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Nove entre dez mulheres são assediadas via celular, aponta pesquisa

Rede Aberje

As mulheres são assediadas e importunadas até nos celulares. De acordo com uma pesquisa realizada pelo aplicativo Truecaller, nove entre dez mulheres sofrem com assédio ou são incomodadas por meio de ligações e mensagens no Brasil. O estudo também aponta que uma a cada oito recebe conteúdo sexual ou impróprio.A pesquisa também foi realizada na Índia, no Egito, no Quênia e na Colômbia.

As mulheres nos países dos três continentes não associam essas chamadas e esses SMS inadequados como assédio. Apesar de ser comum as mulheres receberem chamadas e mensagens de texto com conteúdos sexuais ou inadequados, há uma porcentagem relativamente baixa de mulheres que pensam que esse tipo de ligação constitui assédio. No Brasil, por exemplo, apenas 8,3% das entrevistadas entendem dessa forma.

Por outro lado, 58% das mulheres indianas identificam essas abordagens como assédio. No Egito, a porcentagem é de 35%, na Colômbia é de 17% e no Quênia, 11%. No fim, muitas mulheres esperam esse tipo de comportamento e se resignam a pensar que isso sempre acontecerá.

A pesquisa aponta que 56% das chamadas são de desconhecidos e 27% de pessoas que estão presas, cumprindo pena em presídios. De acordo com a pesquisa, esses detentos costumam fazer ligações aleatórias quando conseguem acesso a um celular e, ao serem atendidos por mulheres, tentam assediá-las. No Quênia prisioneiros fazem o mesmo, sendo a porcentagem de 53% de ligações de desconhecidos e 47% de detentos.

Na Colômbia (4%), no Egito (1%) e na Índia (4%), uma pequena parcela de pessoas conhecidas faz as chamadas assediando as mulheres do outro lado da linha.

As regiões metropolitanas são as áreas onde os casos de assédio acontecem com mais frequência. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Paraná são os mais afetados no País. Outro aspecto investigado pelo estudo do Truecaller foi a reação das brasileiras nos momentos em que são assediadas, principalmente diante de insinuações com caráter sexual. Segundo a pesquisa, depois do assédio, elas ficaram: com raiva (49%), perturbadas (48%), irritadas (46%), ofendidas (26%) e com medo (24%). Entretanto, apenas seis em cada dez mulheres costumam tomar alguma providência diante do problema.

Como reação ao assédio, entre aquelas que afirmaram terem tomado alguma medida, 70% bloquearam o número de quem as incomodava; 53% ignoraram as chamadas e mensagens. Apenas 31% alteraram a configuração do telefone para bloquear chamadas desconhecidas; 15% pediram ajuda de suas respectivas operadoras; e somente 6% denunciaram o problema às autoridades.

A pesquisa foi conduzida pela Truecaller com o apoio da Ipsos na Índia, Brasil, Colômbia, Egito e Quênia. A Ipsos usou uma abordagem móvel para coleta de dados e o mesmo questionário foi usado em toda a região. Em países como Brasil, Colômbia e Egito, o questionário foi traduzido para o idioma local com pequenos ajustes com pequenos ajustes de localização.

A pesquisa foi realizada entre 22 de novembro de 2019 a 24 de fevereiro de 2020. O tamanho da amostra variou de 1 mil a 3.324 mulheres para cada mercado na faixa etária de 18 a 40 anos e mulheres nas classes socioeconômicas A, B, C1 e C2.