Alvaro Bodas

 

Os 10 compromissos

Em 2013, a Txai Consultoria e o Instituto Ethos mobilizaram mais de 30 grandes empresas para formar o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que hoje já conta com mais de 200 participantes. O Fórum é um espaço de diálogo e compartilhamento de boas práticas relacionadas ao universo LGBT na gestão empresarial. Durante as discussões, os membros elaboraram os “10 Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBT”, que indicam parâmetros para a empresa manter ou criar suas próprias práticas. Abaixo, trouxemos uma versão resumida desses compromissos, que pode nortear a construção de uma política interna de diversidade sexual.

Veja o conteúdo completo em: http://www3.ethos.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Manual-LGBT_Dez_2013.pdf

 

  1. Comprometer a presidência e a alta direção com a promoção dos direitos LGBT. Tratar do tema em falas, documentos e políticas da empresa, rejeitar a discriminação, tornar públicos compromissos e práticas e articular-se com outras organizações.

 

  1. Promover igualdade de oportunidades. Estabelecer políticas e práticas de não discriminação em processos de recrutamento e seleção, promover o desenvolvimento na carreira, estabelecer benefícios e condições favoráveis ao segmento LGBT.

 

  1. Criar ambiente respeitoso, seguro e saudável. Capacitar gestores e equipes no tema da diversidade sexual, implantar canal de reclamação, definir uma política de não discriminação e medidas de responsabilização.

 

  1. Sensibilizar e educar. Inserir o tema na comunicação interna e na agenda de atividades educacionais da empresa, realizar ou apoiar eventos da comunidade com participação do segmento LGBT.

 

  1. Criar grupos de afinidade. Formar grupos ou comitês de discussões sobre diversidade sexual e formalizar sua participação na gestão da empresa.

 

  1. Promover o respeito aos direitos LGBT na comunicação e marketing. Elaborar ou apoiar campanhas que valorizem a diversidade sexual. Cuidar para que as áreas de comunicação e marketing não criem campanhas com conteúdo discriminatório.

 

  1. Promover o respeito aos direitos LGBT no planejamento de produtos, serviços e atendimento a clientes. Considerar o segmento e cuidar da qualidade do atendimento às pessoas ao planejar produtos e serviços.

 

  1. Promover o desenvolvimento profissional. Desenvolver ou apoiar ações de capacitação de membros do segmento LGBT, promover coaching ou mentoring internamente para favorecer o crescimento na carreira.

 

  1. Promover o desenvolvimento econômico e social na cadeia de valor. Incentivar o empreendedorismo e apoiar empresas lideradas por pessoas LGBT, estabelecer parcerias, patrocínios, incentivos ou eventos com organizações de fomento econômico e apoio a empreendedores.

 

  1. Promover ações em prol dos direitos LGBT na comunidade. Considerar o tema nos conteúdos e ações comunitárias realizadas pela empresa, incentivar o voluntariado empresarial em torno da causa, realizar ou apoiar eventos que promovam os direitos LGBT.

 

Glossário

Muitos ainda se confundem na hora de usar as palavras relacionadas aos temas de identidade de gênero e orientação sexual, o que contribui ainda mais para a discriminação e o preconceito. Por isso, é importante entender os conceitos, usar os termos corretos e alinhar o discurso da empresa com todos os públicos.

 

Sexo biológico: é o sexo definido ao nascer, determinado pelas informações cromossômicas, órgãos genitais, capacidades reprodutivas e características fisiológicas que distinguem machos e fêmeas.

Gênero: é o que foi socialmente construído a respeito de ser masculino ou feminino. Significa que homens e mulheres são produtos da realidade social, e não decorrência da anatomia de seus corpos.

Identidade de gênero: é a percepção que uma pessoa tem de si como sendo do gênero masculino, feminino ou de alguma combinação dos dois, independentemente do sexo biológico. Inclui a percepção do próprio corpo, vestimenta, modo de falar e maneirismos.

Orientação sexual: é a capacidade de sentir atração afetiva e sexual por indivíduos de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais de um gênero, assim como ter relações íntimas com essas pessoas. Há três orientações sexuais mais comuns: pelo mesmo sexo/gênero (homossexualidade), pelo sexo/gênero oposto (heterossexualidade) ou pelos dois sexos/gêneros (bissexualidade).

Homossexual: pessoa que sente atração afetiva e sexual ou física por pessoas do mesmo sexo.

Bissexual: pessoa que sente atração afetiva e sexual ou física por homens e mulheres.

Gay: homem que sente atração afetiva e sexual ou física por outros homens.

Lésbica: mulher que sente atração afetiva e sexual por outras mulheres.

Assexual: pessoa que não sente atração sexual. Pode sentir atração afetiva e constituir relacionamentos.

Cisgênero: pessoas que se identificam com o gênero atribuído no momento do nascimento.

Transgênero: pessoas que não se identificam com o gênero atribuído no momento do nascimento. Não necessariamente querem fazer a cirurgia de redesignação sexual, mas reivindicam reconhecimento de gênero oposto àquele atribuído pela sociedade. Algumas pessoas transgênero preferem ser chamadas de “trans”.

Mulher transexual: pessoa que reivindica reconhecimento social e legal como mulher. No nascimento, foi identificada como do sexo masculino.

Homem transexual: pessoa que reivindica reconhecimento social e legal como homem. No nascimento, foi identificada como do sexo feminino.

Travesti: trata-se de uma categoria em disputa política no movimento LGBT, sem que haja consenso acerca da melhor definição. Algumas travestis são pessoas que não se identificam com a classificação binária homem-mulher, e entendem-se como integrantes de um terceiro gênero. Outras reivindicam para si a identidade feminina. Deve-se considerar a autodefinição e utilizar o artigo feminino, ou seja, “a travesti”.

Heteronormatividade: é um conjunto de discursos, valores e práticas por meio dos quais a heterossexualidade é instituída como a única possibilidade natural e legítima de expressão, desconsiderando outras orientações sexuais ou identidades de gênero.

Homolesbotransfobia: rejeição ou aversão a qualquer forma de expressão da sexualidade diferente dos padrões heteronormativos. Manifesta-se em inúmeras ações discriminatórias e não raro violentas.

LGBT: sigla que designa lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que se organizam em associações com o objetivo de reivindicar e assegurar direitos a partir de sua orientação sexual e identidade de gênero.

Crossdresser: pessoas que usam ocasionalmente roupas do gênero oposto, mas não fazem modificações físicas permanentes.

Drag queen: homem que se monta como mulher para fins artísticos, às vezes para imitar uma personagem famosa. O termo não está associado à orientação sexual.

Drag king: mulher que usa roupas associadas ao gênero masculino para fins artísticos. O termo não está associado à orientação sexual.

Intersexual: o termo é utilizado para definir o indivíduo que tem características sexuais (genitália e aparelho reprodutor) femininas e masculinas. Costumava ser chamado de “hermafrodita”.

Andrógino: refere-se à expressão simultânea de gêneros. Em geral se veste com roupas consideradas unissex e usa cortes de cabelo e acessórios que dificultam a identificação de gênero.

Transgenitalização: conhecida também como Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS) ou “cirurgia de mudança de sexo”, é o conjunto de procedimentos cirúrgicos pelos quais a aparência física de uma pessoa e suas características sexuais são mudadas para as do sexo oposto.

Nome social: é o nome pelo qual pessoas trans e travestis preferem ser chamadas cotidianamente, em contraste com o nome oficialmente registrado e que não reflete sua identidade de gênero.