy, na região do Crasto, em Aracaju, que tem o segundo menor IDH do país e um problema grave na educação. Apoiamos o Instituto de Pesquisas de Tecnologia e Inovação (IPTI), uma ONG, na montagem de um projeto de tecnologia social, com uma lógica de incubadora. O IPTI usa uma metodologia de ensino da matemática que pode ser replicada, o que torna o projeto sustentável no longo prazo. Um professor ensina às professoras da região esse novo método, que depois se conecta com o ensino de programação de computadores e robótica. Nesse caso, o aprendizado ajuda também no desempenho em todas as outras disciplinas. Damos chance aos alunos de várias séries que já se interessam pelo assunto e querem se aprofundar. Com isso, além de ajudar esses jovens, disseminamos um tipo de aprendizado que interessa à empresa.

A SAP também usa a própria expertise para auxiliar entidades. A Fundação Amazonas Sustentável, por exemplo, é uma entidade importante que impacta cerca de 40 mil pessoas na região do Juruá e Médio-Juruá, uma área em que a principal atividade é a venda de madeira. A entidade trabalha com educação e cultura empreendedora para dar aos moradores da região opções além do desmatamento e oferece várias formas de assistência direta, como saúde na primeira infância.

É uma ONG grande que tinha muita dificuldade de medir o resultado de seus programas, o que é fundamental na hora de pedir apoio financeiro. A consultoria da SAP, com a ajuda de uma empresa parceira, montou um projeto de business intelligence para fazer isso por meio de análise de dados. Dessa maneira, eles conseguem produzir relatórios e mostrar como seus diferentes programas impactam uns nos outros. Os consultores também ajudam na mentoria de uma incubadora de pequenos empreendedores ribeirinhos que fazem controle de origem e coleta de sementes nativas, a qual nasceu dentro da ONG.

Na região de São Paulo, a empresa oferece a estudantes de comunidades como Paraisópolis e Heliópolis cursos de programação de computadores, robótica e tecnologia ministrados pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap). E a empresa já colheu frutos desse trabalho. Em Paraisópolis, o projeto atua com aulas de matemática e física, além de reforço para o vestibular. Os resultados começam a aparecer. Um aluno que se sobressaiu ganhou uma bolsa de 100% para estudar na Fiap, e dois conseguiram estágios na SAP. É um público que encontraria muita dificuldade para entrar na faculdade ou para chegar a um programa de estágio de uma grande companhia se não tivesse esse caminho.

É bom para todos. A empresa entende que não adianta ter um programa de diversidade e inclusão forte, mas contratar apenas o mesmo tipo de pessoa, sempre de algumas universidades específicas. Isso não ajuda a encontrar cabeças que pensem de maneira diferente, que tenham ideias inovadoras, até porque têm origem em backgrounds diversos. Esse é um exemplo de ação de sustentabilidade que interessa a todo mundo.

 

*Luciana Coen é diretora de Comunicação Integrada e Responsabilidade Social da SAP