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Parque das Neblinas é campo de estudo para pesquisadores dos muriquis-do-sul

Rede Aberje

O Parque das Neblinas, reserva de Mata Atlântica da Suzano – associada da Aberje  – gerida pelo Ecofuturo, é um dos sítios de estudo para pesquisadores dos muriquis-do-sul (ou mono-carvoeiro), maior primata das Américas e em grande perigo de extinção.

Em parceria com o Instituto Pró-Muriqui, a equipe do Ecofuturo organiza campanhas periódicas para monitorar a presença da espécie, endêmica do bioma, entre os 6 mil hectares da reserva. “Os muriquis, que habitam as regiões Sul e Sudeste do País, encontram-se em situação crítica de extinção: estima-se que restam apenas 1.300 indivíduos na natureza. O objetivo das incursões é monitorar a população e a composição dos grupos de macacos, por sexo e idade, e determinar o território ocupado por eles. Os estudos de campo são importantes para conhecer, avaliar e proteger as poucas populações existentes, bem como estabelecer estratégias para o manejo e a conservação da espécie, como a criação de corredores ecológicos e a restauração do habitat”, afirma David de Almeida Santos, Supervisor de Operações do Ecofuturo.

 

 

As campanhas para pesquisa são compostas por seis integrantes: três assistentes de campo e três técnicos de nível superior, sendo dois mestrandos e um mestre. Até hoje, já foram realizadas três atividades de campo no Parque, nos meses de novembro e dezembro de 2018 e em fevereiro deste ano, cada uma delas com duração de quatro dias. Mais três saídas estão planejadas ainda para 2019.

Os pesquisadores e especialistas buscam vestígios dos animais e, após encontrá-los, mantêm o contato visual e acompanham a dinâmica do grupo. Os profissionais observam seus hábitos de alimentação e registram a localização dos indivíduos, por meio de um sistema de GPS. Esse sistema auxilia a equipe a prever onde os animais poderão estar nos dias seguintes, otimizando o tempo da expedição. Os muriquis foram avistados em todas as campanhas realizadas na área.

Na reserva, os primatas vivem em espaços isolados e de difícil acesso. Eles se alimentam de folhas, frutos, sementes, casca de árvores, cipós, orquídeas, bromélias, entre outros, e costumam viver em grupos. “Além do muriqui, os monitoramentos realizados no Parque das Neblinas já indicaram a presença de outras três espécies de macacos, o que evidencia a importância estratégica da reserva na proteção dos primatas ainda existentes no território paulista”, explica Paulo Groke, Diretor Superintendente do Instituto Ecofuturo.

Os resultados das pesquisas serão publicados em jornais científicos e servirão de base de comparação para as diferentes populações de muriquis do estado de São Paulo. Anteriormente, o Parque também foi território de atuação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a conservação do muriqui, coordenado pelo ICMBio, com o objetivo de ampliar o conhecimento e a proteção da espécie, e tentar reverter seu grau de ameaça de extinção.

O PARQUE – Reconhecido pelo Programa Homem e Biosfera da UNESCO como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o Parque das é uma reserva ambiental da Suzano, gerida pelo Ecofuturo, com 6 mil hectares. No local, são desenvolvidas atividades de ecoturismo, pesquisa científica, educação ambiental, manejo e restauração florestal e participação comunitária. Mais de 1.250 espécies já foram identificadas no Parque e para conhecer mais sobre a diversidade de animais e plantas protegidos na reserva, confira a publicação “A biodiversidade no Parque das Neblinas”, disponível gratuitamente no site do Ecofuturo.