Pedro Malan de onde?
Paulo Cezar Guimarães*
- Quem deseja?
- Pedro Malan.
- Pedro Malan de onde? |
A Eliana Lima, jornalista de
Campinas, que me enviou uma mensagem bastante simpática e os meus demais
amigos que me lêem nesta página da Aberje devem estar se perguntando
mais uma vez: mas o que isto tem a ver com Comunicação Empresarial?
Não sei se é coisa de filho único, botafoguense, pisciano e amigo do
Oswaldo Montenegro, mas entendo que não há nada mais irritante do que
o "fulano de onde?". Principalmente quando é precedido de
"um momento" e, posteriormente, do "ele não está; quer
deixar recado?". Pior ainda é quando, durante a espera, toca aquela
musiquinha-tema do filme "Golpe de Mestre", que os mais antigos
conhecem bem. Aí já é avacalhação.
Como tenho um nome bastante
comum, quase sempre que ligo para alguém, ouço a pergunta:
Já fui Paulo Cezar do Globo,
Paulo Cezar da Souza Cruz, Paulo Cezar da LBA, Paulo Cezar da Petroquisa,
Paulo Cezar da revista Imprensa. Fui até Paulo Cezar do Jornal do Brasil
- embora nunca tenha trabalhado no jornal da Condessa. No início da
minha carreira, estagiei no Diário de Notícias na fase em que o jornal
já estava moribundo. E todo mundo sabe que não se atende telefonema
de repórter de empresa falida. Então, cansado de nunca ser correspondido,
passei a dizer que era do JB toda vez que queria fazer uma entrevista.
Foi a forma que encontrei para ser recebido pelas fontes e não ouvir
o "volta amanhã". Hoje, sou Paulo Cezar professor da Facha,
Paulo Cezar da Portafolio, Paulo Cezar da Aberje. No meu prédio, Paulo
Cezar do 204. Para os amigos da minha filha, sou o Paulo Cezar, pai
da Joana.
Como forma de descontrair e
relaxar, passei a fazer parte do grupo de
pessoas que se identificam com outro nome, de preferência de alguma
personalidade. Por conta disso, já fui Nascimento Brito, Boris Casoy
(Doris o quê?, costumo ouvir), Artur Sendas, Vitor Fasano, Francisco
Cuoco, Andrezinho, do grupo Molejo, Renato Gaúcho. Tem gente que ri,
tem gente que estranha, mas todos passam o recado adiante.
Para "confundir" alguns,
já fui Mário Jorge Lobo, Artur Antunes Coimbra, Manoel Francisco dos
Santos, Edson Arantes do Nascimento. Já fui senador Paulo Cezar Guimarães,
monsenhor, deputado, general, comendador e até "amigo do hômi".
Um de meus "nomes"
preferidos é José Carlos dos Reis Encina, famoso traficante carioca,
que se tornou celebridade nacional ao escapar de um presídio usando
um helicóptero. É curioso que, como muita gente conhece o verdadeiro
nome de Escadinha, já atende rindo e dizendo:
Aprendi essa "gracinha"
há muitos anos com o meu saudoso e querido amigo Lanning Elwis, o jornalista
mais irreverente que conheci, meu sócio no começo da agência. A primeira
vez que fui "vítima" trabalhava na Souza Cruz.
E ainda não tinha proibido minha
secretária de atender o telefone e
perguntar "fulano de onde?".
- Lanning de onde? - perguntou Rosângela.
- É o professor de balé dele - respondeu.
"PC: tem um cara no telefone dizendo que é o seu professor
de balé!" |
Rosângela ainda atendeu muitos
telefonemas do Lanning, mas nunca mais caiu na brincadeira. Sabia bem
quem era o doutor Roberto (Marinho). Uma vez, meu chefe não deixou Lanning
subir. Conhecia também quem era o Hipólito da Costa que estava na recepção
da empresa. Hipólito, todos sabem, foi o primeiro jornalista brasileiro.
Hoje virou moda. Todo mundo
é professor de balé. Ou melhor, muitos repetem esta brincadeira do Lanning.
Mas acho que foi ele quem inventou. E já se passou muito tempo!
Ainda na linha do "quem
é o senhor?", gostaria, antes de terminar, de contar uma historinha
que presenciei há alguns anos e que passei para a coluna "Informe
JB", à época editada pelo Marcelo Pontes. Vocês lembram do João
Batista de Oliveira Figueiredo, autor da célebre frase "Me esqueçam!?"
Estava no Oculistas Associados,
em Botafogo, e ele chegou. Se aproximou da recepcionista, disse que
tinha hora marcada. A mocinha quis saber:
- Qual o seu nome?
- João - respondeu humildemente o ex-presidente da República.
- João de quê? - perguntou de novo a recepcionista.
- Figueiredo. João Figueiredo.
- O senhor tem plano de saúde?
- Não.
- Então seu João, senta ali naquele banquinho e aguarde a sua vez
de ser atendido. |
Não foi João de onde, foi João
de quê. Por isso, não me surpreendi outro dia, quando me apresentei
como Pedro Malan e a secretária de meu amigo quis saber de onde era
esse tal de Pedro Malan.
*Paulo Cezar Guimarães,
jornalista e professor universitário, 22 anos, digo 46, é sócio-diretor
da Portafolio Comunicação, no Rio. Endereço eletrônico para elogios,
críticas ou envio de vírus via Internet (para os que detestarem): pcguima@openlink.com.br