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O legado cultural dos grandes eventos esportivos é debatido no 10º Fórum Gestão do Conhecimento

 

A 10ª edição do Fórum Permanente de Gestão do Conhecimento, Comunicação e Memória, realizada em parceira pela Aberje, ECA-USP, GENN/Grupo de Estudos de Novas Narrativas, Memória Votorantim e Museu da Pessoa, teve como tema o “Legado cultural nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”. O objetivo do evento foi discutir sobre o legado que os grandes eventos esportivos deixam para o futuro, analisando as suas oportunidades e desafios. Para falar sobre o assunto, foram convidados o jornalista Matthew Shirts, a Coordenadora do Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, Daniela Greeb e a Dra. Beatriz Garcia da Universidade de Liverpool.

Inaugurando o Fórum, André Ermínio de Moraes Macedo, representando o Memória Votorantim, falou um pouco sobre a importância do legado para as gerações futuras, ressaltando a necessidade de um projeto voltado para resgatar memórias a serem compartilhadas com a sociedade. Criado em 2003, o Memória Votorantim cuida do resgate e preservação da documentação histórica do Grupo Votorantim e tem um amplo acervo, disponível para consulta online ou presencial.

Na discussão sobre o legado das Olimpíadas e Paralimpíadas, a Dra. Beatriz Garcia trouxe à tona a discussão sobre a pouca importância que dão ao legado cultural deixado por esses grandes eventos. Muito se fala sobre a infraestrutura construída para receber esses acontecimentos, vista como o legado de maior relevância deixado por tais eventos. Mas, ela ressalta que o maior legado que fica são as narrativas construídas durante o período. Para exemplificar esta ideia, ela fala sobre a importância do local em eventos dessa magnitude, dizendo ser a cidade sede “o coração do evento”.

Apresentando diversos desafios, que muitas vezes impedem que se criem uma memória enraizada, a Dra. Beatriz comentou sobre as últimas edições das Olimpíadas e Paralimpíadas, com seus erros e acertos do ponto de vista de legado. Um dos principais problemas, por exemplo, é a preocupação exclusiva com a questão esportiva do evento, deixando de lado o fator cultural. De acordo com ela, é preciso que se mantenha a identidade nacional durante os Jogos, já que a troca cultural se dá justamente na originalidade de cada cultura. Nesse sentido, um modelo holístico de planejamento cultural, desenvolvido pela pesquisadora, em que se olha para todos os stakeholders envolvidos com o evento e se estabelece níveis de interação com eles, está começando a ser implementado no planejamento dos Jogos.

O Fórum terminou com um debate entre os convidados presentes e o público. Matthew Shirts comentou sobre os chamados “elefantes brancos” (white elephants), que são as grandes estruturas construídas para abrigar os jogos, mas que após o breve período do evento, são subutilizados. A Dra. Beatriz citou que uma forma de trabalhar com esse desafio é abrir esses espaços para ocupação pública, tais como intervenções artísticas e visitas, como aconteceu em Londres nos Jogos de 2012.

Daniela Greeb comentou sobre a grande importância da preservação memória em eventos dessas proporções. De acordo com ela, hoje é possível saber, por exemplo, como era o papel das mulheres nas edições dos Jogos passados, através dos registros feitos na época e preservados até os dias de hoje. Assim, o legado cultural e a memória estão intrinsicamente conectados.

 

O Fórum Permanente de Gestão do Conhecimento, Comunicação e Memória é resultado de parceria firmada em 2010 entre a Aberje, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, o Grupo de Estudos de Novas Narrativas/GENN, o Memória Votorantim e o Museu da Pessoa. Outras informações podem ser obtidas no hotsite especial ou ainda diretamente com Verônica Carvalho pelo e-mail veronica.carvalho@aberje.com.br.