Giovanna Chencci

 

Autor dos livros Uns e outros e A casa do santo e o santo de casa, Rodolfo Guttilla, que também é cofundador da Cause, conta à Comunicação Empresarial sobre sua paixão: a poesia. Em sua mais recente obra, Ai! Que preguiça…! (Companhia das Letras, 72 páginas, R$ 24,90), o autor o autor se inspirou em relatos de historiadores e poetas brasileiros, figuras essas que continuam fascinando Guttilla em seu fazer poético.

 

Por que você escolheu esse gênero? Você acredita que a poesia é um veículo de grandes ideias e pensamentos?

Na verdade, eu me interesso por poesia há muito tempo. Para fazer poesia é preciso ler poesia, literatura, crítica literária. Eu leio muito crítica literária e me especializei em um gênero poético chamado haicai, de origem japonesa. Voltando à sua pergunta, eu me interesso muito pelo gênero poético e acho que a poesia é um tremendo veículo para transmitir ideias, para recriar e atribuir um novo significado e sentido para a vida.

Quais as fontes literárias que inspiram você, tanto no fazer poético, quanto na sua própria vida?

O livro Ai! Que preguiça…! foi inspirado diretamente em Macunaíma, de Mário de Andrade, mas em outras obras também. O fato é que gosto muito do assunto, leio muito sobre poesia e sobre o fazer poético. Em poesia, vou citar alguns – correndo certamente o risco de esquecer outros – como Gregório de Matos e Fernando Pessoa. Na língua inglesa, Ezra Pound, Jack Kerouac, Allen Ginsberge, Lawrence Ferlinghetti.

Você acredita que a comunicação corporativa combina com a poesia?

Acho que não; são magistérios independentes. Há uma radicalidade na poesia que não seria bem aceita no mundo da comunicação corporativa, que tem que ser funcional, objetiva, direta e racional. A poesia pode ser tortuosa e delirante. Eu não vejo como fazer comunicação corporativa se utilizando das técnicas da poesia, sobretudo as mais radicais.

Qual é o público que você deseja atingir com seu livro?

Eu quero atingir o leitor culto, que tenha referências literárias. Há múltiplas referências nos poemas, então o leitor precisa ser um leitor mais maduro, mais erudito, por assim dizer. Isso não impede que a minha poesia chegue a escolas do ensino fundamental e médio, por exemplo.

Como você vê a produção de poesia no Brasil?

Acho que nunca se publicou tanta poesia no Brasil como nos últimos anos. Isso porque surgiram múltiplas plataformas também, como a internet e as redes sociais. Essa multiplicidade de novas plataformas deu aos poetas muitas possibilidades. Eu acho que temos uma grande produção, desde trabalhos medíocres aos muito bons e excelentes mas em geral de boa qualidade, com todas as nuances presentes em qualquer país.

Ai! Que preguiça...! (Companhia das Letras, 72 páginas, R$ 24,90)

Ai! Que preguiça…! (Companhia das Letras, 72 páginas, R$ 24,90)