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O presidente da Fibria conta sobre como negociou sustentabilidade com comunidades

Aberje

José Luciano Penido, presidente do conselho de administração da Fibria, fala no Lidercom CEOs sobre as histórias humanas que surgem a partir da atuação sustentável da empresa

André Sollitto

No sexto encontro do Lidercom, iniciativa que reúne altos executivos da comunicação empresarial para discutir os grandes desafios do mercado com CEOs, o convidado da vez foi José Luciano Penido, presidente do Conselho de Administração da Fibria. Penido também atua como conselheiro independente de outras empresas, como a Copersucar, a Algar e a Química Amparo, além de fazer parte do Conselho de Sustentabilidade do Santander.

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José Luciano Penido, presidente do Conselho de Administração da Fibria

Nesse encontro com os diretores de comunicação, Penido falou sobre sua experiência na Fibria, empresa que surgiu da fusão da Aracruz e da VCP, a Votorantim Celulose e Papel, em 2009. Sobre a a Aracruz, ele comentou sobre a imagem negativa da empresa, como um “empresa problemática”, já que foi uma vítima dos derivativos de câmbio que a deixaram um prejuízo estimado em R$ 2,3 bilhões, além das dificuldades em lidar com temas sociais, como a causa indígena e o MST. Mesmo assim, a empresa teve uma trajetória admirada. Durante muitos anos, foi líder no setor e era um exemplo de sustentabilidade ambiental.

Esse histórico foi o que alavancou o nascimento da Fibria com base em alguns conceitos chave, como boa governança, sustentabilidade e foco em inovação e tecnologia. Penido costuma usar a sua “constelação de valor” para explicar a visão da empresa, que se propõe a criar relações duradouras com os públicos com que lida. Para ele, a empresa deve ajudar o cliente a ganhar produtividade, ligando-se, assim, a uma cadeira de vencedores. Seus produtos, de qualidade, devem ter foco no cliente. E sua visão principal é consolidar a floresta como produtora de valor econômico. O papel é apenas uma maneira de conseguir isso.

A partir desses conceitos, ele afirma que a empresa busca atuar de maneira sustentável, criando parcerias com comunidades locais e construindo uma boa relação com movimentos sociais, como o MST. A empresa procura entrar em acordo com a população moradora de terras assentadas, geralmente plantando apenas uma parte de eucalipto e incentivando a agricultura familiar na maior parte do terreno.

Essa maneira de agir tem gerado bons resultados, tanto de negócios quanto humanos. A Fibria conseguiu quitar as dívidas da Aracruz e pagou dois bilhões de dividendos. É a única empresa de floresta do mundo incluída no Dow Jones Sustainability Index. E as histórias de transformação na vida de pessoas surgem naturalmente a partir disso.

Penido deu como exemplo a história de uma senhora no Mato Grosso Sul, uma assentada do MST que vivia de forma precária até ser incentivada a plantar hortaliças, quando a colheita prometia ser boa. Ela disse que estava feliz porque as filhas, que haviam sido submetidas à prostituição em Brasília, estavam voltando para casa para ajudar na pequena plantação. Ele conta que existem equipes que se dedicam a ir a campo e colher esses depoimentos diretamente das comunidades. Para ele, essas histórias podem servir de exemplos para outras empresas, e devem chegar à sociedade. Além disso, é preciso mostrar que a floresta é um business de alta tecnologia, “não um monte de homem suado cortando madeira e levando picada de mosquito”, diz ele.

Participantes do Lidercom CEOs no último encontro do ano com José

Participantes do Lidercom CEOs no último encontro do ano com José Luciano Penido