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 A Importância da Governança Corporativa na Comunicação Empresarial

Existem diversas definições para Governança Corporativa (GC), mas, para a compreensão deste artigo e dos conceitos aqui expostos vamos ter em mente a seguinte definição: Todo processo de gestão que leva em consideração os princípios da responsabilidade corporativa - fiscal, ambiental, social, trabalhista, societária, comunitária etc... - e que interagem com o ambiente e os stakeholders (que aqui pode ser entendido por ‘públicos estratégicos’). A partir dessa premissa, vamos falar da gestão da empresa e de tudo o que rodeia e direta ou indiretamente impacta na companhia; e com certeza da comunicação estratégica corporativa.
É bom ter em mente que, quando se fala de gestão, não se pode deixar de abordar o Conselho de Administração (CA).
Primeiramente, é importante ter claro a diferença entre conselheiro externo e conselheiro independente. O conselheiro é externo quando não faz parte da estrutura da companhia, mas é indicado pelo controlador. Quando o conselheiro é indicado por representantes que não fazem parte do grupo controlador, dizemos que este é independente.
A partir dessas considerações, podemos divagar coisas como: “É possível uma empresa listada em bolsa afirmar que tem boas práticas de Governança Corporativa, quando não possui conselheiros independentes no CA?”

Toda empresa pode ter boas práticas de Governança a partir da aplicação de procedimentos de transparência, em que com um sistema estratégico de comunicação que integre todas as áreas, pode facilitar a oferta de informações aos públicos estratégicos.

Estas mesmas empresas podem executar práticas contábeis de excelência, inclusive com a apresentação de demonstrações não obrigatórias e modelos internacionais de escrituração financeira.

As empresas podem prestar contas de tudo a que lhe diz respeito de uma forma ágil, eficiente, com respeito aos públicos estratégicos etc... Essas corporações devem não só cumprir à risca toda a estafante legislação nacional, mas também os mais exigentes dispositivos de regulamentação internacionais.

E, caso essas empresas apresentem vários conselheiros independentes e não façam nada do que foi exposto até agora, abre-se um precedente para o questionamento: “São empresas com boas práticas de Governança Corporativa?”

Transparência

Inicialmente, a prática da Governança teve pela necessidade da transparência para os acionistas. Assim, a comunicação das empresas neste segmento se profissionalizou ainda mais, tanto nos EUA, Europa como no Brasil. Aqui, além das áreas de Relações com Investidores (RI) serem mais estruturadas surgiu, no embalo, programas de relacionamento com os investidores, proliferaram consultorias especializadas em RI e empresas de distribuição de informações.
Posteriormente, com a comunicação cada vez mais fortemente presente nas áreas de RI e devido às pressões dos investidores por mais práticas de Governança Corporativa começou, nos EUA, um debate sobre a união das áreas de Relações Publicas com as de Relações com os Investidores.
Na verdade este foi um passo no conceito de a empresa ter um canal uniforme de comunicação para todos os públicos estratégicos envolvidos com a empresa, também conhecidos por stakeholders. Em suma: todos devem atuar nos limites de um programa de comunicação estratégico.

Para todos

Bem, após isso tudo você leitor deve estar se perguntando: “Quer dizer, então, que Governança Corporativa é somente às companhias abertas listadas em bolsa?”
De jeito algum! Qualquer empresa pode e deve ter boas práticas, pois é vital se relacionar com os públicos estratégicos, sejam eles interno ou externo à companhia. E esses procedimentos jamais estiveram restritos as Cias. Abertas...
A maioria dos códigos de Governança Corporativa aborda a existência dos conselheiros independentes e o fato do CEO (Chief Executive Officer) não presidir o CA.

Tanto nos EUA como na Europa ficou provada a ineficiência desta prática. A empresa deve, sim, ter um eficiente programa de comunicação estratégica corporativa, assim o CEO ficará a par das ações de forma ágil e eficiente.

Uma empresa de capital fechado familiar que desejar ter boas práticas de Governança pode consegui-la de diversas maneiras. A mais comum é estruturar um Conselho de Administração formado pelos membros da família e a profissionalização da gestão. Pode-se, também, convidar membros de públicos estratégicos para a composição do CA.

Além disso, toda empresa pode divulgar em seu website as demonstrações financeiras com as notas explicativas. A Internet pode se constituir, além de uma poderosa ferramenta de marketing institucional, um eficiente canal de esclarecimento de questões que muitos consideram “sigilosas”.

Também pode tornar disponível um canal direto de comunicação com os públicos estratégicos de forma a atender as demandas por informações, isto é, ela também pode ter um programa estratégico de comunicação corporativa etc etc etc...

Transnacionais

Estas, além de poderem divulgar as demonstrações financeiras das operações no Brasil podem também formar um conselho consultivo que levará em considerações as peculiaridades locais para o desenvolvimento do empreendimento, agindo em parceira com o Conselho da Matriz.

Sem dúvida pode formatar um programa estratégico de comunicação corporativa que integre não só as áreas da empresa no Brasil, mas também com o fluxo de informações da matriz e de outras praças, agindo desta forma com excelência , transparência e prestação de contas ao tratar com equidade os públicos estratégicos da corporação.

As empresas que desejarem dar um salto de qualidade e cumprir os quatro princípios básicos das práticas Governança Corporativa, que são: transparência, equidade dos públicos estratégicos, prestação de contas e cumprimento das legislações devem, com a máxima prioridade, implantar programas corporativos de Comunicação Estratégica. Só estes podem garantir a efetividade dos esforços.


Roberto Sousa Gonzalez – É Diretor de Estratégia Social da CorpBrasil Design e professor de Balanço Social e Governança Corporativa na Universidade Mackenzie
roberto.gonzalez@corpbrasil.com.br

 
 
Autor: Roberto Gonzalez      |      E-mail: roberto.gonzalez@corpbrasil.com.br

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